Com revanche sobre a Venezuela em final, esgrima brasileira fecha Santa Fé 2026 com oito medalhas
Richard Grünhäuser volta ao pódio em Jogos Sul-americanos após 16 anos. Ao lado de Alexandre Camargo, Nicolas Deguchi e Pedro Marostega, conquistou o ouro na prova por equipes da espada masculina

Mariana Sá/COB
A esgrima brasileira não poderia ter encontrado uma melhor maneira de encerrar sua campanha nos Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026. Foram mais duas finais nesta sexta-feira, no sabre feminino e na espada masculina. Alexandre Camargo, Nicolas Deguchi e Richard Grünhäuser ainda conseguiram uma vitória expressiva sobre a Venezuela para conquistar o ouro.
“Eles são uma equipe muito, muito forte, que já foi líder do ranking mundial. Jogaram vários Jogos Olímpicos juntos. Foi a melhor das Américas por muitos anos, quase uma década. Então, é sempre muito difícil jogar com eles. Sempre muita estrutura. Eles têm um jogo defensivo muito, muito forte, e muito estruturado, então sabíamos que teria que ser muito cabeça”, disse Alexandre Camargo, o capitão da equipe brasileira. Pedro Marostega, atleta de florete, foi o reserva da equipe, apoiando o trio e estando à disposição se precisasse haver substituição.

“Foi uma prova bem difícil. Os meninos jogaram muito bem, foi muito emocionante e importante essa vitória. A classificação olímpica está começando. E conseguir ganhar deles, ainda que não vale para a classificação, mostra para eles que estamos aqui. E eles ainda vão melhorar”, comentou Marostega, floretista que sai com medalha nas três armas – além da prata no florete por equipes, ele também foi reserva do sabre.

O Brasil terminou os Jogos Sul-americanos com oito medalhas, sendo duas de ouro, curiosamente a primeira e a última em disputa. Ana Beatriz Bulcão foi campeã do florete individual feminino. Além do sabre feminino, o sabre masculino, o florete feminino e o florete masculino foram medalhas de prata. No individual, cada arma teve um medalhista. Nicolas Deguchi foi prata na espada masculina e Luana Pekelman foi bronze no sabre feminino.
Pekelman ganhou uma segunda medalha nesta sexta-feira, desta vez ao lado de Karina Trois, Pietra Chierighini e Ana Toldo, floretista escalada como reserva. O trio principal formado por Chierighini, Pekelman e Trois venceu o Chile por 45 a 42 e a Venezuela por 45 a 27. Na decisão contra a Argentina, a equipe brasileira chegou a liderar por um breve momento, mas a Argentina venceu por 45 a 37, para festa da torcida local.

Conquista estimula veterano de 34 anos a buscar novo ciclo, 16 anos depois de sua primeira medalha em Jogos Sul-americanos
A campanha dourada começou com uma vitória tranquila do Brasil por 45 a 18 sobre o Peru. Na semifinal, o triunfo foi sobre a Argentina por 45 a 29. Na final, a equipe brasileira estava diante de uma poderosa Venezuela que conta com os irmãos Francisco e Rubén Limardo, campeão olímpico em Londres 2012, e Grabiel Lugo, ouro no individual em Santa Fe 2026. O Brasil saiu na frente, e ainda que tenha tido momentos de tensão durante o jogo, não permitiu a virada dos venezuelanos para vencer por 45 a 42.
“A gente conseguiu entrar bem, botamos uns pontos na frente e não nos desesperamos, mantendo a estrutura bem feita. Um pouco de talento ali, um toque ou outro e fomos consertando uns pequenos erros no meio do caminho. No final, seguindo o padrão em que estávamos, era questão de tempo. Foi muito, muito bom”, avaliou Alexandre Camargo.

A corrida olímpica começa em abril, mas o resultado dá mais confiança para o Brasil. Camargo é o principal nome brasileiro no ranking mundial, tendo conquistado uma histórica medalha de bronze na Copa do Mundo de Berna em maio, mas Nicolas Deguchi é um nome que também tem conquistado resultados expressivos. Hoje, os dois estão entre os 60 melhores do ranking. Mas a vaga por equipe também está no pensamento dos atletas.
“A gente veio ganhar e isso prova muito que temos toda a capacidade de chegar numa Olimpíada como equipe. O próximo ano vai ser bem longo e estamos bem. Total chance, medalhamos no campeonato pan-americano, perdendo para a Venezuela, que foi a campeã. E agora tivemos a revanche. É muito importante isso para a gente como equipe e, com certeza, o caminho está bem trilhado”, completa Camargo.

Veterano da seleção, Richard Grünhäuser foi medalhista de bronze nos Jogos Sul-americanos Medellin 2010, conquistados pela Venezuela, que já contava então com os irmãos Limardo. “Foi meu primeiro internacional adulto quando eu tinha 17 anos. Queria dizer em fechar um ciclo com 34 anos, mas mas depois dessa vitória quem sabe vem mais uns quatro aninhos aí. Satisfação enorme, ainda mais uma final desse jeito, com toda essa emoção, os três jogando muito bem, concentrados desde o início”, declarou ele emocionado.
Na semifinal, o Brasil derrotou a Argentina, que contava com Ivan Groupierre, de 18 anos. Ele é filho de Cristian Groupierre, contra quem Richard competiu 16 anos atrás. “Da equipe brasileira, de todas as armas, todo mundo renovou. Eu sou o único que ‘sobreviveu’ esse tempo. É muito legal ver como o Brasil está renovando e o Brasil está evoluindo em todas as armas”, completou o gaúcho.









