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Jogos Escolares

Projetos sociais espalhados por todo o Brasil alavancam o atletismo nos Jogos Escolares da Juventude

Programas de quatro regiões do país conquistam resultados expressivos em Blumenau 2019


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Projetos sociais espalhados por todo o Brasil alavancam o atletismo nos Jogos Escolares da Juventude
William Lucas/Inovafoto/COB

Pelo menos seis projetos sociais de atletismo com ênfase na educação das crianças de todo o país estão dando o que falar nos Jogos Escolares da Juventude. Eles estão espalhados por Manaus (AM), Ulianópolis (PA), Anápolis (GO), Tupã (SP), Jaguarari (BA) e Cuiabá (MT), sendo exemplos de cidadania através do esporte.

O Projeto Social Áurea Pinheiro Braga, em Manaus (AM), é coordenado pelo professor João Monteiro, 58 anos, e conta com 63 alunos de 12 a 17 anos. “Estamos sempre correndo atrás de apoio. Para pagar as despesas com transporte, alimentação e material, organizamos bingos e rifas. Temos que fazer malabarismo para a turma treinar”.

João está há 44 anos no atletismo e tinha como especialidade os 800m. “Cheguei a competir com o Joaquim Cruz em 1977, quando ele corria descalço ainda. Era novinho, só 14 anos, mas já era uma fera”, lembra João, sobre o campeão olímpico em Los Angeles 1984.

Ana Beatriz Tabosa, 14, talvez seja o principal nome do projeto, tendo conquistado o bronze nos 1.000m, mesmo resultado de Natal 2018.

“No ano passado, viajei de avião, vi o mar, comi churros e pizza de chocolate, tomei água de coco... tudo pela primeira vez na vida. Em 2019, o professor prometeu: ‘se você for ao pódio, vai pode comer uma pizza de chocolate de novo’”, revela Ana Beatriz, que precisou consolar a irmã caçula, Ana Carolina, que ficou desolada com a quarta colocação. “Você só tem 12 anos. Treine bastante que a medalha será sua no ano que vem”.

Presente nos Jogos Escolares há alguns anos, o Projeto Social Atletismo Superação, de Ulianópolis (PA), viu sua equipe crescer em 2019, saltando de dois para nove atletas. “Dessa vez passamos em branco, mas somente o fato de termos mais atletas na disputa me deixa muito satisfeito”, afirma Marco Antônio, coordenador do projeto desde 2012.

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Em Anápolis (GO), o objetivo principal do Projeto Zatopek é resgatar alunos de comunidades carentes ou em situação de risco. “Nossos resultados são muito satisfatórios. Temos uma equipe completa, com fisioterapeuta, nutricionista, fisiologista e quatro técnicos. No ano passado, o Gabriel Douglas se sagrou bicampeão dos Jogos Escolares nos 1.000m e este ano estreou na categoria 15 a 17. Mesmo não alcançando o  pódio, ele está cada vez mais experiente”, diz Jean Freitas sobre o aluno do Colégio Estadual Plínio Jaime.

Já a Escolinha de Atletismo Flamengo, comandada pelo professor Ferreirinha, em Jaguarari (BA), conquistou duas medalhas em Blumenau 2019. Estudante do Colégio Walter Brandão, Adriano dos Santos, 17, foi prata nos 400m e 800m.

Outro projeto de destaque é o Instituto Vicente Lenilson, de Cuiabá (MT), que atende 60 alunos entre 8 e 17 anos. Quatro deles disputaram os Jogos Escolares, inclusive o filho do medalhista olímpico, Pedro, de 14 anos, quarto no tetratlo. O principal destaque foi Lissandra Maysa, campeã no salto em distância. “O projeto é voltado à inclusão social, mas os destaques são encaminhados para o alto rendimento”, conta Lenilson, prata em Sydney 2000 e bronze em Pequim 2008, ambas no revezamento 4x100m.

Outro projeto bem-sucedido é o da Escola Estadual Índia Vanuire, de Tupã (SP), que ganhou uma medalha em Blumenau: prata no tetratlo, com Eric Gomes Gabriel. A instituição já havia sido campeã no basquete feminino 12 a 14 anos.

Por fim, o município de Cerro Corá (RN) manteve sua tradição de revelar talentos esportivos. Wesley Mesquita, aluno da Escola Municipal Manoel Belmino, foi o bronze no tetratlo (12 a 14 anos), enquanto Regiclécia Cândido, da Escola Municipal Querubina Silveira, superou uma lesão na coxa para levar o bronze no salto triplo (15 a 17 anos).

Os Jogos Escolares da Juventude são uma realização do Comitê Olímpico do Brasil (COB), com o apoio da Prefeitura de Blumenau e do Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte).

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