Aos 16 anos, Duda Ribeiro é ouro e divide primeira experiência sul-americana com sua inspiração Gabi Mazetto
Jovem skatista de Maricá sobe ao pódio ao lado de atleta olímpica nos Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026. No masculino, Wallace Gabriel é prata

Foto: Bruno Ruas /COB.
Aos 16 anos, Maria Eduarda Ribeiro, a Duda, vive em Santa Fé um capítulo especial da trajetória que começou ainda na infância, em Maricá, no Rio de Janeiro. Neste sábado (19), a jovem skatista fez sua estreia em Jogos Sul-americanos, liderando a disputa do street feminino do início ao fim para terminar com a medalha de ouro. O Brasil garantiu presença em dobro no pódio, já que Gabriela Mazetto terminou com o bronze.
Destaque da classificatória, quando terminou na liderança, com 40,21, Duda Ribeiro iniciou a final de forma muito superior às suas rivais. Na primeira das duas voltas permitidas, recebeu dos juízes a nota de 38,24, única atleta a passar dos trinta pontos. Em seguida, acertou suas duas primeiras manobras, recebendo 29,88 e 35,14, assumindo a liderança com uma boa vantagem diante de Gabriela Mazetto e da colombiana Jazmin Alvarez, que brigavam pela prata. Na quarta tentativa, ainda melhorou sua nota, marcando 33,52 e somando 106,90.
Com duas ótimas tentativas finais, Jazmin Alvarez chegou aos 96,70, ultrapassando Gabi Mazetto, que terminou com 94,98, ficando com a medalha de bronze. Já com o ouro garantido, Duda Ribeiro não encaixou sua última manobra, mas não importava: recebeu o abraço apertado de Mazetto ainda na pista para comemorar seu título nos Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026.

“Eu gosto muito de competir com a Gabi, ela é uma inspiração para mim. E estou muito feliz de dividir o pódio com ela”, disse Duda.
Em seguida, na disputa masculina, nova medalha para o Brasil. Wallace Gabriel ficou com a medalha de prata, com 248,93, atrás apenas do peruano Angelo Caro, que somou 260,01. A nota do brasileiro foi composta por um 74 alcançado na primeira volta, 84,93 na primeira manobra e 90 na terceira. O argentino Mauro Iglesias completou o pódio, com 248,68. Matheus Mendes terminou em quinto lugar, com 207,81.
Do primeiro contato à Seleção Brasileira
Duda começou a andar de skate por volta dos 10 anos. Em 2021, passou a treinar de forma mais estruturada, depois de conhecer o esporte em Maricá. A pandemia interrompeu temporariamente o processo, mas ela voltou às pistas pouco depois e não demorou a transformar a brincadeira em caminho esportivo.
A atleta iniciou sua trajetória no projeto Maricá Esporte Presente e, posteriormente, passou a integrar o Maricá Cidade Olímpica, voltado ao desenvolvimento de atletas de alto rendimento. Os resultados começaram a aparecer nas principais competições nacionais e internacionais.
Em 2025, ainda com 15 anos, Duda conquistou o título do STU National em Curitiba, com 78,55 pontos — a maior nota daquela edição —, além de ter sido vice-campeã em Criciúma, semifinalista da Copa do Mundo em Roma e terceira colocada no SLS Takeover de Brasília.

Agora, aos 16 anos — completados em 24 de julho —, ela vive uma nova experiência com a camisa do Brasil. A presença nos Jogos Sul-Americanos faz parte de uma trajetória que, apesar de ainda curta em idade, já inclui competições de alto nível e a convivência com algumas das principais skatistas do país.
“Eu estou gostando muito. Tem muitas pessoas de lugares diferentes, e isso tem sido muito legal”, contou, sobre a experiência de conviver com atletas de diferentes países durante os Jogos.
Uma inspiração dentro e fora da pista
A competição teve um significado ainda maior para Duda porque aconteceu ao lado de uma das atletas que ela considera inspiração. Aos 28 anos, Gabi Mazetto tem no currículo a participação nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 e dois títulos sul-americanos, conquistados em Assunção 2022 e Jogos de Praia de Santa Marta 2023. Em Santa Fé, as duas brasileiras não dividem apenas a equipe: também estão hospedadas no mesmo quarto.

Se Duda está vivendo a experiência de dividir uma competição internacional com uma atleta que admira, Gabi também enxerga significado nessa convivência.
“A Duda é bem tímida, mas eu também era na idade dela. Estou gostando de compartilhar esses dias com ela. Ela está chegando ainda no mundo das missões, mas está sendo bem legal. Ela é uma garota muito boa, de bom coração”, contou Gabi, que acompanha de perto os primeiros passos da jovem em uma competição multiesportiva.
Mais do que dividir experiências, a jovem encontra na companheira de Seleção uma referência. A relação entre as duas já existia antes de Santa Fé. Duda conta que já competiu com Gabi algumas vezes, já Gabi lembra do primeiro encontro das duas em Santos, São Paulo.
“Uma vez ela foi lá em Santos e me chamou pra eu ver uma manobra que ela tava dando. Ela ficou toda envergonhada, mas a manobra saiu e eu falei que tinha sido da hora. Eu acho muito especial ser uma inspiração não só pra ela mas também para outras garotas”, conta.
Para Gabi, a admiração também cria uma oportunidade de oferecer à nova geração algo que ela própria gostaria de ter vivido.
“Eu não tive muito convívio com as meninas mais velhas. (…) Se eu tivesse convivido mais com elas, seria muito mais da hora a experiência”, explicou a atleta, que acredita que o tempo também a ajudou a superar a própria timidez.










