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Mecânico, nascido no fim do mundo, amante de motos e tatuagens: conheça Augustinho Teixeira, atleta do Brasil no snowboard em Milão-Cortina 2026

Atleta chegou à Vila Olímpica de Livigno, participou da Cerimônia de Abertura e faz treino oficial neste domingo, 08

Por Comitê Olímpico do Brasil

7 de fev, 2026 às 15:00 | 4 min de leitura

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Augustinho Teixeira é um dos representantes do Brasil no snowboard halfpipe. Foto: Rafael Bello/COB

Livigno, na Itália, com suas montanhas cobertas de neve, parece um cenário improvável para um atleta brasileiro, nascido na Argentina e que mora e treina no Canadá atualmente. Mas é justamente essa complexa conexão de fatores que compõe a história de Augustinho Teixeira, representante do Brasil no snowboard halfpipe, junto com Pat Burgener, nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026. Mecânico de formação, apaixonado por motos e tatuagens, Augustinho construiu sua trajetória com persistência, quedas, recomeços e muita coragem.

 

“Foi bastante complicado. Tiveram algumas quedas, muitos momentos de emoção e bastante tensão”, relembra. Em um circuito no qual cada etapa pode mudar completamente o rumo da temporada, Augustinho precisou aprender a se adaptar o tempo todo — novas manobras, estratégias diferentes e decisões calculadas. “No meio de tudo isso, consegui esfriar a cabeça e focar no treino e na confiança, que é algo muito forte nesse processo. Começamos com o pé esquerdo, mas terminamos com o pé direito”, resume, aliviado pelo desfecho positivo e consequente classificação olímpica depois de permanecer entre os 30 melhores snowboarders do Circuito Mundial.

 

Mais do que ajustes técnicos, o processo exigiu um trabalho profundo fora da prancha: a construção da autoconfiança. “Tive uma etapa muito ruim, não consegui treinar minhas manobras como precisava, e isso derrubou muito minha autoconfiança. Quando chega a competição e você sabe que não treinou o suficiente, a cabeça pesa. Mesmo assim, é preciso acreditar que você pode dar o melhor de si. No fim das contas, é uma batalha mental. Tudo está na cabeça”, resume.

 

A virada começou quando alguém muito próximo, sua mãe Elenilda, percebeu o que ele ainda não enxergava com clareza. Durante o Mundial Júnior, após uma etapa difícil, ela notou como a falta de treinos afetava diretamente sua confiança. A partir dali, Augustinho passou a encarar o aspecto mental com a mesma seriedade que encarou seu curso técnico de mecânica automotiva.

 

“Fiz um curso técnico de dois anos de mecânica automotiva porque gosto muito de carro, de moto e assisto muito Moto GP. Eu gosto do Marc Marquez e do Diogo Moreira também, que agora entrou na categoria. Torço muito por eles. Imagine um motor de um carro: tem tantas coisas que tem que estar milimetricamente corretas para tudo dar certo. É uma coisa que se assemelha com minha carreira, minha vida. Para chegar até aqui, não é só um esforço meu, mas de todo um time, toda uma engrenagem funcionando”, comenta o atleta de 20 anos, nascido em Ushuaia, na Argentina, conhecida como a terra do “fim do mundo”.

 

Com a vaga garantida, veio o momento de viver o sonho olímpico em sua forma mais concreta. A chegada à Vila Olímpica de Livigno trouxe sentimentos difíceis de traduzir. “Para mim, a ficha ainda não tinha caído”, confessa. Ela só caiu de verdade durante o desfile da Cerimônia de Abertura, quando a dimensão do que estava vivendo ficou clara. “Eu pensei: ‘Eu estou representando o Brasil’. É uma honra enorme e também um alívio, porque mostra que todo o esforço valeu a pena. Não só o meu, mas o da minha família também”, pontua.

 

Os primeiros dias com a delegação brasileira foram intensos. A recepção calorosa, a presença da torcida e o apoio que se multiplicou nas redes sociais surpreenderam Augustinho. “Eu não esperava aquilo tudo, Tinha muita gente, muita torcida. Depois, nas redes sociais, também vi muita gente demonstrando apoio. Foi algo muito especial”, diz.

 

Agora, com o primeiro treino oficial marcado para este domingo, 08, o foco está totalmente na competição. Sem promessas grandiosas, mas com os pés — e a prancha — bem firmes no chão. “Quero fazer o melhor de mim, acertar minhas manobras e entregar a melhor performance possível. Meu foco é esse: repetir o que eu sei fazer, manter a concentração e dar o meu melhor”, afirma.

 

Representar o Brasil nos esportes de neve tem um peso especial. Para muitos brasileiros, os Jogos Olímpicos de Inverno são o primeiro contato com modalidades como o snowboard. E Augustinho sabe disso. Para ele, sua história pode ir além do esporte. “Eu acho que traz fé e coragem. As pessoas podem olhar e pensar: ‘Esse cara conseguiu’”, reflete. Um brasileiro, vindo de um país quente, competindo entre montanhas geladas. “Isso mostra que é possível. Dá coragem não só para atletas, mas para qualquer pessoa seguir o que realmente tem no coração”, endossa.

 

Outra mensagem para quem o acompanha está estampada na perna. Amante de tatuagens, além de uma arara e de um croissant, Augustinho também tem um crucifixo. “É uma dica para mim: nunca desistir”.

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