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Tóquio 2020

A base de arroz e feijão, e uma estrutura exclusiva de primeira linha, Time Brasil inicia participação nos Jogos Olímpicos de Tóquio

A base de arroz e feijão, e uma estrutura exclusiva de primeira linha, Time Brasil inicia participação nos Jogos Olímpicos de Tóquio
Miriam Jeske/COB

Após uma longa espera e muitas incertezas, chegou a hora de o Time Brasil entrar em cena nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020. A partir desta sexta-feira, 23, quando será realizada a Cerimônia de Abertura no Estádio Olímpico de Tóquio, 302 atletas brasileiros concretizarão um sonho que foi ameaçado pela pandemia e acabou adiado por um ano. Como contraponto, uma reta final de preparação nas oito bases exclusivas do Time Brasil no Japão, que trouxeram qualidade de treinamento, repouso e alimentação adequada. Desta forma, representando a resistência de todo o país, a delegação nacional entra em ação no palco olímpico para mostrar evolução no ciclo mais desafiador da história.

Para o presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Paulo Wanderley Teixeira, a preparação da delegação brasileira neste ciclo olímpico foi o maior desafio da história do COB. “Foi um ciclo muito duro para todos, mas o COB foi incansável na busca de soluções para manter o sistema olímpico do Brasil em funcionamento e achar alternativas para a preparação da delegação brasileira, mesmo em um cenário marcado pela Covid”, disse o dirigente.

 “Chegamos a esse momento muito seguros de que fizemos uma boa preparação. Os atletas estão motivados, conscientes dos riscos da pandemia, mas confiantes para dar seu melhor. Entendemos que será uma competição extremamente forte, com muitas surpresas. Estamos prontos para representar bem o Brasil e buscar grandes resultados”, acrescentou o Chefe da Missão brasileira em Tóquio, Marco La Porta, vice-presidente do COB.

Com uma delegação recorde em uma edição de Jogos Olímpicos realizada no exterior, o Brasil tem o 12ª maior time entre os 206 países participantes. A equipe verde e amarela é composta por 162 homens (53,5%) e 140 mulheres (46,5%) que competirão em 35 modalidades (de 50 possíveis), e antes mesmo da Cerimônia de Abertura, entra em campo com o remo e o tiro com arco. 

No sábado, dia 24, o Brasil estreia em 11 modalidades e já terá em ação nomes como Alison e Ágatha, medalhistas olímpicos do vôlei de praia, Felipe Wu, do tiro esportivo, Hugo Calderano, do tênis de mesa, e Nathalie Moelhausen, da esgrima, além do vôlei masculino, ouro no Rio 2016. 

Antes disso, na Cerimônia de Abertura, Bruno Rezende (vôlei, campeão Olímpico em 2016) e Ketleyn Quadros (judô, primeira mulher medalhista individual do Brasil, bronze em Pequim 2008) terão a honra de levar a Bandeira Nacional.

A pandemia impôs uma série de desafios logísticos para a operação do COB no Japão, o que fez com que a entidade se mobilizasse com agilidade para garantir a manutenção da maior parte do planejamento e ajustar o que fosse preciso. Fundamentais na estratégia do COB para a adaptação ao fuso-horário e ao clima japonês, as oito bases de apoio espalhadas pelo país (Ota, Hamamatsu, Nagato, Enoshima, Sagamihara, Saitama, Tsurigasaki e Chuo) oferecem aos atletas locais de treinamento exclusivos, além de diversos serviços de alta performance, isolamento, segurança, privacidade e até alimentação brasileira. Muitas vezes, a simplicidade do arroz e feijão traz mais que o conforto da manutenção da rotina alimentar.


