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De Rosário a Santa Fé. Campeões de 2022 voltam quatro anos depois em busca de novos feitos

Atletas que brilharam nos Jogos Sul-Americanos da Juventude em 2022 retornam à Argentina em momentos diferentes da carreira, de campeões mundiais e atletas olímpicos a jovens talentos em ascensão

Por Comitê Olímpico do Brasil

12 de set, 2026 às 15:32 | 8 minutos de leitura

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Fotos: William Lucas/COB (Giulia Takahashi, Henrique Marques e Juliana Lima) e Beto Noval/COB (Leonardo Iizuka, Stephan Steverink)

Em 2022, o Brasil teve uma participação fenomenal nos Jogos Sul-Americanos da Juventude em Rosário, conquistando 64 ouros e 147 medalhas no total. Quatro anos depois, muitos integrantes daquela delegação retornam à província argentina de Santa Fé para os Jogos Sul-americanos adultos. Se o cenário é o mesmo, muita coisa mudou para eles. Muitos já se consolidaram como os principais nomes de suas modalidades no Brasil, alguns já foram aos Jogos Olímpicos e um deles chega a Santa Fé 2026 como atual campeão mundial. Confira a trajetória dos medalhistas de ouro de 2022 que voltam à Argentina e buscam brilhar mais uma vez nos próximos dias.

 

Porta-bandeira do Time Brasil em Rosário 2022, Henrique Marques é um dos atletas brasileiros que mais evoluiu nestes quatro anos. Porém, nada veio fácil na vida do fluminense. Depois de conquistar o ouro na categoria +73kg do taekwondo, o atleta se preparava para os Jogos Pan-americanos Santiago 2023, quando descobriu uma arritmia cardíaca que o obrigou a fazer uma cirurgia.

 

Após meses de recuperação, ele voltou ao alto nível e chegou às quartas de final dos Jogos Olímpicos Paris 2024. Mas o melhor estava por vir em um 2025 quase perfeito, em que venceu o Campeonato Mundial da modalidade na categoria de 80kg. O atleta de Porto das Caixas, Itaboraí, segue firme entre os melhores do mundo, conquistando medalhas nos principais torneios de 2026 e é uma das principais estrelas da delegação brasileira na Argentina. As competições de taekwondo serão disputadas justamente em Rosário. 

 

“Minhas expectativas são as melhores possíveis. Eu lembro que os Jogos Sul-Americanos da Juventude foram algo muito grandioso para mim na época. Eu fui campeão da competição, fiquei muito feliz com o título. E voltando agora em 2026, ainda mais maduro, depois de alguns títulos importantes na minha carreira, as expectativas são maiores e melhores. Trabalhando muito para que eu consiga refazer o feito e conseguir um novo campeonato em Rosário”, disse Henrique, durante a fase final de treinamento para a competição.

 

Juliana Viana, do badminton, é outra atleta que fez história nesses quatro anos que separam as duas competições na Argentina. Com apenas 17 anos em Rosário 2022, a piauiense conquistou o ouro no individual feminino e a prata nas duplas femininas, ao lado de Maria da Cruz. 

 

Desde então, Juliana se firmou como um dos grandes nomes da história do badminton nacional. Alguns meses depois, nos Jogos Sul-americanos Assunção 2022, ela já foi um dos destaques da delegação brasileira, conquistando três medalhas de ouro, no individual, nas duplas femininas e na equipe mista. 

 

“Foi uma grande experiência para mim, como pessoa, como atleta, e é sempre bom viajar com o Time Brasil. O Comitê Olímpico sempre emprega todo o suporte necessário, pensando no melhor para os atletas, então é sempre um prazer imenso ir em uma missão de jogos com o Time Brasil”, contou a natural de Teresina.

 

No ano seguinte, ela conquistou a medalha de bronze em duplas femininas nos Jogos Pan-americanos Santiago 2023. Em Paris 2024, se tornou a primeira mulher brasileira a vencer um jogo de badminton na história dos Jogos Olímpicos, terminando em 14º lugar.  Atual 65ª melhor colocada do ranking internacional, Juliana foi ainda a porta-bandeira do Time Brasil nos Jogos Pan-americanos Júnior Assunção 2025, competição em que conquistou um ouro e um bronze.

