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COB lança projeto Floresta Olímpica do Brasil, com Rayssa Leal de madrinha, no coração da Amazônia

Comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas de duas cidades no Amazonas serão impactadas ambiental, social e economicamente com o reflorestamento de 6,3 hectares

Rayssa Leal e o presidente do COB, Paulo Wanderley, no lançamento do Floresta Olímpica do Brasil. (Foto: Marina Ziehe/COB)


Em uma ação inédita em seus mais de 100 anos de história, o Comitê Olímpico do Brasil viajou para o centro da Amazônia brasileira com o objetivo de impactar comunidades locais ambiental, social e economicamente.  

 

Na última quarta-feira (29), o COB lançou o projeto Floresta Olímpica do Brasil nas cidades de Tefé e Alvarães, no estado do Amazonas, em ação que vai proporcionar o reflorestamento de cerca de 6,3 hectares de floresta em comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas. A iniciativa contou com o reforço da medalhista olímpica do skate Rayssa Leal, embaixadora de sustentabilidade do COB, que esteve presente na Amazônia para o lançamento do projeto, do qual é madrinha.  

 

A comitiva liderada pelo Presidente do COB, Paulo Wanderley, e pela atleta, ícone do skate mundial, esteve na Amazônia ao longo da última semana. Na quarta-feira, ambos conduziram o lançamento do projeto nas comunidades Bom Jesus da Ponta da Castanha e aldeia São Jorge da Ponta da Castanha, principais impactadas pela iniciativa. Diante da presença de autoridades locais e de representantes das comunidades locais envolvidas, duas mudas de Jatobá, espécie nativa da região, foram plantadas pelo Presidente Paulo Wanderley e por Rayssa para simbolizar a inauguração do projeto, que vai durar ao menos até 2030. Além disso, os dois fincaram uma placa comemorativa no local.

 

“O tema da preservação e recuperação do meio ambiente é muito importante para toda a sociedade, e para o esporte não é diferente. É verdade que toda empresa gera impacto social e ambiental e o Movimento Olímpico como um todo tem que assumir essa responsabilidade. Agora, com a Floresta Olímpica do Brasil, uma iniciativa inédita no país, o COB vai mergulhar ainda mais na pauta da sustentabilidade, assunto mais do que urgente no planeta inteiro. Estou muito orgulhoso do legado que estamos construindo com ações e parcerias como esta”, ressaltou o presidente do COB. 

 

 

“Estou muito feliz de participar disso tudo com o COB e outras atletas. A gente precisa pensar cada vez mais em sustentabilidade, no nosso dia a dia mesmo. Me sinto honrada por estar aqui e plantar a primeira árvore da minha vida!”, comemorou Rayssa.  

 

A iniciativa do COB está inserida no “Olympic Forest Network”, uma rede que prevê a restauração de florestas por Comitês Olímpicos Nacionais do mundo por meio de uma proposição do Comitê Olímpico Internacional (COI).  

 

Signatário da rede olímpica de florestas desde 2023, o COB escolheu impactar sobretudo as comunidades Bom Jesus da Ponta da Castanha e aldeia São Jorge da Ponta da Castanha, nas cidades de Tefé e Alvarães (Amazonas). Elas se localizam dentro dos limites da Floresta Nacional de Tefé (FLONA), no coração da Amazônia brasileira, área federal protegida e gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).  

 

A restauração vai incluir o plantio de aproximadamente 4.500 árvores de espécies nativas, incluindo algumas que fazem parte das atividades tradicionais de extrativismo dos moradores locais, como a castanha da Amazônia (Bertholletia excelsa) e o açaí (Euterpe oleracea).  

 

O COB tem como parceiro no projeto o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A iniciativa vai compensar a emissão de quatro mil toneladas de CO2 na atmosfera.  

 

FASES DA FLORESTA OLÍMPICA DO BRASIL 

 

O projeto de restauração é de cunho participativo e foi dividido em três componentes: capacitação, pesquisa, e, por fim, restauração e monitoramento.

