Transcrição completa da Coletiva de Imprensa do Lucas Pinheiro Braathen
Esquiador deu entrevista coletiva na Casa Brasil, em Milão, neste sábado, 07

Foto: Jonne Roriz/COB
O esquiador brasileiro Lucas Pinheiro Braathen deu entrevista coletiva na manhã deste sábado, 07, na Casa Brasil, em Milão, um dia após a Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos Milão-Cortina 2026.
Abaixo, a transcrição completa do material:
Introdução e Cerimônia de Abertura em Milão
Bem-vindos aos Jogos Olímpicos. É bastante incrível estar aqui. E ainda me sinto surreal. E foi uma honra abrir os Jogos ontem, carregar a bandeira brasileira no estádio de San Siro.
Os Jogos Olímpicos podem durar algumas semanas, mas, para nós atletas, são uma jornada de vida que estamos compartilhando com vocês. E algo muito especial aconteceu ontem, quando eu estive com a Bruna (Moura) com quem eu compartilhei a Cerimônia de Abertura. Bruna é uma atleta do esqui cross country e se qualificou para os seus primeiros Jogos Olímpicos em Beijing 2022, em que eu também participei.
Bruna sofreu um acidente no caminho para os Jogos Olímpicos, literalmente no carro, o que não a permitiu participar dos seus primeiros Jogos Olímpicos. Conhecendo Bruna e sua história, e compartilhando essa Cerimônia de Abertura com ela ontem, e também compartilhando a bandeira com ela, é o que tudo isso representa, pelo menos para mim. Os Jogos Olímpicos se centram nas performances dos atletas em suas disciplinas, mas para mim são as histórias de vida que ficam além disso, que podem realmente inspirar e trazer uma diferença significativa para as sociedades em todo o mundo. Então é uma honra ser parte disso. É uma honra representar o Brasil. Vamos embarcar no sonho olímpico.
E, para o Brasil, Oi! Um abraço daqui de Milão. Foi uma honra imensa abrir os Jogos Olímpicos ontem no estádio San Siro carregando nossas cores, nossa bandeira. E compartilhando essa jornada, essa experiência, com o povo brasileiro assistindo daí de casa, isso é o maior sonho da minha vida. Eu sou muito grato por todo mundo torcendo por mim, torcendo por Brasil, por estar acompanhando nossa jornada. Eu vou fazer tudo para trazer essa medalha para a nossa casa. Gratidão.
Detalhes da pista de Bormio
A pista em Bormio é uma pista que é desenhada para as categorias e disciplinas de Downhill e Super G, principalmente. Agora, estão trazendo as categorias técnicas.
Eu acho que a arte dessa pista é a velocidade que você precisa criar mesmo. É uma pista que você precisa criar a força, velocidade, frequência, sozinho. Então, eu acho que, como brasileiro, que estou bem rápido, eu acho que é perfeito.
Apresentação na Cerimônia de Abertura e empolgação dos italianos
O Brasil é um país que é uma mistura de várias culturas. E eu acho que todos os cantos desse mundo eles sentem que os brasileiros, eles estão em casa fora de casa. Eles trazem a ginga para todos os cantos. Então, eu acho que quando o Brasil entra nesse estádio, mesmo que você não é brasileiro, você está torcendo um pouquinho para a gente.
Sentimento de missão cumprida em inspirar pessoas
Eu me sinto muito contente.Eu lutei por essa liberdade. Eu lutei pelos meus sonhos. E eu estou vivendo isso atualmente. Isso é uma sensação indescritível. E eu acho que ontem foi muito uma representação disso. Ser capaz de trazer essas cores, trazer essa bandeira para um lugar onde eles nem sempre poderiam pertencer e colocá-los no mapa é algo que me faz muito orgulhoso. E conseguir fazer isso, do jeito que eu sou, é algo muito gratificante.
