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Milão-Cortina

Opinião: A (difícil) arte de ser torcedor nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026

Entre a expectativa por uma medalha inédita e a consciência de evitar mais pressão nos atletas, o torcedor brasileiro pode aproveitar a beleza e a graça dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026

Por Comitê Olímpico do Brasil

7 de fev, 2026 às 07:15 | 4 min de leitura

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Aros olímpicos na Cerimônia de Abertura de Milão-Cortina 2026. Foto: Gabriel Heusi/COB

*Por Gustavo Longo, especialista em Jogos Olímpicos de Inverno

 

Começou oficialmente a disputa dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026! As piras Olímpicas em Milão e Cortina d’Ampezzo, acesas na última sexta-feira, 06, nas duas cidades protagonistas do evento, nos lembram de que os próximos 16 dias serão especiais. Os valores de amizade, respeito e excelência estarão no ar enquanto os principais atletas de inverno do mundo desafiam seus próprios limites. Entre eles, 14 brasileiros em busca de feitos históricos.

 

Em sua décima participação Olímpica de inverno, o Time Brasil tem, de fato, possibilidades reais (no plural) de alcançar o melhor resultado de sua trajetória na neve e no gelo – no momento, tal marca é a nona posição de Isabel Clark no snowboard cross em Turim 2006. Mais do que isso, é possível até mesmo sonhar com medalhas em alguns casos. Tal situação é uma novidade para os torcedores brasileiros – e representa um desafio e tanto.

 

Até o último ciclo Olímpico de inverno, não havia uma expectativa real de que o Brasil pudesse brigar pelas primeiras posições. Os fãs que acompanhavam poderiam se ver livres da ansiedade pelo resultado e comemorar outras vitórias. Quem não vibrou, por exemplo, com o top 20 do bobsled em Beijing 2022 ou a Isadora Williams avançar ao programa longo na patinação artística em PyeongChang 2018?

 

Agora, porém, olhamos bem mais para cima em muitas modalidades. Nicole Silveira foi quarta colocada no Mundial de Skeleton. Pat Burgener é top 8 no ranking do snowboard halfpipe e presença constante em finais. Lucas Pinheiro Braathen vem numa sequência de nove provas consecutivas entre os cinco melhores. É natural, portanto, alimentar sonhos e expectativas em torno de desempenhos assim.

 

Porém, o esporte é fascinante por ser imprevisível. Para cada argumento positivo a favor das estrelas brasileiras, há elementos que colocam nossos pés no chão novamente. As provas técnicas de Lucas no esqui alpino são arriscadas – um escorregão já representa a eliminação. Nicole oscilou no início desta temporada. Pat Burgener não atingiu a mesma pontuação dos demais favoritos em sua prova.

 

Ser torcedor é conviver com um ‘anjinho’ e um ‘diabinho’ em cada um de nossos ouvidos. Enquanto um fala as coisas que queremos ouvir, o outro rebate com aquilo que não queremos acreditar. É neste balanço que nós teremos que nos equilibrar nos próximos dias enquanto nossos atletas competem nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026. Controlar essa ansiedade não é fácil, ainda mais para torcedores fanáticos como nós, mas ajuda a tirar a pressão de nossos atletas e evita possíveis frustrações quando o resultado imaginado não vem – na maioria das vezes, provocado apenas pela nossa própria expectativa irreal.

 

Assim, poderemos vibrar e torcer pelo Time Brasil na neve e no gelo sabendo reconhecer todos os nossos avanços – e pronto para soltar o grito quando o resultado histórico acontecer.

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