“Priorizamos a qualidade de instalação esportiva, de repouso e de alimentação. Entendemos que esses três pilares são essenciais para o êxito dessa fase final de preparação. E é o que temos visto no dia a dia. Os atletas estão conseguindo se adaptar à questão do fuso- horário e conseguindo render bem nos treinamentos, ao mesmo tempo e que ficamos isolados em nossas bolhas, com protocolos rígidos de enfrentamento à COVID-19.  E a alimentação é, sim, uma questão fundamental no nosso entender, porque ela permite trazer um conforto efetivo que vai além da condição fisiológica”, explicou Jorge Bichara, subchefe de missão e diretor de esportes do COB.

Entre os 31 medalhistas olímpicos da delegação brasileira, 18 são campeões: Arthur Zanetti, da ginástica artística; Thiago Braz, do atletismo; Rodrigo Pessoa, do hipismo saltos; Kahena Kunze, Martine Grael e Robert Scheidt, da vela; Bruninho, Douglas Souza, Fernanda Garay, Lucão, Lucarelli, Maurício Borges, Maurício Souza, Natália, Tandara e Wallace, do vôlei; e Alison e Bruno Schmidt, do vôlei de praia.

Os esportes que mais trouxeram medalhas para o Brasil na história dos Jogos são o judô (22), vela (18) e atletismo (16). No Japão, juntam-se a eles e aos outros esportes tradicionalmente representados no Time Brasil as novas modalidades do Programa Olímpico: surfe e skate.

Adiamento 

Assim que foi anunciado oficialmente o adiamento dos Jogos, em março de 2020, o Comitê Olímpico do Brasil elaborou uma série de ações para zelar pela integridade física e pela saúde de seus públicos diretos (atletas, treinadores e colaboradores), garantir a sustentabilidade do Movimento Olímpico nacional, bem como propiciar a melhor preparação e as melhores condições de classificação para atletas e modalidades.

Neste sentido, em parceria com as Confederações, a Missão Europa proporcionou a 238 atletas, de 24 modalidades, a retomada segura de seus treinamentos, entre julho e dezembro do ano passado. Em outra frente, o Centro de Treinamento Time Brasil, no Rio de Janeiro, virou um refúgio para os atletas, com protocolos de segurança bem rigorosos e todos os serviços de alta performance oferecidos pelo COB na preparação final para Tóquio.

Para realizar os Jogos Olímpicos, restrições e protocolos rígidos foram impostos. Por isso, o COB montou uma comissão médica, com a participação inédita de duas infectologistas, para acompanhar a delegação brasileira no Japão. A comissão conduz, em conjunto com a Chefia da Missão, as principais decisões do planejamento da operação mais complexa da história olímpica brasileira. Desde o embarque dos atletas no Brasil até a chegada no Japão, o COB colocou em prática todo planejamento estabelecido contra contágio de COVID-19. Os atletas brasileiros vêm sendo testados diariamente (também nas bases do Time Brasil) e seguem uma série de protocolos de segurança contra o vírus.

Mesmo com todo esse cenário e as incertezas trazidas pelo primeiro adiamento de uma edição de Jogos Olímpicos da história, o Time Brasil entra em ação nos em Tóquio pronto para mostrar evolução. “Nosso objetivo é que atletas e modalidades tenham seu melhor resultado possível e mostrem evolução em relação a conquistas anteriores. Temos uma diversidade de modalidades com potencial de medalha, o que é um indicador positivo de que, ao longo dos anos, o Brasil desenvolveu-se em muitas frentes. Isso demonstra que há um potencial muito grande no país para que modalidades, até então pouco conhecidas, possam ter relevância no cenário internacional”, afirmou Bichara. 


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Atletismo em Saitama. Foto: Wander Roberto/COB.
Sufe em Tsurigazaki. Foto: Julio Cesar Guimaraes.
Vôlei Feminino em Sagamihara. Foto: Jonne Roriz/COB
Natação Sagamihara. Foto: Alexandre Castelo Branco/COB.
Handebol masculino em Ota.Foto: Miriam Jeske/COB.
Canoagem de Velocidade em Myagasi. Foto: Jonne Roriz/ COB.
Judô em Hamamatsu. Foto: Gaspar Nóbrega/COB.
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