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Formiga: de pioneira em Atlanta 1996 à líder de uma geração na Rio 2016

Jogadora esteve na estreia olímpica do futebol feminino e, 20 anos depois, viu estádios lotados nos Jogos Olímpicos no Brasil

Por Comitê Olímpico do Brasil

7 de ago, 2026 às 10:30 | 2min de leitura

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Foto: Getty Images

Quando entrou em campo nos Jogos Olímpicos Atlanta 1996, Formiga era uma jovem de apenas 18 anos que ainda começava a entender a dimensão do maior evento esportivo do mundo. Vinte anos depois, na Rio 2016, ela já era uma das referências da Seleção Brasileira, líder de uma geração que ajudou a levar multidões aos estádios e consolidar o futebol feminino no país.

 

Única atleta de futebol da história a disputar sete edições dos Jogos Olímpicos, Formiga se tornou também um símbolo da evolução da modalidade. Sua trajetória conecta dois momentos marcantes da história olímpica brasileira: a estreia do futebol feminino no programa olímpico, em Atlanta 1996, e a realização dos Jogos em casa, na Rio 2016.

 

"Para mim era tudo novo. Nem tinha muita ideia do que seria uma Olimpíada. Pelo histórico do futebol feminino, que não tinha a visibilidade que existe hoje, fui como se estivesse indo jogar os meus ‘babas’ (expressão muito comum na Bahia para se referir a uma pelada, um jogo informal de futebol entre amigos) lá em Salvador", relembrou.

 

A baiana conta que a experiência ajudou a moldar uma visão que ela carrega até hoje sobre acolhimento e pertencimento. Uma das lembranças mais marcantes aconteceu quando encontrou grandes ídolos do esporte brasileiro na vila olímpica.

 

"Quando me deparei com a Paula e a Hortência naquele carrinho que levava as delegações para o refeitório, entrei em choque. Eram atletas que a gente assistia na televisão. E não só elas, mas outros grandes nomes do esporte brasileiro e mundial que tivemos a oportunidade de ver de perto", recordou.

 

Porém, a atleta também guarda a percepção de que o futebol feminino ainda ocupava uma posição secundária e de preconceito dentro do esporte. 

 

"Passamos ali de 96 até a primeira medalha com essa desconfiança de ser ‘o patinho feio’ da família", afirmou.

 

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Foto: acervo COB

 

Do "patinho feio" aos estádios lotados

Se Atlanta representou o início de uma caminhada, Rio 2016 mostrou o quanto ela havia avançado. Aquele futebol feminino que lutava por espaço em 1996 encontrou, duas décadas depois, arquibancadas cheias e o apoio maciço da torcida brasileira. Para Formiga, essa foi uma das maiores conquistas da campanha olímpica.

 

"Muitos não acreditavam que o futebol feminino teria capacidade de lotar os estádios. E assim fizemos. Pela nossa maneira de jogar, conquistamos a torcida por onde passamos."

 

A meio-campista lembra especialmente da atmosfera vivida no Mineirão e do carinho recebido ao longo da competição.

 

"Foi algo de arrepiar. Uma energia que muitas vezes a gente só via no futebol masculino."

 

Além do protagonismo coletivo, a Rio 2016 teve um significado especial em sua trajetória pessoal. Naquele momento, Formiga acreditava que estava disputando seus últimos Jogos Olímpicos.

 

"Eu tinha decidido que seria minha última participação em Jogos Olímpicos. Foi um ano de muita entrega, de muita dedicação e preparação para ajudar a seleção a buscar uma medalha."

 

Apesar da frustração pela eliminação na semifinal para a Suécia nos pênaltis, após empate sem gols no Maracanã; e da derrota por 2 a 1 para o Canadá na disputa pelo bronze, resultado que deixou o Brasil na quarta colocação, Formiga relembra a expectativa e dedicação da seleção no Rio de Janeiro.

 

"Você jogando em casa cria uma expectativa enorme. Quer deixar uma medalha, independentemente da cor, mas principalmente quer deixar resultados positivos e uma esperança de que estamos no caminho certo."

 

A responsabilidade de liderar

A diferença entre a menina de 18 anos que chegou a Atlanta e a referência da equipe em 2016 é um dos aspectos que mais emocionam Formiga. Ao longo de duas décadas, ela viu o papel se inverter. Se em 1996 era uma das mais jovens do grupo, na Rio 2016 tornou-se uma das responsáveis por orientar as novas gerações.

 

"De repente, eu me vi como uma das líderes, uma das responsáveis por impulsionar uma equipe tão jovem, da mesma forma que outras mulheres fizeram comigo quando eu cheguei", disse. "Ali eu senti que realmente era minha vez de conduzir aquela geração. Você deixa de ser a menina mais nova para se tornar uma espécie de mãe do grupo", concluiu.

 

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Foto: Getty images

Um legado para o futuro

Ao olhar para trás, Formiga enxerga sua trajetória como parte de uma construção coletiva. Mais do que resultados, ela destaca a luta de diferentes gerações de mulheres para abrir caminhos e ampliar oportunidades.

 

"De 96 até aqui tivemos inúmeras barreiras. Eu e tantas outras mulheres conseguimos, através de muito amor e dedicação, romper essas barreiras para que hoje elas possam ter esse direito", conta.

 

Para a ex-jogadora, o principal legado deixado para as futuras atletas está na capacidade de persistir e continuar transformando a realidade do esporte. E deixa um recado para as próximas gerações:

 

"Desejo que toda essa história, toda essa entrega, sirva de inspiração para que essas meninas continuem e não entrem em uma zona de conforto. Que possam buscar sempre mais, para que as próximas gerações encontrem um cenário ainda melhor"

 

Presente em sete Jogos Olímpicos consecutivos, Formiga conquistou duas medalhas de prata, em Atenas 2004 e Pequim 2008. A jogadora se tornou um dos principais símbolos da evolução do futebol feminino brasileiro e da luta por mais espaço para as mulheres no esporte.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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