Mudança para defender o Brasil
Foi uma transição gigantesca. E, nossa, me deixa meio emocionado. Olhando para trás, para essa jornada até chegar aqui hoje em Milão, vestindo nossas cores. Realmente acho que, eu tenho essa sensação de que é meu segundo capítulo na vida.Que essa parte da minha vida é uma parte da minha vida com liberdade de ser quem eu sou, representar meus valores, meus sonhos verdadeiros. Não os sonhos de outros. Não os sonhos da mídia, da indústria, da minha equipe. Meus sonhos que eram importantes para mim mesmo. Eu sou tão grato que eu tenho uma equipe me acompanhando, me ajudando todo dia para tentar realizar esses sonhos. Então, é muito grande para mim. Muito.
Para além do esportivo, o que quer levar da experiência dos Jogos
Para mim, eu quero trazer...Eu quero sair desses jogos como uma fonte de inspiração. Para o público que liga para o esporte, e para quem nem está nem aí para o esporte. Para mim, não importa. Eu acho que isso é a lindeza desse momento dos Jogos Olímpicos. É um palco universal. É um palco que todo mundo assiste. Mesmo aqueles que não ligam para o esporte. Então, para mim, eu acho que é a plataforma maior que eu tenho para me expressar e para trazer uma mensagem que é algo mais do que esportes mesmo.
E, para mim, eu só quero que o povo aí em casa, assistindo, olhando nossas cores nos Jogos Olímpicos de Inverno, realmente entenda que tudo é possível. Não importa de onde você seja, suas roupas, seu sotaque. O que importa é o que há por dentro. E tudo o que acontece para fora, simplesmente, só é o resultado disso.
Como vem lidando com as expectativas por medalha/pressão
Honestamente, a pressão é grandona. Eu represento mais de 200 milhões brasileiros. Eu sou o atleta que tem essa chance, oportunidade de trazer a medalha. E isso é uma responsabilidade que eu carrego todo dia, até o dia da competição mesmo. Agora, essa pressão é um privilégio. É um estado de pressão que você pode realizar o seu potencial mais alto. É nesse estado que você pode brilhar. Então, para mim, eu abraço essa pressão. Eu tento canalizar toda a energia de alta frequência para a minha performance.
O encontro com a liberdade representando o Brasil
Para mim, o esporte é uma forma de arte. Para mim, ele é uma arte de performance. E, se você pergunta para qualquer artista o que é coisa mais importante, ele vai dizer que é ser autêntico, ser quem é. Se você não é você mesmo não dá para o povo aqui te sentir, confiar em sua mensagem. Então, para mim, trazer a mensagem, expressar o que é meu propósito verdadeiro, eu precisava dessa liberdade. Eu sinto, em cada competição que eu trago essa liberdade que aumenta a minha performance e, ultimamente, o orgulho e a alegria que esse esporte me traz. E eu sou tão grato por essa realidade, porque não é todo mundo competindo aqui que sente isso. Isso é a verdade.
Expectativas para os Jogos, sentimento de estar em Milão-Cortina e detalhes da preparação para Milão-Cortina 2026
Como eu disse na introdução, é, obviamente, para qualquer olímpico, uma honra incrível apenas participar. E ser capaz de trazer a nossa cultura, a nossa bandeira, as nossas cores, e a minha história para estes Jogos...Para mim, quase parece que são meus primeiros Jogos Olímpicos. Eu estou lidando com muita pressão, estou representando muito mais pessoas do que na última vez (nos Jogos).
E, confie em mim quando eu digo que isso foi parte das minhas preparações. E eu estou trabalhando todos os dias para canalizar toda essa energia, toda essa pressão, todos os aspectos, incríveis e bem difíceis, para a minha performance. E, no final do dia, como atleta, o meu objetivo principal é focar no que eu posso fazer sobre isso, e deixar tudo o que eu não posso fazer fora da equação. Então, eu estou simplesmente tentando canalizar e reunir todos os aspectos de alta frequência desta jornada de montanha-russa para as duas maiores corridas da minha vida.
