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Mirando Los Angeles, Etiene Medeiros mostra estar no caminho certo em retorno dourado à natação internacional

Pernambucana de 35 anos divide lugar mais alto do pódio com revelação argentina de 16 anos na final com título nos 50m costas. Brasil encerra primeiro dia com 10 ouros, 5 pratas e 3 bronzes em Santa Fé 2026

Por Comitê Olímpico do Brasil

14 de set, 2026 às 01:31 | 5 minutos de leitura

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Foto: Jonne Roriz/COB

Os Jogos Sul-americanos são uma oportunidade perfeita para que atletas de diferentes esportes e diferentes gerações consigam trocar figurinhas. Para os jovens atletas que estão em Santa Fé 2026, a presença de uma campeã mundial como Etiene Medeiros é uma grande inspiração. Este domingo, dia 13, marcou o retorno dela à internacional da natação. E veio em grande forma: medalha de ouro nos 50m costas, e um primeiro passo muito bem dado rumo aos Jogos Olímpicos Los Angeles 2028.

Apesar de Etiene nunca ter se aposentado oficialmente ou parado de nadar, a recifense já não participava mais dos torneios de elite da natação nos últimos anos. Durante este período fora das competições, se tornou mãe do pequeno Kaleu e parecia começar uma vida fora das piscinas. Porém, a inclusão das provas de 50m costas no programa olímpico mexeu com a atleta, que resolveu buscar uma terceira participação nos Jogos Olímpicos. Campeã mundial da prova em 2017, e vice em 2015 e 2019, ela mostrou que não perdeu a boa forma. 

Em sua primeira prova internacional desde maio de 2025, ela conquistou a medalha de ouro e ainda pode celebrar junto da torcida argentina que lotou o Centro Aquático Provincial Invencible e Rosário nesta primeira noite de finais. Na prova dos 50m costas, Etiene venceu com 28s38, empatada com a argentina Cecilia Dieleke. A marca é novo recorde dos Jogos Sul-americanos, superando os 28s50 de Fabiola Molina, em Medellín 2010. A argentina Andrea Berrino ficou com o bronze (28s67), enquanto Fernanda de Goeij terminou em quinto lugar, com 29s06.

Aos 35 anos, ela teve a companhia, no lugar mais alto do pódio, de uma argentina com apenas 16. Cecilia Dieleke ainda nem era nascida quando Etiene fez sua estreia em campeonatos mundiais, Roma 2009, onde justamente competiu nos 50m costas. Após a prova, Etiene salientou essa diferença de gerações no pódio.

“Estar de volta à seleção é muito especial. Minha última missão pelo Time Brasil foi em Tóquio, então faz tempo. É um sentimento muito diferente estar competindo ao lado dos nossos amigos sul-americanos. Eu tenho uma excelente companheira, que é a Fernanda Goeij; a Andrea Berrino tem bastante trajetória comigo, durante a minha história nos 100m e 50m costas. E agora a gente viu uma argentina pequenininha, ali nadando do meu lado, mas a gente bateu junto, medalha de ouro para o Brasil. Acho que isso faz a gente acreditar em LA 28, então para mim é muito gratificante estar aqui novamente”.

A pernambucana conquistou sua primeira medalha individual nos Jogos Sul-americanos. Em Santiago 2014, ela foi prata nos 100m costas, bronze nos 100m borboleta e ouro nos 4x100m medley feminino. Finalista em sua estreia olímpica na Rio 2016, nos 50m livre, ela sabe que o caminho para Los Angeles 2028 não é fácil. Afinal, ela precisa ficar entre as seis melhores em uma etapa da Copa do Mundo no ano que vem para conquistar a vaga direta pra os 50m costas. Se a tarefa é árdua, ela mostrou que está pronta para o desafio.

Agora, ela tem mais um elemento motivador neste novo ciclo olímpico. Kaleu, seu filho de um ano. A família, que esteve presente no Troféu Maria Lenk e José Finkel, continuou acompanhando ela. Hoje ela conseguiu o melhor tempo do ano, um sinal de que, a cada competição, ela está chegando mais perto de seu objetivo final. “Fazer o melhor tempo do ano é sinal que a gente está no caminho certo. Por mais que seja pouquinho, a gente sabe que isso faz diferença para nossa autoestima, nossa confiança, para seguir no treinamento todo dia”.

Mesmo de longe, essa energia mexe com ela, que agora se prepara para voltar às piscinas na quarta-feira, na disputa dos 50m livre. “Essa torcida só intensifica e me traz muito gás pra estar dentro da piscina, para estar na minha rotina, no meu dia a dia. Comprometida, porque estar aqui, fazendo parte da seleção brasileira, sendo mãe, com saudade do meu filho, mas ao mesmo tempo querendo vivenciar tudo isso novamente, você tem que ter comprometimento e muita força de vontade. Quando eu estou ali, antes da prova, eu agradeço muito por estar presente e quando eu subo no bloco é para jogar tudo que eu tenho mesmo”.

Brasileiros anotam quatro recordes dos Jogos Sul-Americanos

Além de Etiene Medeiros, Gabriel Nunes Machuco também bateu o recorde dos Jogos Sul-americanos. Ele venceu os 200m medley masculino com 1min58s97, abaixo dos 2min00s09 registrados por Thiago Pereira em Santiago 2014. Leonardo Santos ficou com a prata na mesma prova, com 2min02s01.

Nos 100m livre, Breno Correia também quebrou o recorde dos Jogos Sul-americanos, com 48s94. A antiga marca pertencia ao brasileiro Matheus Santana, também de Santiago 2014. Novamente, o Brasil firmou presença dupla no pódio. Marco Ferreira foi bronze, com 49s75.

Caio Pumputis mostrou uma excelente recuperação para vencer os 100m peito após ter passado em quarto lugar na primeira metade da prova. Ele venceu com 1min00s74, estabelecendo um novo recorde dos Jogos Sul-americanos, que era de Evandro dos Santos em Assunção 2022. João Gomes Júnior ficou com a prata, com 1min01s16.

Breno Correia e Gabrielle Roncatto saem com dois ouros em noites de dobradinhas para o Brasil

Logo na primeira prova do programa de finais, a natação brasileira mostrou a que veio, fazendo uma dobradinha com Gabrielle Roncatto e Beatriz Dizotti. Roncatto assumiu a liderança no final da disputa e venceu com 8min37s15, à frente de Dizotti, que ficou com 8min37s36. Logo em seguida, mais uma dobradinha, desta vez nos 800m livre masculino: Guilherme Costa, o Cachorrão, fechou em 7min52s86 e Stephan Steverink foi prata, com 7min55s30.

Nos 200m medley feminino, Agatha Amaral venceu com 2min15s25. Em uma disputa emocionante pelo pódio, Manuela Astori ficou com o bronze, com 2min17s32. A última prova individual do dia não poderia terminar de outra forma senão com uma dobradinha brasileira: Guilherme Basseto foi ouro com 25s15 e Samuel Lopes prata com 25s64. Para completar as medalhas brasileiras nas provas individuais, Luanna Nunes ficou com o bronze dos 100m livre, com 55s67.

No 4x200m livre feminino, o Brasil liderou do início ao fim, vencendo a prova com mais de 11 segundos de distância para a Colômbia. O quarteto formado por Aline Rodrigues, Gabrielle Roncatto, Manuela Astori e Giovana Reis terminou em 8min12s89. E em seguida, Breno Correia, Murilo Sartori, Leonardo Santos e Stephan Steverink também foram dominantes no 4x200m livre masculino, vencendo com 7min22s39.

 

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