Oito mulheres, um homem e um só ritmo. Remo brasileiro leva prata em Santa Fé 2026
Equipe feminina do oito com briga com Chile por título dos Jogos Sul-americanos e sai de Santa Fé com esperança de bons resultados

Foto: Bruno Ruas /COB.
Um dos esportes mais antigos do Brasil, o remo está passando por um processo de renovação que dá esperança de resultados históricos. Na prova mais tradicional do esporte, o oito com, o Brasil conquistou um resultado muito importante nos Jogos Sul-americanos Santa Fe 2026. A equipe feminina lutou pelo título até os metros finais contra o Chile e terminou com a prata, um desempenho que deixou a equipe esperançosa de resultados mais consistentes no futuro.
Em uma equipe que une atletas de várias gerações, Beatriz Tavares, atleta olímpica com participação em Paris 2024, valoriza o crescimento do remo feminino. “É muito legal quando a gente vê o grupo feminino crescendo, porque o Chile já tem uma constância muito grande no feminino há uns anos. A prova foi muito concorrida, o que é positivo, porque ano que vem tem os Jogos Pan-americanos e a gente já tem essa medalha aí em vista”
União da equipe foi fundamental para o resultado
Um dos pontos decisivos para o Brasil subir ao pódio foi a união das atletas. Beatriz Tavares dedicou a medalha à Yanka de Britto, mãe de duas filhas e que está retornando às atividades. Quando soube disso, a experiente atleta de 36 anos ficou muito emocionada. “Ah, já vou chorar… eu também dedico muito a ela, voltei há um pouco mais de um ano. Quando achei que estava tudo acabado pra mim no remo, pessoas como ela me fizeram acreditar. Dedico essa medalha também a ela. Se não fosse pela ajuda tanto na gestação quanto no pós, em acreditar apesar da minha idade, não é algo comum. A gente pode, tem que acreditar”.
“A gente precisa passar mais tempo treinando juntas, porque é um barco de oito pessoas. Mas, comparado aos anos anteriores, a gente está muito melhor”, concluiu Bia. Yanka corrobora esse tempo de união entre as atletas. “É muito mais divertido, fica mais leve. Estamos passando pela mesma coisa. Você ter uma parceira que está vivendo o mesmo deixa as coisas mais leves e mais fáceis”.
Como funciona um barco com nove pessoas?
No barco cada uma tem uma função específica. Além de Bia e Yanka, o barco foi composto por Dayane Pacheco Isabelle Falck, Jennifer Almeida, Lara Pizarro, Lorrayne Melo e Mariana Macedo, com Erick Oliveira como timoneiro.
“Num barco de oito, no centro ficam as quatro mais potentes, as mais fortes. Ali na ponta, que ficam próximas do timoneiro são as que ditam o ritmo, que têm mais experiência, de competir em uma prova de alto nível. E as duas lá atrás, na proa, são as mais habilidosas, porque é a parte mais sensível, que tem que deixar o barco mais equilibrado”, explicou Erick Oliveira, timoneiro.
A prova do oito com, inclusive, possui a característica de que o timoneiro não precisa ser do mesmo gênero dos oito. Em uma prova com tantas personalidades, o timoneiro é aquele que também garante o ritmo do barco durante a prova, mas também durante toda a preparação. “É ter paciência e conhecer um pouquinho, cada uma individualmente. Fazer todo mundo gostar do que tá fazendo. Tem que trazer as oito juntas, estar ali descontraindo. Somos uma equipe muito boa”, avaliou Erick, que mencionou ainda uma conversa importante que o time teve na véspera. “As oito estavam bem dispostas a fazer tudo, de acabar a prova dando o máximo. Uma com a outra desde o início”, resumiu.
Brasil termina primeiro dia de finais com três medalhas no remo
Nesta terça-feira, o Brasil conquistou três medalhas no primeiro dia de definições na Costanera Este de Santa Fe. Além da prata no oito com, Evaldo Becker foi bronze no skiff individual peso leve, enquanto Breno de Ornellas e Bernardo Barreto também levaram o bronze no skiff duplo.












