Time Brasil encerra Santa Fé com liderança continental e de olho em Lima 2027
Delegação fica em primeiro no quadro de medalhas dos Jogos Sul-americanos, conquista mais de 30 vagas para o Pan e chega ao pódio em cerca de 90% das modalidades que disputou

Alexandre Loureiro/COB
O Brasil encerra os Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026 na liderança do quadro de medalhas, com vantagem expressiva sobre os principais concorrentes e novamente acima das marcas de 100 medalhas de ouro e 300 no total - ao todo, foram 122 medalhas de ouro, 107 de prata e 83 de bronze, que somaram exatas 312. Mas a campanha do Time Brasil vai além dos números. Em Santa Fé, o país também avançou na classificação para os Jogos Pan-americanos Lima 2027, chegou ao pódio em cerca de 90% das 52 modalidades que disputou e reuniu atletas consagrados e jovens talentos em uma mesma Missão.
“Encerramos os Jogos Sul-americanos com o Brasil no primeiro lugar de forma consistente. E isso nos dá muito orgulho”, resume Yane Marques, Chefe de Missão do Time Brasil.
Yane Marques entre os Subchefes de Missão Joyce Ardies e Bruno Martins. Mariana Sá/COB
Para o presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Marco La Porta, Santa Fé representa o primeiro grande termômetro do ciclo que levará o Time Brasil aos Jogos Olímpicos Los Angeles 2028. “Os Jogos Sul-americanos são o primeiro termômetro nesse caminho para Los Angeles e tivemos excelentes resultados aqui. Boas surpresas, detecção de talentos, novos nomes aparecendo.”
Um dos objetivos centrais da Missão também foi cumprido. Em Santa Fé, 77 atletas brasileiros garantiram vagas para Lima 2027 em modalidades como águas abertas, atletismo, boliche, escalada, hipismo (as 3 modalidades), karatê, pelota basca, polo aquático, saltos ornamentais, tênis de mesa, tiro com arco, triatlo e vela.
“As mais de 300 medalhas e mais de 30 vagas conquistadas para o Pan 2027 mostram a força do nosso país”, afirma Yane.
Foto de Bruno Ruas/COB
Somadas às 178 classificações já garantidas antes dos Jogos em Lima, as vagas conquistadas em Santa Fé ampliam a presença brasileira nos Jogos Pan-americanos e dão sequência ao planejamento do ciclo. O resultado esportivo, portanto, já produz efeitos para a próxima grande Missão.
E a liderança brasileira veio acompanhada de uma distribuição ampla de resultados. A campanha não esteve concentrada em um grupo restrito de esportes. “Fizemos pódio em cerca de 90% das modalidades em que participamos. Mas essas medalhas não são apenas números. Elas são consequência”, destaca Yane Marques. “Consequência do talento de nossos atletas, é claro, mas também de um trabalho sério, realizado pelo COB, pelas Confederações, pelos clubes e por todo o Movimento Olímpico.”
Foto de Jonne Roriz/COB
Experiência e revelação se combinam
A diversidade também apareceu nas diferentes gerações que compuseram a delegação. Santa Fé colocou lado a lado atletas com carreiras consolidadas e jovens que tiveram ali uma de suas primeiras experiências em uma grande Missão multiesportiva.
Nas águas abertas, Ana Marcela Cunha, de 34 anos, e Matheus Melecchi, de 20, conquistaram o ouro. No skate, Duda Ribeiro, de 16 anos, e Gabi Mazetto, de 29, fizeram uma dobradinha brasileira. No remo, Jennifer Silva, de 20 anos, e Beatriz Tavares, de 31, também chegaram ao topo do pódio.
“Tenho certeza de que o cuidado que a gente teve com cada atleta aqui foi fundamental. E eles sentem que estamos fazendo tudo por ele. Eu posso falar com propriedade. Eu vivi isso”, comenta Yane Marques.
A experiência dos mais jovens veio acompanhada pela presença de atletas que já carregam resultados importantes no esporte mundial. Alison dos Santos, o Piu, e a equipe brasileira de ginástica rítmica, as Leoas, foram alguns dos exemplos de grandes referências que fizeram questão de estar em Santa Fé e ajudaram a dar à competição um significado que ultrapassou o resultado imediato. “Vimos medalhas inéditas em algumas modalidades, jovens atletas vivendo uma grande Missão pela primeira vez na vida e grandes referências do nosso esporte amando competir os jogos sul-americanos, como os gigantes Piu, do atletismo, e as Leoas, da ginástica rítmica”, relembra a Chefe de Missão.
