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Dos mares às piscinas, Hall da Fama homenageia ídolos 'aquáticos' do esporte brasileiro

Manoel dos Santos e Ricardo Prado, da natação, e Marcelo Ferreira, da vela, deixaram suas marcas eternizadas, em noite de gala realizada pelo COB nesta quinta-feira

Dos mares às piscinas, Hall da Fama homenageia ídolos 'aquáticos' do esporte brasileiro
William Lucas/COB

Duas modalidades com características bem distintas, mas com um ponto em comum, a água, já trouxeram grandes alegrias para o povo brasileiro. Natação e vela somam juntas 34 medalhas olímpicas para o país. E algumas destas conquistas vieram dos novos integrantes do Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil, homenageados nesta quinta-feira, em evento de gala, em São Paulo. Os nadadores Manoel dos Santos e Ricardo Prado e o iatista Marcelo Ferreira deixaram suas marcas imortalizadas em moldes que ficarão expostos na futura sede esportiva do COB, no Rio de Janeiro, e entraram para sempre na galeria de ídolos do esporte nacional.

Manoel dos Santos nasceu em 1939 e é natural de Guararapes, no interior de São Paulo. O nadador estreou em Jogos Pan-americanos aos 16 anos na Cidade do México, em 1955. Na única edição de Jogos Olímpicos que disputou, Roma 1960, Manoel conquistou a medalha de bronze nos 100m livre em uma prova emocionante, a qual chegou a liderar. Um ano depois, no Rio de Janeiro, quebrou o então recorde mundial dos 100m livre ao cravar o tempo de 53s60, marca que durou três anos.

Seu filho, Marcelo Santos, foi o responsável pelo discurso em homenagem ao pai. “Faz exatamente 70 anos que entrei para equipe de natação, em Rio Claro. O primeiro treinador a gente nunca esquece. A gente não faz nada sozinho. Desde as primeiras braçadas me destaquei pela competitividade. O que aprendi na natação é que os problemas acontecem, mas que precisamos saber superá-los, com muita dedicação e vontade de vencer. Faz 63 anos que nadei uma Olimpíada e ganhei uma medalha e essa é a primeira vez que sou homenageado pelo COB. A história está sendo escrita. Muito obrigado por tudo isso”, declarou Manoel, que subiu ao palco ao som de “Trem das Onze”, dos Demônios da Garoa, música escolhida por ele para esse momento especial. Hoje, Manoel se dedica a um projeto para ensinar natação aos jovens. Por ali, já passaram mais de sete mil crianças. 

Ricardo Prado pode ser considerado um fenômeno da natação brasileira. Aos 12 anos, integrou a seleção adulta que disputou o Campeonato Sul-americano no Peru e, aos 15, estreou em Jogos Olímpicos em Moscou 1980. Dois anos mais tarde, Pradinho, como era chamado, quebrou o recorde mundial dos 400m medley. Sua trajetória como atleta foi coroada em Los Angeles 1984, quando conquistou a medalha de prata olímpica.

A sobrinha de Ricardo, Aline Prado de Almeida, foi a escolhida para ler a homenagem ao tio. “Muita gratidão pelo privilégio de ter nascido numa família que me incentivou a fazer esporte. Eu sabia desde os seis anos onde eu queria chegar. Essa é a função do esporte de alto rendimento. Promover seus ídolos para inspirar as novas gerações. Graças à natação eu consegui chegar em algum lugar. Então, é muito importante essa homenagem. Estou me sentindo muito honrado e privilegiado essa noite”, afirmou Ricardo Prado, que enalteceu o trabalho do COB. 

“Sou muito agradecido ao COB e à CBDA. O COB é a entidade esportiva mais significativa e profissional que eu conheço. Parabéns ao trabalho que o COB vem fazendo. Não é à toa que a cada Jogos Olímpicos o Brasil vem melhorando. Nossos atletas de alto rendimento são super bem estruturados, como nunca aconteceu. Bem diferente da minha época. Que bom que pude ver o esporte de alto rendimento tão profissional e atendendo bem os atletas.”, afirmou o medalhista olímpico.

 

Já Marcelo Ferreira começou a velejar na adolescência, no Iate Clube Brasileiro, em Niterói (RJ). Em 1988, iniciou uma parceria vitoriosa com Torben Grael na classe Star. Juntos, eles disputaram quatro edições dos Jogos Olímpicos, sendo a primeira em Barcelona 1992. Nas três seguintes a dupla conquistou dois ouros e um bronze. Após Atenas 2004, Marcelo se dedicou à vela oceânica e ao trabalho como empresário. 

“Só tenho a agradecer por essa noite maravilhosa. Ao COB por proporcionar esse momento único. Receber essa homenagem e me juntar a essa gama de atletas brasileiros, que fizeram a história do nosso país. Me sinto muito honrado e é um orgulho imenso estar participando desse evento. Agradecer imensamente ao Comitê Olímpico. Foi um prazer participar desse evento, muita honra”, discursou Marcelo Ferreira, que foi homenageado pela esposa Renata Ferreira e subiu ao palco ao som de Vivaldi.