Time Brasil mobiliza equipe de saúde para atender 500 atletas nos Jogos Sul-Americanos Santa Fé 2026
Com 23 profissionais entre médicos, fisioterapeutas e massoterapeutas, operação do COB foi planejada de acordo com o perfil das modalidades e a distribuição dos atletas na Argentina

Vagner Nascimento/acervo pessoal
Cuidar de uma delegação de cerca de 500 atletas espalhada por diferentes cidades exige muito mais do que estar disponível para atender uma lesão. Nos Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026, o Comitê Olímpico do Brasil montou uma operação médica planejada de acordo com o tamanho de cada base, o perfil das modalidades e os riscos envolvidos nas competições. Ao todo, são 8 médicos, 9 fisioterapeutas e 6 massoterapeutas trabalhando para dar suporte ao Time Brasil na Argentina.
“Essa estrutura é dimensionada conforme a demanda de atletas. A unidade de Rafaela, por possuir um contingente menor, conta com uma equipe de saúde mais reduzida; já em Rosário, que concentra o maior número de atletas, alocamos o corpo clínico mais robusto. A base de Santa Fé, por sua vez, apresenta um volume intermediário e, consequentemente, uma equipe proporcional”, detalha a doutora Ana Carolina Côrte, que lidera a operação.
Chefe médica do COB e líder da equipe em Rosário, Ana Corte explica que a estrutura também conta com lideranças locais, como a doutora Lara Ramalho, em Santa Fé, e Thiago Chalhub, em Rosário. Para Ana, o planejamento começa antes mesmo de a equipe chegar ao país. “O primeiro passo consiste em avaliar o número total de atletas, as modalidades envolvidas e a distribuição geográfica desses competidores. Com base na experiência adquirida em missões anteriores, estimamos o consumo de medicamentos e a necessidade de equipamentos médicos e de fisioterapia”, explica.
A partir desse diagnóstico, cada base recebe uma estrutura proporcional à demanda. Rafaela, que concentra um contingente menor de atletas, tem uma equipe de saúde mais enxuta. Rosário, onde está o maior número de competidores e modalidades como polo aquático e rúgbi, conta com uma estrutura mais robusta. Santa Fé fica no meio desse desenho e receberá reforço na segunda fase dos Jogos, com a chegada das provas de atletismo.
A distribuição, porém, não leva em conta apenas a quantidade de atletas. O COB também mapeia as características de cada modalidade para decidir onde e quando cada profissional deve estar. Dois ortopedistas foram posicionados nas bases principais, enquanto médicos e fisioterapeutas são direcionados de acordo com suas experiências e com as necessidades específicas dos esportes. Em Rafaela, por exemplo, a presença de um ortopedista está relacionada ao maior risco de trauma associado ao ciclismo. Em Rosário, a estrutura foi reforçada diante das características de modalidades como rúgbi e polo aquático.
“Para compor o grupo de profissionais, realizamos uma convocação que integra médicos do COB, além de especialistas vinculados a confederações e clubes. Essa abordagem garante que os profissionais selecionados possuam amplo conhecimento prévio dos atletas e experiência consolidada no cenário esportivo”, afirma Ana. A composição da equipe aproveita exatamente o conhecimento acumulado pelos profissionais dentro do esporte brasileiro. O COB reuniu médicos e fisioterapeutas que já trabalham com atletas de determinadas modalidades.
Esse conhecimento específico ajuda a transformar a escala médica em uma operação mais próxima das equipes. No taekwondo, por exemplo, há médicos que acompanham determinados atletas. No pentatlo moderno, fisioterapeutas com histórico de trabalho com os competidores foram direcionados para a modalidade. Nos esportes com maior número de participantes, como judô, rúgbi e polo aquático, as próprias confederações também integram profissionais de saúde à estrutura.
As equipes precisam estar prontas para responder a uma emergência, mas também para antecipar demandas, conhecer a rotina das modalidades, acompanhar atletas com condições prévias e colocar o profissional certo no lugar certo. É uma estrutura que acompanha o tamanho e a complexidade de uma missão distribuída por diferentes bases e que ainda terá novos ajustes ao longo dos Jogos.
Em Santa Fé, onde a doutora Lara lidera a operação local, o trabalho é ainda mais dinâmico. A programação é refeita diariamente de acordo com o calendário de competições, os atendimentos agendados e as necessidades identificadas junto às modalidades. Serviços de fisioterapia e massoterapia funcionam mediante agendamento, enquanto a equipe médica é direcionada prioritariamente para situações de maior risco.
“Quando chegamos, também conversamos com as modalidades para entender se há algum atleta tratando uma condição prévia. Isso nos ajuda a direcionar profissionais para determinadas instalações, se necessário”, conta Lara. “Também buscamos compreender, junto aos gestores e às equipes das modalidades, como funciona a competição, qual será a rotina ao longo dos dias e quais são as necessidades específicas de cada grupo. Assim, conseguimos definir qual profissional é mais adequado para atuar em cada momento da competição.”
A lógica é simples: estar onde a necessidade pode ser maior. Modalidades nas quais existe maior possibilidade de trauma ou de uma ocorrência médica recebem cobertura específica. Em Santa Fé, o triatlo está entre as provas com presença médica planejada. O mesmo vale para wakeboard e esqui aquático, especialmente nas disputas consideradas de maior risco.
Ao mesmo tempo, a equipe precisa manter a cobertura da Vila. “Nossa ideia é tentar cobrir o máximo possível das competições com profissionais de saúde presentes. Nem sempre isso é possível, porque muitas competições acontecem no mesmo horário, e temos sempre a preocupação de manter a Vila coberta”, explica Lara. Por isso, a operação prevê pelo menos um médico e um fisioterapeuta permanentemente na Vila, enquanto os demais profissionais são distribuídos conforme a programação.
O trabalho inclui ainda uma atenção especial às condições ambientais encontradas na Argentina. O frio está entre os principais pontos de atenção identificados pela equipe médica. Em modalidades disputadas na água, o cuidado é ainda maior. “O frio é um desafio, principalmente pela variação de temperatura ao longo do dia. As manhãs começam muito frias, depois faz calor durante o dia e, no fim, o frio volta”, explica Lara. “Nas modalidades realizadas na água, essa é uma questão importante.” A ausência de diferença de fuso horário entre Brasil e Argentina, por outro lado, elimina o jet lag, problema comum em missões internacionais.
Outro ponto acompanhado de perto é a alimentação. Ana Corte destaca que a equipe vem monitorando eventuais ocorrências gastrointestinais e atuando rapidamente quando necessário. Em uma missão com atletas distribuídos por diferentes cidades, esse acompanhamento faz parte da rotina de prevenção e resposta.
Toda essa estrutura foi preparada para funcionar como uma única equipe, mesmo com profissionais espalhados por diferentes bases. Antes do início dos Jogos, Ana realizou reuniões com os integrantes da área de saúde para identificar as especialidades e experiências que poderiam ser aproveitadas na distribuição dos profissionais. A estratégia permite utilizar não apenas a quantidade de médicos, fisioterapeutas e massoterapeutas disponíveis, mas também aquilo que cada um conhece melhor.
“Realizamos diversas reuniões com a equipe de saúde antes do início das atividades, com o objetivo de identificar expertises específicas de cada profissional que pudessem agregar ao planejamento”, explica Ana.