 

“Eu estou indo com expectativas muito boas, né? Muito treino e uma preparação muito boa para chegar da melhor forma possível. Vai ser um campeonato super importante para mim a nível profissional, e espero sair com três ouros, se possível. Estou muito feliz e com expectativa muito alta, pois é um dos campeonatos alvos aí no meu calendário de 2026 e espero estar finalizando o ano da melhor forma possível com esse grande título”.

 

Jovens estrelas do tênis de mesa brilharam em Rosário 2022 e se preparam para novo desafio

 

No tênis de mesa, duas jovens promessas surgiram para o grande público nos Jogos Sul-americanos da Juventude Rosário 2022. Giulia Takahashi, então com 17 anos, e Leonardo Iizuka, com 16, conquistaram o ouro no individual e ainda participaram da equipe mista. Agora, eles retornam a Rosário, sede do tênis de mesa, como nomes consolidados do esporte em nível mundial.

 

Takahashi já havia sido reserva da equipe olímpica de Tóquio 2020 e disputou os Jogos de Paris em 2024. Irmã mais nova de Bruna Takahashi, a paulista tem trilhado seu próprio caminho de sucesso no esporte. Nos Jogos Pan-americanos Santiago 2023, ela conquistou duas medalhas e já acumula também muitas medalhas em nível continental. Já consolidada na equipe adulta principal, ela dá os toques finais na preparação, com altas expectativas para repetir o resultado de quatro anos atrás. “Estou muito animada para essa competição. Quero aproveitar cada momento, competir bem e buscar os melhores resultados para o Brasil. Venho trabalhando bastante e espero que seja uma experiência muito especial”, contou Giulia, hoje com 21 anos.

 

Leo Iizuka guarda ótimas memórias dos Jogos Sul-americanos da Juventude Rosário 2022. Afinal, foi lá que o mesa-tenista integrou pela primeira vez uma delegação do Time Brasil. “Lembro que lá pude ter uma experiência incrível por ser uma competição onde vários esportes se reúnem com um objetivo de representar o Brasil da melhor forma possível”, relembrou o atleta de São Caetano do Sul, que saiu de lá com dois ouros. 

 

Desde então, a carreira de Iizuka só cresceu. Reserva da equipe masculina nos Jogos Olímpicos Paris 2024, ele conquistou duas medalhas no Mundial de Tênis de Mesa Sub-19 naquele mesmo ano, as primeiras da história do Brasil no tênis de mesa. Dono de duas medalhas nos Jogos Pan-americanos Júnior Assunção 2025, já entrou no top 100 do ranking mundial e joga a Bundesliga de tênis de mesa. Ao lado de Guilherme Teodoro, está em 17º no ranking de duplas masculinas, tendo conquistado já um bronze na etapa do WTT Star Contender, e já mira uma participação nos Jogos Olímpicos Los Angeles 2028.

 

Apesar de ter viajado para Paris e vivido o clima olímpico na ocasião, os Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026 marcam sua estreia oficial representando o Time Brasil na categoria sênior. “Minhas expectativas são que eu consiga trazer os melhores resultados possíveis e que eu consiga desfrutar o máximo dessa competição pois vai ser a primeira participação no Time Brasil na categoria adulta. Sei que tenho chance e a nossa equipe do Brasil pode chegar muito longe”, disse o atleta que, em maio, participou do Mundial de Tênis de Mesa por Equipes, em que o Brasil conquistou um de seus melhores resultados da história, chegando às quartas de final.

 

Campeã da ginástica artística já tem elemento com seu nome

 

Com 14 anos, Gabriela Barbosa foi o principal nome da ginástica artística brasileira em 2022, conquistando o ouro por equipes, pratas no individual geral e trave, além do bronze nas barras assimétricas. Desde então, a brasileira tem sido presença constante em equipes brasileiras. 

 

A paulista chega aos Jogos Sul-americanos com a expectativa de fazer bonito e podendo apresentar uma criação própria. Afinal, neste ano, aos 18 anos, ela teve um elemento homologado pela Federação Internacional de Ginástica (FIG) ao apresentar, de forma inédita e perfeita durante a Copa do Mundo de Osijek: a saída de stalder sublance com mortal para frente com meia pirueta C nas barras assimétricas.

  

Se alguns esportes já são tradicionais e acumulam medalhas, outros ainda estão começando sua trajetória no movimento olímpico. É o caso da escalada esportiva, que estreou em Tóquio 2020. Em Rosário 2022, Mariana Hanggi fez história ao se tornar a primeira atleta do esporte a competir em uma missão organizada pelo Comitê Olímpico do Brasil. Tudo isso quando tinha apenas 15 anos, e sua estreia foi da melhor maneira possível, com uma medalha de ouro no peito. 

