COB e ACNUR avançam em parceria para ampliar inclusão de refugiados no esporte
Reunião na sede do Comitê Olímpico do Brasil discutiu ações conjuntas, aproximação com o Movimento Olímpico e participação da ONU Mulheres em iniciativas voltadas a adolescentes e mulheres refugiadas

Representantes do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) estiveram juntos nesta terça-feira, 15, em discussões para ampliar a parceria entre as duas instituições e fortalecer a articulação com o Comitê Olímpico Internacional (COI) em torno da inclusão de pessoas refugiadas no esporte. O encontro, realizado na sede do COB, no Rio de Janeiro, contou com a participação do diretor-geral do COB, Emanuel Rego, além das colaboradoras do Comitê Simone de Freitas e Fernanda Albuquerque, da área de de Gestão Esportiva, responsáveis pela Solidariedade Olímpica. Pelo ACNUR, estiveram presentes Davide Tozilli e Miguel Pachioni. A reunião também abriu espaço para discutir a participação da ONU Mulheres em ações voltadas especificamente a adolescentes e mulheres refugiadas.
"Receber os representantes da Agência da ONU para Refugiados, sediada em Brasília, para esta reunião estratégica de cooperação social foi importante para o fortalecimento do Movimento Olímpico no Brasil. Podemos unir forças para utilizar o esporte como uma ferramenta fundamental de inclusão e acolhimento para refugiados que buscam reconstruir suas vidas no país", comentou Emanuel.
Entre os encaminhamentos definidos está a realização de uma nova reunião virtual para dar continuidade à parceria e a elaboração de um plano de comunicação conjunto envolvendo outros atores importantes no ecossistema do esporte brasileiro, ACNUR, como o Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) para debater possibilidades ainda neste ciclo até 2028.
Um dos principais objetivos é transformar a aproximação institucional em ações concretas. COB e ACNUR pretendem avançar na filiação do Comitê à Refugee Olympic Foundation, além de estruturar um plano de ação que anteceda a assinatura de um memorando de entendimento (MoU) entre as instituições.
A inclusão também deverá ganhar espaço em programas já desenvolvidos pelo Movimento Olímpico. Está prevista a adaptação para o Brasil do Sport Coach Plus, iniciativa voltada à formação por meio do esporte, além da avaliação da inclusão da pauta de refugiados em projetos como o Instituto Olímpico Brasileiro (IOB) e o Transforma.
Outra frente discutida foi a criação de mecanismos para identificar e apoiar atletas refugiados. O COB também pretende iniciar um mapeamento mais amplo. A proposta é debater um campo específico sobre status de refugiado nos cadastros das 38 confederações e federações estaduais, além de buscar informações junto a clubes e entidades esportivas. A iniciativa permitirá conhecer melhor a presença de atletas refugiados no sistema esportivo brasileiro e identificar necessidades de atendimento e inclusão.
A reunião tratou ainda de casos específicos envolvendo atletas refugiados e da necessidade de uma atuação coordenada entre diferentes instituições. Estão previstas conversas com representantes da Solidariedade Olímpica e do COI, além de uma reunião conjunta com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), com o objetivo de alinhar esforços e buscar soluções para casos pendentes.
Houve também debate sobre a reafirmação dos 75 anos da Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados, com articulação prevista entre COB, COI, ONU Mulheres e Ministério do Esporte. A discussão reforçou a intenção de ampliar a presença das mulheres e adolescentes refugiadas nas iniciativas de inclusão pelo esporte, em uma atuação que reúna diferentes organismos e parceiros.
"Uma iniciativa como esta também pode articular ações conjuntas com outras entidades ligadas à Fundação Olímpica de Refugiados, consolidando o COB como um agente ativo na integração social por meio do esporte no Brasil", encerrou Emanuel.












