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COB Expo 2026 debate políticas para ampliar participação das mulheres no esporte

Painel reuniu representantes do COB e dirigentes de confederações para discutir ações de equidade, oportunidades e presença feminina em diferentes funções do esporte

Por Comitê Olímpico do Brasil

1 de out, 2026 às 16:00 | 3 minutos de leitura

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Wander Roberto/COB

Ampliar a presença das mulheres no esporte exige mais do que aumentar sua participação numérica, seja na competição ou nos bastidores. É necessário criar oportunidades para que elas ocupem diversas funções e cheguem a espaços de liderança. Esse foi um dos pontos centrais do painel “Políticas e ações institucionais para ampliação da participação das mulheres no esporte”, realizado nesta quinta-feira, 1º, durante a COB Expo 2026.

Yane Marques, vice-presidente do COB, Joyce Ardies, gerente de Jogos e operações internacionais do COB, e Júlia Silva, gestora de esportes, participaram do debate que também contou com duas presidentes de confederações: Cristiane Maekawa Kajiwara, da Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA) e Patrícia Boss, da Confederação Brasileira de Hóquei sobre a Grama e Indoor (CBHG). A mesa foi mediada por Júlia Barreira, professora da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Na abertura da discussão, Júlia destacou que o crescimento da presença feminina não pode ser analisado apenas a partir de números, se referindo aos Jogos Olímpicos Paris 2024 que contou com 49% participação feminina entre as atletas, mas que “não reflete necessariamente uma igualdade de condições, de oportunidade de acesso, de manutenção e de progressão dentro do sistema esportivo”.

“A ideia dessa mesa é a gente propor uma reflexão sobre como as políticas e estruturas institucionais podem contribuir de forma efetiva para ampliar a participação das mulheres no esporte, nos diferentes níveis e nas diferentes funções”, acrescentou Júlia em sua introdução.

A partir desse cenário, o painel apresentou as oportunidades para mulheres em diferentes áreas do esporte. Dentre as iniciativas desenvolvidas pelo COB, estão programas voltados à formação de treinadoras e gestoras, ações de incentivo à participação feminina em missões e equipes multidisciplinares e o desenvolvimento de uma política de parentalidade para atletas e profissionais que viajam para competições. Em Santa Fé 2026, essa política já foi posta em prática, colaborando com a medalha de ouro de Juliana Duque e Rafael Martins, que contaram com a filha Lila na torcida.

Vice-presidente do COB, Yane Marques destacou que o movimento também passa pela transformação das próprias estruturas das organizações esportivas. Primeira mulher a ocupar a vice-presidência do COB, ela também lembrou que o Comitê Olímpico Internacional (COI) tem uma mulher como presidente pela primeira vez em sua história, Kirsty Coventry. Porém, como Yane Marques pontuou, a presença de uma mulher em uma posição de liderança precisa produzir mudanças que permaneçam para além de sua gestão.

“Não adianta eu ser a primeira mulher e, se eu sair dessa função, as coisas continuarem como eram antes. Algo tem que acontecer, tem que mudar. É um pouco do meu papel de balançar essa bandeira e fazer algo avançar e acontecer de verdade”, afirmou Yane, destacando o programa Mulher no Esporte, que apoia projetos apresentados pelas confederações para o desenvolvimento de mulheres em diferentes funções, além de iniciativas de capacitação de treinadoras. A dirigente citou ainda a construção de uma política de parentalidade voltada a atletas e profissionais que têm filhos pequenos e precisam viajar para competições.

A discussão também abordou medidas adotadas pelo COB para ampliar a participação de mulheres nas missões do Time Brasil. Desde 2024, o COB estabeleceu uma meta de que todas as confederações tenham, no mínimo, 30% de presença feminina nas delegações em competições multiesportivas.

Nos Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026, por exemplo, que terminaram na semana passada, foram 43% de mulheres nas equipes multidisciplinares, sendo 53% de participação feminina na Equipe COB. Joyce Ardies, gerente de Jogos e Operações Internacionais do COB e subchefe de missão em Santa Fé 2026, destacou que a criação de oportunidades é parte fundamental desse processo.

“Não era uma questão só de ter mulheres capacitadas, mas sim de dar essa oportunidade. A gente vê um aumento de engajamento muito grande e a importância de ter essas medidas mais proativas para criar essas oportunidades”, afirmou, ressaltando que a combinação entre capacitação e oportunidades concretas é fundamental para produzir resultados.

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