Onigiri, pandeiro e grito de guerra: Brasil conquista primeiras vitórias no softbol em Santa Fé 2026
Baquetas, pandeiro, palavras de apoio durante todo o jogo e até paródia de samba-enredo ajudam a Seleção Brasileira feminina de softbol a criar uma atmosfera animada e vencer a Colômbia por 11x4 e a Argentina por 3x0

Partida entre Brasil x Colombia no Estadio Mundialista de Sóftbol, na provincia de Santa Fé, Argentina. Foto: Bruno Ruas /COB.
Em meio à concentração, à estratégia e à intensidade de uma partida de softbol, o banco da Seleção Brasileira feminina tem dois ingredientes que ajudam a fortalecer a equipe: música e culinária. E foi embalada por essa atmosfera que a equipe conquistou suas primeiras vitórias nos Jogos Sul-americanos, derrotando a Colômbia por 11 a 4 e a Argentina por 3 a 0, nesta quarta-feira (16), no Estádio Mundialista de Softbol, em Santa Fé.
Enquanto as companheiras estão na defesa ou aguardam a vez de rebater, quem está no banco mantém o ritmo, incentiva cada jogada e transforma os momentos de espera em oportunidades para fortalecer o grupo. O repertório inclui pandeiro, baquetas, balde de tambor, gritos de guerra, palavras de incentivo, cantos e até paródias de samba-enredo, criando uma atmosfera tipicamente brasileira durante as partidas.

A defensora externa Thalia Silva ajuda a comandar a festa. Segundo ela, as músicas surgem de forma espontânea e são passadas entre gerações de atletas. "A gente sempre torce muito do banco. Acaba se virando nos 30 para deixar tudo mais animado, elevar o ânimo do time. Vai aprendendo com o tempo, pegando as brincadeiras das outras meninas e criando novas também", contou. Para ela, o barulho tem um propósito importante. "Quando acontece alguma coisa dentro de campo, você olha para o banco e vê que tem gente junto com você", disse.
A segunda base Samira Tanaka explica que a tradição dos cantos acompanha o softbol brasileiro há décadas. "Cada clube inventa uma musiquinha e ela vai passando para os outros. Muitas dessas músicas eu canto desde os meus 13 anos. Hoje chegam as mais novas, trazem ritmos diferentes e tudo fica ainda mais animado. Quando a gente consegue ouvir o apoio vindo do banco, sente toda a energia das meninas.", conta.

O segundo ingrediente é a culinária. Entre uma partida e outra, o onigiri, tradicional bolinho de arroz japonês, virou uma das referências da equipe e ganhou espaço na rotina das atletas. A presença da comida japonesa dialoga com a história da modalidade e também com a trajetória de muitas jogadoras descendentes de japoneses.
Natural de Bastos, no interior de São Paulo, cidade com forte influência da imigração japonesa, Samira conta que sua relação com o esporte começou justamente por essa conexão cultural. "Na minha cidade tem muitos japoneses e o beisebol sempre foi muito forte. Eu comecei jogando beisebol e depois fui para o softbol. Metade da nossa equipe tem ascendência japonesa, e isso faz parte da história da modalidade no Brasil."

Para ela, o onigiri representa mais do que um lanche entre os jogos. "A gente come onigiri em casa, com a família. Quando chega aqui e encontra um onigiri esperando pela gente antes da partida, dá uma sensação de conforto. Além de ajudar na alimentação durante a competição, ele traz um pouquinho de casa para perto da gente."
O carinho vem também do preparo do tradicional bolinho. As mães de algumas atletas estão acompanhando os Jogos e prepararam o onigiri para a equipe. Enquanto a gente se prepara para jogar, elas também estão se preparando lá. Fazem as comidinhas com muito carinho. É uma forma de receber esse aconchego de mãe mesmo", afirmou Samira.
Além da comida tradicional, Samira ressalta que as frutas, suplementos e a hidratação são indispensáveis no bench (banco no softbol).











