COB cria grupo de estudos para estruturar novo sistema de formação de atletas no Brasil
Com base em experiências de países como EUA e China, o Instituto Olímpico Brasileiro propõe um sistema unificado que conecta gestão pública, esporte escolar, social e de elite.

Ana Patricia/COB
O Instituto Olímpico Brasileiro (IOB), braço de Educação do COB, criou um grupo de estudos que vai trabalhar em propostas para sistema de identificação e formação de atletas que contemple a realidade brasileira e possa ser implantado no longo prazo. Desde o início da gestão do Presidente Marco La Porta e da Vice Yane Marques, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) se impôs uma missão: buscar tornar o país uma Nação Esportiva. E para isso são necessárias ampliar as ações que possam auxiliar todos os envolvidos do ecossistema do esporte brasileiro a seguir um caminho de colaboração para estruturar toda a cadeia de formação de atletas no país.
O início do trabalho veio com uma análise de cenários diferentes de fomento e desenvolvimento de atletas em diversos países para buscar indicativos que possam balizar um plano. “O Brasil tem programas de esporte de alta qualidade em nível municipal, estadual e federal alguns municípios, secretarias estaduais, além de instituições privadas que apresentam conteúdos consistentes e valorizam aspectos fundamentais como a participação da sociedade em atividades esportivas recreacionais, condicionais e competitivas”, comenta Sebastian Pereira, Gerente Executivo de Educação e Fomento do COB e líder do IOB.
No entanto, o grupo de estudos identificou que muitas vezes eles acontecem de forma pontual. Com a experiência de um atleta olímpico, Sebastian aponta este como um grande gargalo. “O ideal seria a criação de um sistema permanente que independa que possa abranger as diferentes manifestações do esporte na sociedade. Desde o início lúdico, recreacional, até a identificação de potenciais atletas e sua formação para o alto rendimento”, defende.
Assim, com base na pesquisa já organizada pelo grupo de estudos, o COB irá convidar diferentes atores a contribuir com a discussão. “Precisamos ouvir, receber ideias, esclarecer o que estão fazendo e ter a contribuição dos Ministérios do Esporte, Educação, Saúde entre outros. Também das secretarias estaduais, Forças Armadas, Comitê Paralímpico Brasileiro, clubes, escolas. Todos querem a mesma coisa e têm muito a oferecer. O que precisamos é conversar e contribuir”, defende.
Para a formulação de um sistema de esporte em âmbito nacional, é fundamental contemplá-lo em suas múltiplas dimensões: educacional, social, recreativo, formativo e de alto rendimento. A meta é provocar reflexões e fomentar discussões entre os diferentes setores envolvidos para a construção de um modelo eficiente de gestão técnica, científica e administrativa do esporte olímpico brasileiro.
A base da discussão que será proposta pelo COB é um mapeamento de programas de esporte de países que se sobressaem no cenário internacional, que por diferentes motivos são referências relevantes. Estados Unidos, Canadá, Austrália, Países Baixos, Reino Unido, Rússia, China, México, França, Alemanha, Japão e Coreia tiveram seus modelos analisados. “O conhecimento e a compreensão dessas experiências internacionais podem contribuir significativamente para a tomada de decisões estratégicas voltadas à construção de um sistema nacional que integre todos os agentes do esporte”, pondera Sebastian.
Com todos os atores envolvidos, a intenção é que o debate leve ao desenvolvimento de procedimentos organizacionais unificados que sejam factíveis de serem aplicados à realidade brasileira. O COB, através do IOB, entende que deveria sugerir esta análise, instigar todos a discutir e propor ações práticas relacionadas ao esporte. O estudo inicial serve como instrumento de mapeamento e orientação estratégica da jornada rumo ao esporte de alto rendimento ao estabelecer não apenas o que deve ser realizado, mas também como e por quem cada etapa deve ser conduzida.
Sua função central é articular e coordenar todo o processo de formação esportiva, desde a identificação e desenvolvimento de talentos até o suporte técnico e científico aos atletas de elite, assegurando que a gestão esportiva nacional opere de forma integrada, eficiente e orientada para resultados em competições internacionais. “Os modelos internacionais analisados mostram que o sucesso esportivo não depende apenas de financiamento, mas de planejamento estruturado, coordenação entre os diferentes níveis escolares e a prática do esporte, suporte científico e governança eficiente. Se juntos entendermos como estruturar algo assim no Brasil, vamos promover o esporte e a saúde como diretos fundamentais do cidadão ao mesmo tempo em que nos fortalecemos no caminho das medalhas olímpicas de forma consistente. Aí sim, seríamos uma Nação Esportiva”, conclui Sebastian.












