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Antuérpia 1920 celebrou a paz e marcou o surgimento de importantes símbolos olímpicos

Edição que marcou estreia olímpica do Brasil teve o 1º hasteamento da Bandeira Olímpica e Juramento Olímpico do atleta e até estreia olímpica do hóquei no gelo


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Antuérpia 1920 celebrou a paz e marcou o surgimento de importantes símbolos olímpicos

Além da primeira participação de uma delegação brasileira, os Jogos Olímpicos de 1920 ficaram marcados por uma série de fatos históricos. Com uma mensagem de paz e união entre os povos, a cidade belga de Antuérpia foi a escolhida para receber a edição da competição posterior à Primeira Guerra Mundial. Foram oito anos de hiato sem os Jogos Olímpicos devido aos conflitos, que cancelaram a edição de 1916, marcada para acontecer em Berlim, na Alemanha.

A Cerimônia de Abertura de Antuérpia 1920 foi palco de momentos emblemáticos. Criada em 1913 por Pierre de Coubertin, foi nesta edição que a Bandeira Olímpica - com os cinco anéis representando a união dos continentes - foi hasteada pela primeira vez e se transformou em um dos protocolos mais marcantes do Movimento Olímpico. Antuérpia também presenciou o primeiro Juramento Olímpico do atleta na Cerimônia de Abertura, uma inspiração vinda da Grécia Antiga quando os gregos faziam uma oração no templo de Zeus para que as competições fossem justas. A honraria coube ao esgrimista belga Victor Boin. Para marcar o momento de celebração, pombas brancas foram soltas para simbolizar a paz, outro ato que virou tradição nos Jogos Olímpicos.

+ Cem anos de Brasil nos Jogos Olímpicos: uma trajetória notável e de evolução constante

“Foram muitos os desafios para organizar os Jogos Olímpicos Antuérpia 1920, a primeira edição pós-guerra. Vários elementos foram introduzidos e se tornaram permanentes, como a Bandeira e o Juramento Olímpico. A Bélgica foi escolhida pelo COI de uma forma muito respeitosa a esse país que tanto sofreu com a Primeira Guerra Mundial e que ainda pode nos inspirar muito com suas lições de superação, especialmente, neste momento em que celebramos cem anos de sua realização em um cenário de tantas incertezas em virtude da pandemia da COVID-19”, afirmou Carolina Araújo, gerente de Cultura e Valores Olímpicos do Comitê Olímpico do Brasil.

Com apenas 16 meses para planejar entre a decisão do COI e o início agendado dos Jogos, o tempo não estava do lado dos organizadores. O relatório oficial cita que a ideia de reunir milhares de atletas em Antuérpia em “quase uma loucura”.

Pensando rápido, as autoridades decidiram reutilizar 11 locais existentes, minimizando os custos relacionados aos Jogos em um momento de uma economia pós-guerra instável. A competição teve a participação de 2626 atletas, sendo apenas 65 mulheres e 2561 homens, representando 29 países, que competiram em 156 provas de 29 modalidades. A maioria dos atletas teve que dormir em camas de acampamento durante os Jogos, mas as grandes performances serviram de inspiração para as novas gerações.

Uma performance inigualável foi a do italiano Nedo Nadi, que conquistou medalhas de ouro em cinco das seis provas de esgrima: três nas individuais (espada, florete e sabre) e duas por equipes. Uma façanha nunca igualada. A americana Ethelda Bleibtrey ficou em primeiro lugar nas três competições femininas de natação (100m, 300m e 4x100m nado livre) e quebrou cinco recordes mundiais nas cinco vezes em que entrou na piscina. Fora da piscina, o sucesso de Ethelda foi inspiração para uma grande mudança na igualdade de gênero em todo o país.

O corredor Paavo Nurmi, o “Finlandês Voador”, saiu da Bélgica com três medalhas de ouro e uma de prata, iniciando sua carreira como um dos atletas de maior sucesso na história olímpica: nove medalhas de ouro e três de prata entre Antuérpia e Amsterdã 1928. Também foi em Antuérpia que, aos 72 anos, o atirador sueco Oscar Swahn conquistou a prata por equipes e tornou-se o medalhista olímpico mais velho de todos os tempos, recorde que detém até hoje.

Ainda no campo esportivo, Antuérpia 1920 contou com uma semana de disputa de esportes de inverno, incluindo patinação artística e hóquei no gelo, que fazia a estreia olímpica e teve o Canadá como primeiro campeão. Ao contrário do hóquei, o cabo de guerra fez sua última aparição nos Jogos Olímpicos na Bélgica, com o último ouro da modalidade indo para a Grã-Bretanha.

A primeira deleção brasileira em Jogos Olímpicos foi composta por 21 atletas. Mesmo sendo uma experiência inédita, os brasileiros conseguiram três medalhas, todas no tiro esportivo: duas individuais, com Guilherme Paraense (ouro) e Afrânio Costa (prata) e uma de bronze por equipe. Para chegar à Bélgica, a missão verde-amarela encarou uma viagem de quase um mês a bordo do navio Curvello, entre outras dificuldades enfrentadas por nossos pioneiros olímpicos


ANTUÉRPIA 1920 EM NÚMEROS

Países: 29

Atletas: 2.626 (65 mulheres, 2.561 homens)

Provas: 156

Arenas: 17 (11 reaproveitados) 


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