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Três gerações da família Azevedo fazem história no hipismo

Luiz Felipe de Azevedo, dono de dois bronzes olímpicos, voltou a competir na Europa ao lado dos filhos e do neto em uma inédita Copa das Nações

Por Comitê Olímpico do Brasil

9 de set, 2026 às 15:00 | 4 minutos de leitura

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Arquivo Pessoal

Há histórias de família que parecem esperar a hora certa de acontecer. E histórias do esporte reforçam laços familiares. A da família Azevedo é uma combinação dos dois casos. No dia 7 de junho de 2026, na Grécia, três gerações de cavaleiros da mesma família entraram juntas em uma pista para representar o Brasil em uma Copa das Nações. Nunca havia acontecido.

No centro de tudo, Luiz Felipe de Azevedo, o Felipinho. Aos 72 anos, ele voltou a competir no circuito europeu e reencontrou uma rotina que conhece bem. São mais de seis décadas sobre cavalos e uma carreira marcada por grandes conquistas — destacadamente duas medalhas olímpicas de bronze, em Atlanta 1996 e Sydney 2000.

Desta vez, porém, ele era um Azevedo a mais. Ao seu lado estavam os filhos Luiz Felipe de Azevedo Filho, de 51 anos, e Luiz Francisco de Azevedo, o Chiquinho, de 41. E também o neto, Luiz Felipe de Azevedo Neto, de 21. “Embora eu estivesse afastado das competições de alto nível há mais de dez anos, meu filho mais velho me ligou e questionou se eu estaria pronto para realizarmos nosso sonho juntos. Voltar a saltar na Europa é maravilhoso, às vésperas de completar 73 anos. Mas incrível mesmo é saltar com meus filhos e meu neto representando o Brasil em uma Copa das Nações, um fato inédito no esporte mundial”, contou Felipinho.

O Brasil terminou em quarto lugar entre dez equipes na Copa das Nações – Longines EEF Series Nations Cup, em Tessaloniki. Elizabeth de Azevedo, mulher de Felipinho e mãe e avó dos outros três cavaleiros, completou a cena como chefe de equipe. O resultado foi excelente, mas que aconteceu foi mais que isso. Era o testemunho de uma família inteira unida pelo esporte — e que ajudou a construir parte da história do hipismo brasileiro.

Felipinho começou a competir em 1962. Desde então, colecionou vitórias em Grandes Prêmios internacionais; foi campeão por equipes nos Jogos Pan-americanos Havana 1991, em Cuba; estabeleceu recordes em provas de potência e, principalmente, subiu duas vezes ao pódio olímpico. Mas ele quer mesmo é tratar da sua equipe.

"Foi um sonho que cultivamos durante toda a nossa trajetória dedicada ao hipismo. Como um esportista com duas medalhas olímpicas e recorde de altura, ver meus filhos competindo em campeonatos internacionais e classificatórios para as Olimpíadas, e meu neto de 20 anos já disputando provas de alto nível, despertou em mim um desejo latente", contou.

O filho Luiz Felipe Filho construiu boa parte da carreira na Europa. Vive na Bélgica desde 1999 e participou de 47 Copas das Nações pelo Brasil. Chiquinho também fez carreira entre diferentes países e circuitos. Foi campeão brasileiro e sul-americano nas categorias de base, venceu Grandes Prêmios importantes na América do Sul e teve resultados expressivos na Europa e nos Estados Unidos. Em 2021, os irmãos dividiram o 3º lugar na Copa das Nações de Roma.

No entanto, os dois se dividiram no começo dessa história. "Meu filho mais velho foi o grande entusiasta que acreditou no meu potencial desde o início. Mas meu filho Francisco — um cavaleiro excepcional — estava receoso. Ele temia que eu me expusesse desnecessariamente, considerando que minha história no esporte já estava consolidada", relembra.

Mas Felipinho mostrou que ainda pode competir em alto nível. "Na competição, saltei bem logo no primeiro dia, cometendo apenas uma falta, o que renovou nossas esperanças de subir ao pódio. Éramos dez equipes e, por uma pequena margem devido ao tempo, conquistamos a quarta colocação. Ainda assim, a experiência de competir ao lado dos meus filhos e do meu neto, sob a chefia de equipe da minha esposa, foi extraordinária", comemorou.

Por fim, Luiz Felipe Azevedo ainda esteve na sede do COB, onde foi recebido pelo presidente, Marco La Porta, e pelo diretor geral, Emanuel Rego, para contar de seu feito familiar. "Conheci alguns presidentes do Comitê Olímpico do Brasil. E o que eu mais me identifiquei, com quem eu realmente senti mais confiança, foi com o La Porta. Não é pra puxar o saco dele, não. E ainda tive a chance de ser recebido pelo Emanuel, que é ídolo. Estar com ele não foi só estar com o diretor do COB. Foi estar com um dos melhores atletas do mundo de todos os tempos. E agradeço também a todos os colaboradores do COB, que foram de um carinho comigo muito grande. A gente vai ficando mais velho e vai fica mais sensível. Mas digo que me senti de novo um atleta dentro do COB. Eu estou à disposição para qualquer coisa que o COB precisar", encerrou.

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