Venho me preparando na Áustria. Estou voltando para a Áustria hoje para continuar a minha preparação, vou deixar esta bolha por um pouco e depois eu vou reentrar em Bormio um pouco mais perto das provas. Então, eu vou chegar à Áustria mais tarde hoje para continuar as preparações lá e depois voltar um pouco mais perto dos dias das provas em Bormio.
Desafios da pista em Bormio
Honestamente, não é uma pista muito conhecida para os atletas que estão competindo nas categorias técnicas, porque principalmente é uma pista para as categorias Downhill e Super G. Então é uma coisa meio nova para todo mundo competindo nas categorias técnicas.
Mas é uma pista um pouco mais fácil do que a gente está competindo na Copa do Mundo. Mas é nas pistas um pouco mais fáceis que é ainda mais difícil esquiar rápido. Então a gente sempre fala que isso é uma arte dentro do nosso esporte, conseguir achar essa velocidade nas pistas que não são tão difíceis como a Copa do Mundo.
Então, eu vou eu vou abraçar essa pista com todo o amor que eu tenho por velocidade, por energia e eu vou trazer isso para a minha performance. Eu conheço essa pista. Fiz muito a minha preparação anos atrás no glaciar acima de Bormio, que se chama Passo Stelvio. Então eu fui nessa região bastante. Mas a gente não estava esquiando muito na pista olímpica mesmo, como ela principalmente é uma pista para as outras duas categorias.
Como vem lidando com a possibilidade da primeira medalha da história em Jogos Olímpicos de Inverno para o Brasil
Eu seria um mentiroso se eu dissesse que é fácil, com certeza. É tudo menos fácil. E essa é a verdadeira beleza disso. A pressão que eu trago para estes Jogos é algo que eu tento abraçar com gratidão, porque se eu não lidasse com essa pressão, eu não poderia demonstrar algo diferente. No fim do dia, se eu não estivesse aqui para fazer a diferença, por que estaria aqui, então?
Ao invés de ter essa relação com a pressão como algo que poderia me incomodar, algo negativo com o qual tenho de lidar, o meu objetivo é utilizá-la como minha vantagem. E ver o quão longe ela pode me levar.
Como utiliza o melhor das duas culturas com as quais cresceu – brasileira e norueguesa
Fazendo muito coisas erradas todo dia. Todo dia explorando novos jeitos, novas estratégias, novos caminhos e crescendo por causa de todos os erros que eu faço. E isso é a história do atleta.
Não importa quanto sucesso você tenha na sua carreira, se você é um campeão, se você é um campeão olímpico. No fim das contas, você vai perder muito mais do que você vai ganhar. Todo mundo.
O nosso objetivo é achar e conectar com um propósito tão maior...que você acorda todo dia, mesmo que se você ganhou ou se você perdeu, e continuar a seguir sua intuição. Então, é assim mesmo.
Impacto nos esportes de inverno no Brasil
Essa oportunidade me traz um orgulho, mesmo que traga pressão. Essa conversa entre os dois, o que para mim é a arte do esporte, essas histórias, que têm uma oportunidade de trazer uma mudança...o que eu acho muito especial dessa história é já participar com nossas cores. Do jeito que a gente está chegando aqui em Milão já é uma vitória para o Brasil. Agora, minha missão é focar nas competições e explorar como a gente pode conquistar. O tamanho da diferença que a gente pode trazer. A gente já trouxe a diferença, agora vamos ver o que a gente pode realmente fazer aqui.
A torcida brasileira
É uma sensação de uma vibração que não existe em outros países. Papo reto. É uma vibração numa frequência tão alta que eu senti desde a minha primeira competição na Copa do Mundo representando o Brasil. Então, trazer essa sensação para os Jogos Olímpicos, que são o palco maior que existe para um atleta, é um privilégio grandão. É uma coisa que vou trazer comigo que outras pessoas não têm. Muito obrigado ao Brasil.












