Duda Lima conquista em Santa Fé 2026 a medalha que esperou desde Assunção 2022
Cavaleiro brasileiro e Ornello V.O somaram 72,605 pontos no Jockey Club de Rosário. Bronze marcou estreia de Duda nos Jogos após frustração em Assunção 2022

Gaspar Nóbrega/COB
Foi uma manhã muito agradável no Jockey Club, em Santa Fé, nesta quarta-feira, 16. Principalmente para Eduardo Alves de Lima e Ornello V.O. Depois de uma prova que valeu a medalha de bronze no adestramento individual dos Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026, Duda Lima não escondia a emoção. Com 72,605 pontos, o brasileiro ficou atrás apenas dos equatorianos Julio Mendoza Loor, ouro com 76,420, e Carolina Espinoza, prata com 73,150.
Mas foi um bronze de sabor muito especial. Quatro anos atrás, o cavaleiro viajou para os Jogos Sul-americanos Assunção 2022, mas não chegou a competir. Pouco antes da prova, sua montaria apresentou dores e o conjunto brasileiro acabou retirado da disputa na inspeção veterinária. Em Santa Fé, enfim, veio a estreia nos Jogos — e junto, o pódio.
“Por isso esta medalha tem um significado especial. É uma conquista fruto de superação”, resumiu o cavaleiro, que pratica hipismo desde a infância. "Desde sempre. Não me imagino fazendo outra coisa."
A história também passa por Ornello V.O. Duda monta o cavalo desde o início de seu treinamento, há seis anos, e é seu único cavaleiro. Aos nove anos recém-completados, o animal vem sendo preparado para chegar ao nível internacional. Filho de Feel Good V.O, garanhão Westfalen de destaque internacional montado pelo cavaleiro olímpico João Victor Marcari Oliva, Ornello também carrega uma linhagem que ajuda a explicar a atenção depositada no conjunto. “Minha expectativa com este cavalo existe desde que comecei a montá-lo, há seis anos. Temos trabalhado passo a passo, preparando-o para atingir este nível elevado”, contou Duda.
No adestramento, porém, o resultado não depende apenas do cavaleiro. A relação entre os dois é parte essencial do esporte. Afinal, é um esporte coletivo. “No hipismo, a relação com o animal é profunda: você não é mais o único responsável pelo seu desempenho. E precisa cuidar também do seu companheiro. É como cuidar de um filho que não se comunica pela fala. É preciso aprender a interpretá-lo”, ponderou Duda.
Ornello ainda foge um pouco do padrão por causa do porte. E isso representa um desafio adicional para o brasileiro. Quanto maior o cavalo, mais complexos podem se tornar os movimentos e maior é a exigência de precisão para o conjunto. “O adestramento exige uma precisão extrema. E com um animal de dimensões maiores, os ângulos e as proporções mudam, o que exige uma adaptação técnica ainda mais refinada por parte do cavaleiro”, explicou.
Mas deu tudo certo. Para Duda, para Ornello e para o Time Brasil. “Poder vestir a camisa do Brasil é um orgulho indescritível. Representar o país internacionalmente é uma sensação única, não há palavras”, comentou.
Equipe unida para o primeiro passo do ciclo
A prata por equipes, a vaga para os Jogos Pan-americanos Lima 2027 e o bronze de Duda Lima no individual fecharam uma participação positiva do adestramento brasileiro em Santa Fé. Para a chefe de equipe Tatiana Gutierrez, o resultado também precisa ser analisado além do quadro de medalhas. “A gente veio com uma excelente equipe. Olhando para trás, a gente teve melhores resultados do que no passado, embora você olhe as medalhas e elas talvez não se reflitam nisso”, avaliou. Tatiana explicou que a evolução do esporte em toda a América do Sul elevou o nível da disputa. “Foi excelente, foi muito bom. Os meninos estão de parabéns. Vaga conquistada. É o primeiro passo do ciclo olímpico que a gente precisava, porta aberta. Los Angeles está lá na frente e todo mundo preparado para chegar lá.”
A união entre os cinco atletas foi outro ponto destacado por Tatiana. A principal característica do time foi a disposição dos atletas em trabalhar uns pelos outros. Mesmo após uma baixa no início da competição, o quinto integrante permaneceu em Santa Fé, treinando e ajudando os companheiros. “Em nenhum momento, mesmo tendo disputa de medalha individual, eles competem entre si. Eles se ajudam. Eu acho que isso faz a diferença”, afirmou.












