Matheus Melecchi e Ana Marcela Cunha levam primeiros ouros de Santa Fé e Brasil obtém três vagas para Lima 2027
Os quatro atletas brasileiros que disputaram as provas das águas abertas saíram com medalhas no Lago Sur. Matheus Melecchi e Ana Marcela Cunha ficaram com o ouro, Viviane Jungblut foi prata e Victor Moreno bronze.

O Brasil começou com tudo os Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026. No Lago Sur de Santa Fé, o Time Brasil conquistou dois ouros e quatro medalhas nas provas de 10km femininas e masculinas das águas abertas. Além disso, o Brasil sai de Santa Fé com três vagas para os Jogos Pan-americanos Lima 2027.
A primeira medalha de ouro do evento veio com Matheus Melecchi, que completou o trajeto em 1h47min53s5. O gaúcho assumiu a liderança na segunda volta e permaneceu na frente rumo ao título. O equatoriano David Farinango foi prata, com 1h47min57s2. Victor Moreno terminou com o bronze, com 1h48min04s1. O trio não foi ameaçado na reta final da prova e assegurou lugar no pódio. Brasil e Equador asseguraram as vagas para Lima 2027 nesta prova.
“Estou muito feliz. Foi muito bom, foi uma prova muito dura, tava gelado fora, tava frio dentro. Então, era uma prova não só de muito treino, mas também de muita cabeça, que também é treino”, disse o jovem atleta de 20 anos, que ainda agradeceu a presença da família na torcida. “Minha mãe, minha avó e minha tia vieram e eu fui da prova correndo pra abraçar elas que nem um louco. Eu estou muito feliz”.
A vaga direta para Matheus Melecchi quase veio com antecedência, já que o vencedor dos Jogos Pan-americanos Júnior Assunção 2025 obteria uma vaga extra, mas o nadador ficou com a prata no Paraguai. “Eu deixei escapar, querendo ou não, no ano passado, na batida, por menos de um segundo, em uma prova de duas horas. Mas agora deu tudo certo, acabei classificando o país, então estou muito feliz. O trabalho foi bem feito, então temos que aproveitar”, celebrou o atleta.
A experiência da campeã olímpica em sua nona medalha de Jogos Sul-americanos
Poucos minutos depois, Ana Marcela Cunha venceu a prova feminina, liderando uma dobradinha brasileira, com Viviane Jungblut conquistando a medalha de prata. A experiência ficou clara para todos que assistiram. Ana Marcela Cunha esperou as adversárias caírem na água para, numa estoicidade impressionante, pular com calma e iniciar seu trajeto de quase duas horas.
Afinal, a última vez que a baiana pulou na água para um desafio, ela só voltou à terra depois de 8h25min, quando completou os 37km entre Inglaterra e França, batendo o recorde sul-americano do trajeto. O Brasil já garante, portanto, as duas vagas em jogo para Lima 2027.
Após a prova, a baiana explicou por que escolheu pular um pouco depois das outras atletas. "Eu tenho muitas tradições, alguns vícios que eu fui tendo a partir de cada prova. Eu gosto sempre de entrar com o pé direito, eu faço sinal assim da cruz, peço proteção. Eu acredito muito nas minhas manias. E quando a gente está de traje e pular de cabeça, às vezes é muito ruim porque a água entra muito no traje. Em todas as minhas provas de 25km que eu saí de campeão mundial, eu sempre pulei de pé, né? E eu sempre tenho aquela calma, ‘respira, se posiciona bem, vai com tranquilidade’".
Ana Marcela Cunha também vê uma vantagem em largar depois das rivais para sua estratégia. "Termina que todo mundo ali na largada às vezes sai muito truncado, todo mundo se batendo. E eu tento procurar não ir muito para esse lado, acho que ter uma prova mais saudável, tranquila, com muita consciência. Acho que meu lado baiano aflora quando eu tenho uma competição. Eu sou muito tranquila, tenho muita paciência. Eu gosto muito de observar ali as meninas, então para mim é um momento que faz parte da prova. Pular depois… foi por pouco, né? A vitória veio, mas foi por pouquinho", comentou.
Durante a primeira metade da prova, as argentinas Candela Giordanino e Romina Imwinkelried permaneceram na liderança. As brasileiras Viviane Jungblut e Ana Marcela Cunha nunca perderam de vista as rivais e começou a dar o bote nas anfitriãs. Na quinta volta, Ana Marcela Cunha já era a líder, seguida de Vivi Jungblut. As argentinas Romina Imwinkelried e Candela Giordanino bateram praticamente juntas, mas Romina ficou com o bronze, com 1h57min04s5, um décimo à frente de Candela.
Foi a oitava medalha em Jogos Sul-americanos para Ana Marcela Cunha, sexta de ouro. Sua primeira medalha foi de ouro em Buenos Aires 2006, quando tinha apenas 14 anos. Ao final da prova, a campeã olímpica e dona de sete títulos mundiais refletiu sobre a diferença da Ana Marcela Cunha de então para agora.
“Por mais que hoje não tenha sido a melhor prova, nas melhores condições possíveis, eu sei o quanto sou respeitada pelas meninas. É um momento de olhar para o passado e ver o quão grande nós somos, o que a gente conseguiu conquistar ao longo desses anos. A gente escreveu o nosso nome na história. Fico muito feliz de poder estar participando de mais uma edição dos Jogos Sul-americanos. Quem sabe, né? Talvez ali o último. Não sei se vou ter outra oportunidade, mas vou deixar a frase: poder falar que fechei com chave de ouro foi muito importante para mim ao longo desses 20 anos.”
Participando de sua primeira competição em trajes após uma cirurgia, Viviane Jungblut celebrou a medalha e a conquista das vagas aos Jogos Pan-americanos. “Estou muito feliz. O principal objetivo aqui era pegar a vaga para o Pan, e a gente conseguiu as duas vagas para o Brasil. Voltar a uma competição internacional e voltar a medalhar significa muito para mim”, afirmou Vivi.
Enquanto esperava a definição da medalha de bronze, a argentina Candela Giordanino falou sobre a importância de nadar com as brasileiras, referências nas águas abertas. “Sabíamos que Ana Marcela e Vivi são grandes nadadoras com muita experiência e que não ia ser fácil. A verdade é que estou feliz por ter competido, mais do que rivais, somos muito amigas. Eu tive a oportunidade de treinar com a Vivi há muitos anos e gosto muito dela, então fico muito feliz de poder competir ao lado dela”, declarou Candela para a transmissão dos Jogos Sul-americanos.