Para Jorge Bichara, diretor de Esporte do COB, essa combinação entre experiência e juventude é um dos elementos que ajudam a dimensionar o desempenho brasileiro. “Em Santa Fé, o Brasil cumpriu seu papel com uma representação que reuniu atletas experientes, alguns deles entre os melhores do mundo, ao lado de atletas mais jovens, que estão buscando espaço e experiência na categoria adulta. Essa combinação é importante para o processo de renovação de diferentes esportes”, defende.
Qualquer comparação com outras edições, segundo Bichara, precisa ser feita com cuidado. Calendário internacional, período do ano, número de modalidades e provas e a representação de cada país alteram as condições de disputa. Por isso, a leitura da campanha se baseia no conjunto.
Foto de Rafael Bello/COB
E o desempenho geral foi elogiável. Natação e atletismo, por exemplo, responderam por cerca de 30% das medalhas brasileiras. A natação terminou com 29 títulos e 54 pódios, enquanto o atletismo conquistou 14 ouros e 38 medalhas no total. Nos esportes de combate, o Brasil também teve presença forte. Judô, boxe, esgrima, taekwondo, karatê e wrestling somaram 51 medalhas, sendo 23 de ouro.
A liderança foi construída, portanto, em diferentes frentes. E, segundo Bichara, com menos atletas que alguns concorrentes. “O Brasil segue na liderança continental mesmo com uma delegação menor que de outros países e alcançamos êxito também na busca por mais vagas para os jogos Pan-americanos Lima 2027”, comemora.
A presença de grandes nomes também teve um papel que não aparece no quadro de medalhas. Para os atletas mais jovens, dividir a missão com referências do esporte brasileiro significa conviver com exemplos de alto rendimento e acompanhar de perto profissionais que já conhecem os principais palcos internacionais.
“A presença de atletas de referência também mostra a relevância que o COB dá a todos os momentos e oportunidades em que o esporte olímpico brasileiro está representado. Para os mais jovens, ter esses atletas ao lado também significa uma oportunidade de aprendizado e inspiração, a partir de exemplos de comprometimento, respeito, excelência e amor pelo esporte brasileiro”, acredita Bichara.
Foto de Gaspar Nóbrega/COB
Logística desafiadora
Tudo isso aconteceu dentro de uma operação que também exigiu bastante da estrutura do COB. Com a delegação espalhada por diferentes bases e cidades, a Missão teve de lidar com deslocamentos e contratempos logísticos desde os primeiros dias. O presidente Marco La Porta reconhece que o início foi particularmente desafiador, mas destaca a capacidade de resposta da equipe do Comitê. “Reagimos muito bem a cada dificuldade. Nossa equipe, como sempre, não nos decepciona”, destaca.
Esta capacidade de revisão e pronta resposta é uma das chaves para o desempenho de sucesso. Para La Porta, isso faz parte de um processo maior de evolução da entrega do COB aos atletas ao longo do ciclo. A experiência adquirida agora será levada para Lima e, posteriormente, para os Jogos Olímpicos de Los Angeles. “Estamos bem no meio do ciclo olímpico, os Jogos Sul-americanos se caracterizam por isso. Com esses bons resultados que tivemos aqui em Santa Fé, entendemos que estamos num caminho bom para Los Angeles”, garante.
Assim, o Time Brasil se despede de Santa Fé 2026 comemorando bem mais que a liderança continental. O Brasil cumpriu um dos objetivos centrais da Missão ao ampliar sua presença em Lima 2027, mostrou capacidade de chegar ao pódio em praticamente todo o programa em que competiu e reuniu, na mesma delegação, atletas que já são referências internacionais e jovens que começam a construir suas próprias histórias, num processo que deixa alicerces para o alto rendimento nos médio e longo prazos.
Para a Chefe de Missão Yane Marques, é justamente aí que os números deixam de ser apenas números. “O Brasil venceu. Mas venceu porque trabalhou sério.”