 

A curitibana que começou a praticar o esporte aos seis anos sabe que a escalada exige uma atenção aos detalhes e a certeza de que cada passo seja dado com precisão, um trabalho contínuo e com segurança. Agora, com 19 anos, já está conquistando grandes feitos no esporte a nível nacional e continental. Dona de medalhas em Copa Sul-Americana, e este ano se sagrou campeã brasileira no boulder, chegando a Santa Fé mais experiente e com a certeza de que ainda tem um caminho brilhante pela frente.

 

Entre Rosário 2022 e Santa Fé 2026, muitos nomes se destacaram em Assunção 2025

 

Outros nomes que subiram ao lugar mais alto do pódio em Rosário 2022 repetiriam o feito três anos depois, em um nível acima: nos Jogos Pan-americanos Júnior Assunção 2025. É o caso de Isabelle Estevez, campeã dos dois eventos no tiro com arco recurvo, e Júlia Rocha Ribeiro, londrinense, ouro nos 400m rasos e prata nos 200m rasos em Rosário 2022 e integrante do revezamento 4x400m misto campeão de Assunção 2025 no atletismo. Ambas chegam a Santa Fé 2026 querendo levar mais medalhas para casa.

 

Vinicius Avi Sant’Ana, ouro no individual e prata no revezamento misto nos Jogos Sul-americanos da Juventude Rosário 2022, chegou forte para os Jogos Pan-americanos Júnior Assunção 2025. Ele não subiu ao pódio, mas sua participação foi marcada pela superação. Apresentando um quadro de pneumonia, o curitibano não desistiu e fez uma boa campanha no Paraguai, ficando em sexto no individual e quarto no revezamento. Agora, ele se prepara para os Jogos Sul-americanos e está muito embalado. Afinal, em junho deste ano conquistou o melhor resultado de sua carreira, com a medalha de bronze na etapa de Huatulco da Copa do Mundo de Triatlo.

 

Um atleta que sempre precisa separar espaço na mala para as medalhas e mascotes que trará de volta é Stephen Steverink. Em Rosário 2022, ele saiu com quatro ouros e uma prata: campeão nos 400m livre, 1.500m livre, 200m medley e 4x100m livre, além da prata nos 200m peito. Naquele mesmo ano, ele foi campeão mundial juvenil de natação nos 400m livre. O carioca foi um dos principais nomes de Assunção 2025, conquistando cinco ouros, nos 200m livre, 400m livre, 800m livre, 400m medley, 4x200m livre, além de uma prata nos 200m medley.

 

O atleta, filho de pai neerlandês e mãe brasileira, escolheu ainda bem novo competir pelo Brasil e agora está se preparando para uma fase muito importante de sua vida e carreira. Aos 22 anos, ele se mudou para Lexington, Estados Unidos, onde vai começar os estudos na University of Kentucky e participará do programa de natação. O objetivo não poderia ser outro: uma vaga na delegação brasileira dos Jogos Olímpicos Los Angeles 2028. Os Jogos Sul-americanos, portanto, são um primeiro passo importante nesta trajetória que promete trazer muita felicidade para o Brasil.

 

Na natação, Pedro Buch e Giovana Reis são outros nomes que se destacaram em Rosário 2022 e retornam à cidade para Santa Fé 2026. O paranaense de Rio Negro conquistou quatro ouros (50m borboleta, 100m borboleta, 4x100m livre masculino e 4x100m medley masculino), e uma prata (50m costas), quatro anos atrás, enquanto a santista foi ouro nos 100m livre, prata nos 200m livre e bronze nos 400m livre. A atleta já é olímpica, tendo feito sua estreia como membro do revezamento 4x100m livre em Paris.

 

Os Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026 acontecem de 12 a 26 de setembro na Argentina, espalhados por cinco cidades: Santa Fé, Rosário, Rafaela, Mar del Plata e Buenos Aires. A competição reúne atletas de toda a América do Sul. O Brasil participa em 52 modalidades, com cerca de 500 atletas. Santa Fé 2026 tem transmissão pela ESPN e Disney+ e também pode ser acompanhado gratuitamente pelo canal da Panam Sports (alguns eventos podem ter restrição por geoblock). Os Jogos Sul-americanos são uma competição estratégica para a segunda metade do ciclo até Los Angeles 2028.

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