Vinícius Teixeira se despede da Seleção Brasileira com bronze em Santa Fé 2026
Aos 38 anos, pivô encerra ciclo de 16 anos com a camisa do Brasil, celebra medalha ao lado da nova geração e será porta-bandeira do Time Brasil na cerimônia de encerramento
Foto: Alexandre Loureiro/COB. IG:alexandreloureiroimagens
A medalha de bronze conquistada pelo Brasil no handebol masculino nos Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026 ganhou um significado especial para Vinícius Teixeira. Aos 38 anos, o pivô encerra seu ciclo com a Seleção Brasileira com um lugar no pódio, ao lado de uma nova geração do handebol nacional. Depois de anos defendendo o país nas principais competições internacionais, Santa Fé marcou seu último campeonato com a camisa verde e amarela.
“É um grupo jovem, de meninos promissores, que se juntou com a minha experiência”, destacou Vinícius, que valorizou a trajetória da equipe ao longo da competição. Apesar do desejo pelo ouro, o atleta celebrou a conquista da medalha e a oportunidade de contribuir, em seus últimos momentos pela Seleção, com jogadores que começam a construir suas próprias histórias no handebol brasileiro.
Santa Fé também representou uma oportunidade para uma nova geração ganhar experiência com a camisa da Seleção Brasileira. Para Vinícius, que acompanhou de perto a transformação da modalidade ao longo de sua carreira, o crescimento do handebol exige cada vez mais dedicação dentro e fora da quadra.
“O handebol vai evoluindo cada vez mais. Antigamente, a gente vinha jogar e eram placares elásticos, mas hoje todo mundo assiste, todo mundo estuda. O nível está cada vez mais igual”, analisou.
A recomendação para os mais jovens é direta: estudar, trabalhar e, principalmente, cuidar da preparação física. “Hoje, o diferencial em qualquer modalidade no esporte é o físico. Então que estudem, trabalhem e treinem”, afirmou.
O “tiozão” da Seleção
Em um grupo com jogadores de apenas 19 anos, Vinícius naturalmente assumiu uma posição de referência. A diferença de idade, porém, não impediu que o veterano se sentisse parte da turma.
“O esporte deixa a gente jovem. Parece que eu tenho 19 anos também”, brincou. A realidade, no entanto, aparece depois dos jogos. “Só depois que o jogo acaba é que eu lembro que tenho 38, quando as dores começam a aparecer e o corpo já não é mais o mesmo.”
Mais do que a experiência dentro de quadra, Vinícius buscou transmitir tranquilidade aos companheiros nos momentos difíceis. Em seu último campeonato pela Seleção, o pivô assumiu também o papel de orientar uma geração que começa a trilhar o caminho que ele percorreu durante tantos anos.
“Temos aquela relação de ‘tiozão’ do grupo, de passar tranquilidade nos momentos difíceis. Foi um campeonato muito duro para a gente. Eu tentava não deixar eles desacreditarem e fazia com que lutassem a cada momento para fazer sempre o seu melhor. O jogo dura 60 minutos, então você tem que jogar durante toda a partida.”
Um ciclo marcado pelos Jogos Olímpicos
Ao olhar para a trajetória com a Seleção Brasileira, Vinícius aponta os Jogos Olímpicos como o momento mais marcante. O pivô esteve em duas edições: Rio 2016 e Tóquio 2020.
“Todo atleta sonha com isso”, destacou.
Antes disso, porém, houve outro capítulo especial: a conquista da vaga olímpica em Toronto, em 2015. “Acho que o maior momento de vitória mesmo foi Toronto 2015, quando a gente conquistou a vaga”, lembrou.
Foram anos de viagens, competições, vitórias, derrotas e momentos históricos com a camisa do Brasil. Agora, aos 38 anos, Vinícius confirma que Santa Fé representa o encerramento de seu ciclo na Seleção Brasileira.
A despedida, porém, não significa o fim da relação com o handebol. O pivô ainda pretende seguir atuando pelo Clube Português do Recife por mais algum tempo antes de encerrar a carreira como atleta.
“Não sei quanto tempo eu aguento, mas mais um ou dois anos, no máximo, para estar encerrando a carreira mesmo”, contou.
De atleta a formador
Se o capítulo com a Seleção chegou ao fim, Vinícius já pensa no legado que pretende construir fora das quadras. O caminho, porém, não necessariamente será o de treinador. Em Olinda, ele mantém o Instituto Vinícius Teixeira, projeto que pretende utilizar para devolver ao esporte parte do que recebeu ao longo da própria trajetória.
“Quero ajudar a devolver aquilo que o handebol me deu. Que saiam outros Vinícius, que saia outra galera do handebol. Espero contribuir de alguma forma.”
A ideia representa uma nova etapa para o atleta: depois de tantos anos aprendendo, competindo e representando o Brasil, passar adiante o conhecimento adquirido ao longo da carreira.
A última bandeira
E o último capítulo de Vinícius Teixeira com a Seleção Brasileira terá uma imagem à altura da trajetória construída ao longo dos anos. O pivô foi escolhido para ser um dos porta-bandeiras do Time Brasil na cerimônia de encerramento dos Jogos Sul-Americanos Santa Fé 2026.
Depois de tantas vezes entrar em quadra vestindo a camisa do Brasil, Vinícius terá a missão de encerrar sua participação nos Jogos carregando a bandeira do país.
“É algo muito gratificante. É um reconhecimento que eu vou levar para o resto da minha vida”, afirmou.
Aos 38 anos, Vinícius deixa a Seleção com uma medalha no peito e uma nova geração ao seu lado. O bronze em Santa Fé marca o fim de um ciclo de 16 anos, mas também abre espaço para o legado que ele pretende construir daqui para frente — dentro e, cada vez mais, fora das quadras.









