Gestão e sustentabilidade pautam debate sobre investimentos no esporte feminino

Painel reuniu representantes do COB, da Neoenergia e da Trilha Gestão para discutir captação, distribuição e sustentabilidade dos investimentos no esporte feminino

Por Comitê Olímpico do Brasil

3 de out, 2026 às 15:30 | 3 minutos de leitura

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Foto: Wander Roberto/COB

O crescimento do esporte feminino brasileiro nos últimos anos também passa pela forma como os recursos são captados, distribuídos e transformados em oportunidades. Esse foi o ponto de partida do painel “Gestão de recursos no esporte feminino: captação, distribuição e sustentabilidade”, realizado neste sábado, 3, durante a COB Expo 2026, em São Paulo.

Na abertura da discussão, Mariana Mello, gerente de Projetos Esportivos Especiais do Comitê Olímpico do Brasil (COB), apresentou um dado que ajuda a dimensionar a transformação ocorrida no alto rendimento brasileiro. “Para efeito de comparação: quando o COB iniciou programas específicos dedicados a atletas femininas com chances de pódio, antes de Londres 2012, chegamos a 17% das medalhas em 2012. Já em Paris 2024, as mulheres responderam por 60% do total de medalhas conquistadas pelo Brasil”, afirmou.

O avanço no pódio, porém, é apenas uma parte da discussão. Na visão de futuro apresentada por Mariana, o desafio é ampliar a presença feminina em toda a cadeia esportiva, com mais atletas, treinadoras, árbitras, profissionais de ciências do esporte, gestoras e dirigentes.


 

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Foto: Wander Roberto/COB



Uma das medidas adotadas pelo COB nessa direção estabelece que, em todas as Missões, pelo menos 30% dos oficiais designados pelas Confederações sejam mulheres. Para Leonardo Castro, da Trilha Gestão, a diretriz também tem um efeito sobre a formação e a mudança cultural dentro das organizações esportivas.

“Não sou fã da obrigatoriedade, prefiro a conscientização. Mas entendo que às vezes é necessário tornar algo uma obrigação. E quando o COB baixou a diretriz dos 30% de mulheres nas delegações, ele deu o recado para que as confederações capacitassem seus profissionais”, afirmou.

Castro ressaltou que ampliar a presença de mulheres nos espaços de decisão também significa incorporar perspectivas que podem melhorar a compreensão das necessidades do esporte feminino. “Quanto mais fóruns de discussão e oportunidades de convivência e debate, melhor será o esporte para as mulheres”, disse
 

Diversificar para sustentar

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Foto: Wander Roberto/COB


A discussão também passou pelos caminhos para ampliar as fontes de financiamento. Para Castro, a Lei de Incentivo ao Esporte é uma ferramenta importante, mas não pode concentrar toda a estratégia de captação. “É importante identificar projetos que sejam dedicados ou priorizem mulheres. Mas a Lei de Incentivo ao Esporte não pode ser a única fonte de receita. Existem possibilidades de verba pública, privada, institucional, comunitária e comercial. É preciso diversificar”, afirmou.

A perspectiva do setor privado trouxe outro ponto para a conversa: para atrair investimentos, projetos esportivos precisam apresentar valor para além de seus próprios resultados. Xavi Bove, gerente de marketing digital e engajamento da Neoenergia, patrocinadora do COB, propôs uma mudança na forma de encarar a relação entre esporte feminino e patrocinadores.

“Em vez de pensar como captar recursos para o esporte feminino, podemos nos perguntar como gerar resultados para o esporte feminino”, afirmou. Para ele, a negociação com as empresas precisa partir da compreensão dos objetivos de quem investe. “As marcas compram resultados. Então, em vez de explicar que você é um campeonato com grande audiência ou uma multimedalhista, tem que raciocinar como isso pode servir para ajudar aquela empresa a conseguir resultados interessantes para ela.”

O debate, assim, deslocou a discussão de uma lógica exclusivamente quantitativa — quanto dinheiro chega ao esporte feminino — para uma abordagem mais ampla, que considera a qualidade da gestão, a diversificação das receitas, os critérios de distribuição e a capacidade de cada projeto de gerar valor e se sustentar no longo prazo.

Felipe Damiani, gerente de Projetos Incentivados do COB, encerrou a discussão, resumindo o desafio colocado para organizações esportivas, atletas e parceiros. “O esporte feminino precisa avançar não apenas na quantidade de recursos captados, mas principalmente na forma como esses recursos são planejados, distribuídos e transformados em resultados. Sustentabilidade passa por diversificar receitas, fortalecer a gestão e construir projetos capazes de gerar valor para atletas, organizações, patrocinadores e para a sociedade.”

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