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Rosane Budag, a força por trás da prata de Felipe Wu em Santa Fé e no caminho para Los Angeles 2028

Esposa e técnica do atirador, atleta olímpica da Rio 2016 revela detalhes da estratégia adotada para o ciclo olímpico e como se comunicam durante prova

Por Comitê Olímpico do Brasil

15 de set, 2026 às 14:36 | 4 minutos de leitura

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Foto: Alexandre Loureiro /COB. IG: alexandreloureiroimagens

No tiro esportivo cada detalhe conta. Muitas vezes, uma medalha é decidida por uma leve angulação que gera um movimento de milímetros no alvo. E em um ambiente de tanto silêncio e concentração, um olhar pode fazer toda a diferença. Ao lado de Tatiana Diniz, Felipe Wu conquistou a medalha de prata na equipe mista da pistola de ar 10m dos Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026, pouco mais de dez anos depois de uma outra medalha de prata que fez história para o Brasil: a primeira medalha olímpica conquistada por um brasileiro em solo nacional. Tanto lá quanto cá, uma companhia segue fundamental para o sucesso do atirador: a de Rosane Budag, sua esposa e técnica.
 

Paulista de 34 anos, Felipe Wu está ao lado de Rosane há mais de 12 anos. Os dois participaram do primeiro dia da Rio 2016, Rosane na carabina de ar 10m e Felipe, na pistola de ar 10m. Mesmo não competindo mais há alguns anos, ela segue envolvida no esporte ajudando o esposo a performar cada vez melhor, trabalhando como técnica da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE), dedicada a levar Wu para Los Angeles 2028. Em um esporte conhecido pela longevidade, é impossível determinar quantos ciclos olímpicos Felipe Wu ainda tem condições de competir. Mas ele já trata os próximos Jogos Olímpicos como o alvo final de sua carreira na elite do esporte mundial.

“Você vê as pessoas mais velhas atirando, mas eu comecei muito cedo. Então, já sinto que estou no sprint final ali. Pelo menos, como atleta de tiro pretendo ir daqui a Los Angeles. Mas eu tenho me preparado bem para as competições. A partir de novembro, a gente tem competição valendo vaga olímpica. Então, eu acredito que eu tenha feito uma boa preparação”, refletiu Wu.

Medalhista de prata nos Jogos Olímpicos da Juventude Cingapura 2010, ele fez história ao conseguir a prata na Rio 2016, primeira medalha do tiro esportivo em 96 anos. Em Tóquio 2020, conquistou a vaga pouco antes dos Jogos Olímpicos, mas como Rosane lembrou, ele tinha acabado de sair de uma internação de covid-19 e não pôde performar o seu melhor. “Ele sempre falou que queria fazer vários ciclos. Ele gosta muito de atirar, faz isso desde os oito anos, faz parte dele. Então, eu não via ele parando logo depois. Fui contratada pela confederação como técnica exclusivamente dele e para mim é uma honra fazer esse trabalho, até por ser esposa. A gente tem uma parceria muito boa. Acho que tá dando super certo. Ele tá muito feliz, realizado por continuar no alto rendimento. É uma história que deu certo”.
 

Jogos Sul-americanos servem de 'preparação de luxo' para corrida olímpica que começa em novembro

Daqui a dois meses, ele já pode ajudar a garantir a participação brasileira em Los Angeles 2028. Na primeira quinzena de novembro acontece o Campeonato Mundial de Tiro Esportivo, em Doha, que distribuirá as primeiras vagas olímpicas aos Comitês Olímpicos Nacionais. Além disso, Lima receberá o Campeonato das Américas no final do mês, que também distribuirá cotas e foi eleita pela dupla como a principal competição do ano. A prata em Santa Fé 2026 mostra que a preparação está no caminho certo.

“Todos os Jogos têm um peso diferente. Então, é bom para a gente identificar coisas para melhorar. Ainda temos dois meses para a competição-alvo desse ano. Vejo dessa forma. Essa é uma competição importante, são os primeiros Jogos do ciclo. Ano que vem temos os Jogos Pan-americanos. Vejo dessa forma, como uma preparação de luxo”.

A disputa de hoje foi só o começo para o atleta em Santa Fé. Felipe Wu e Tatiana Neves somaram 464,9, pouco atrás dos peruanos Annia Becerra e Marko Carrillo, com 471,6. Os peruanos Deysi Jilapa e Jose Ullilen ficaram com o bronze.

 Wu retorna já amanhã, da 16, para a disputa da pistola de ar 10m individual, cujas finais serão decididas já na manhã da quarta-feira. Na quinta e sexta-feira, 17 e 18, ele volta ao Centro Internacional de Tiro para a disputa da pistola de fogo rápido 25m, prova na qual passou a se dedicar neste ano.
 

Grande mudança: Felipe Wu também disputará as provas de tiro rápido para melhorar o desempenho

Para o ciclo olímpico, Felipe Wu e Rosane Budag trouxeram uma mudança para o calendário dele. Além da pistola de ar 10m, ele passou a competir na pistola de tiro rápido 25m. A escolha partiu da decisão de tirar a pressão posta em Wu por competir em apenas uma prova. “Ele já atirava outras provas, mas acabou parando. Na época da pandemia de covid-19, nós só treinamos ar comprimido em casa, porque nós temos alvo eletrônico. Eu fiz a periodização e toda essa parte técnica, tanto que ele conseguiu manter um nível técnico bom e foi a Tóquio. Aí neste ano, decidimos começar a atirar 25 metros para tirar aquela pressão de uma única prova. A estratégia foi ele fazer dois regionais obrigatórios e, com a seletiva, ele fecharia o ranking. Foi uma estratégia bem feita, que deu tão certo que ele conseguia índice (suficiente) para finais olímpicas e de mundial. Conseguimos tirar esse peso de uma única prova, mas ao mesmo tempo ele performou muito bem. Deu duplamente certo”, explicou Rosane.

Wu concorda que se sente mais leve e por mais que tenha tido um 2025 positivo, os resultados estão ainda melhores. “Ano passado, eu tive um ano bom. Terminei o ano em oitavo do ranking mundial na pistola de ar. A ideia era ter outra modalidade para balancear um pouco. Antigamente, eu fazia a pistola 50 metros que saiu do programa olímpico. Eu fiquei muito tempo só na pistola 10 metros e a gente achou uma boa ideia fazer uma outra prova. Acredito que pode ser uma modalidade que tanto vai me ajudar na pistola de ar, quanto também pode ser que eu consiga me desenvolver nela e ter chance de ganhar vaga olímpica também. Estou levando mais leve, mas também estou me dedicando”.

 

Brasil também conquista uma prata na carabina de ar 10m por equipes mistas

Geovana Meyer e Eduardo Sampaio Gonçalves levaram mais uma medalha para o Brasil no tiro esportivo. A dupla terminou a final do dia na segunda colocação, com 495,4 pontos, resultado que deixou a dupla na segunda colocação.  Os brasileiros somaram 61,1 pontos na etapa decisiva, sendo 31,1 de Geovana e 30,0 de Eduardo.
 

A medalha de ouro ficou com a dupla da Argentina, formada por Fernanda Russo Romero e Marcelo Julián Gutierrez, que alcançou 498,4 pontos — 3,0 a mais que a dupla brasileira. Os peruanos Arenas Paredes e Diego Alonso Morin Lagos, completaram o pódio.

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