  

Na fase de capacitação, iniciada em 2023, os moradores locais foram treinados para a coleta, beneficiamento e armazenamento das sementes, bem como o processo de restauração. A fase de pesquisa também é participativa, na qual é avaliada a técnica mais apropriada dentre algumas para a execução da restauração.  

 

Na fase de execução da restauração e do monitoramento, a área será propriamente restaurada e o processo monitorado para acompanhar a sucessão da floresta em regeneração, tornando-a o mais próxima possível da original. Muito mais do que um projeto de mitigação, a Floresta Olímpica do Brasil vai trazer benesses socioeconômicas para as comunidades envolvidas (de ribeirinhos, quilombolas e indígenas), uma vez que vai proporcionar a utilização do ambiente novamente sem degradá-lo. As pessoas se beneficiarão das atividades extrativistas e da comercialização da castanha e do açaí.  

 

Com essa ação na Amazônia, o COB expande as suas iniciativas sustentáveis. O primeiro compromisso assumido em prol da sustentabilidade foi a adesão ao movimento Esporte pela Ação Climática, no qual o Comitê se comprometeu a reduzir em 50% as emissões de GEE (gases de efeito estufa) até 2030. O COB foi o primeiro comitê olímpico nas Américas e o segundo no mundo a assinar esse compromisso, atrás apenas da Espanha. Para chegar à meta de compensação, o COB realiza um inventário anual de suas emissões desde o ano de 2022.  

 

“Com o projeto da Floresta Olímpica do Brasil, estabelecemos um marco fundamental para quem trabalha em prol do desenvolvimento saudável da sociedade, que é o objetivo final do Movimento Olímpico. Afinal, não existe esporte seguro sem a preocupação com o meio ambiente, assim como não existem eventos esportivos de qualidade sem a necessária compensação ao desgaste trazido à natureza”, acrescentou Rogério Sampaio, diretor-geral do COB e campeão olímpico de judô em Barcelona 1992. 

 

“Tenho visto essa parceria como muito gratificante e que está dando muito certo. A proposta do COB inicialmente de compensar as emissões de CO2 por si só já traz um benefício tão importante. Mas o Comitê foi além e abraçou a nossa ideia de outros componentes que trazem benefícios com um processo de reflorestamento mais biodiverso envolvendo as comunidades locais. Um projeto desse tipo no coração da Amazônia, dentro dessa área chamada de corredor ecológico da Amazônia Central, agrega a conservação da biodiversidade e valoriza a manutenção dos modos de vida das populações locais”, completou Rafael Rabelo, biólogo pesquisador do Instituto Mamirauá e coordenador do projeto Floresta Olímpica do Brasil.

 

Em carta, o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, parabenizou o COB pela consolidação da Floresta Olímpica do Brasil. Abaixo, a reprodução da carta (em tradução livre do inglês): 

 

Estimados amigos olímpicos, 

(...) 

O Floresta Olímpica do Brasil é um projeto que está totalmente alinhado com os comprometimentos climáticos do COI e eu gostaria de parabenizar o Comitê Olímpico do Brasil, sob a ótima liderança do presidente Paulo Wanderley, por essa iniciativa ambiciosa. É bastante encorajador saber que, com esse projeto, o esforço de restauração natural vai andar lado a lado com a mudança de vida nas comunidades em Tefé, no Amazonas. Essa aproximação holística reforça o comprometimento feito pelo Comitê Olímpico Nacional do Brasil, pois surge para fortalecer e viabilizar o papel do esporte para atingir as metas de desenvolvimento sustentável da ONU.  Com o Floresta Olímpica do Brasil, o COB faz exatamente isto: contribui com essas metas e demonstra, em vias concretas, como tornar comunidades mais resilientes e sustentáveis. 

 

O Floresta Olímpica do Brasil é um valioso ativo do Olympic Forest Network, que foi planejado de acordo com as melhores práticas de gerenciamento para florestas. Graças à iniciativa, o COB está estabelecendo um exemplo e inspirando outros Comitês Olímpicos Nacionais que desejem implementar um projeto climático similar no futuro.  

 

Ação climática é um trabalho de equipe. Todos temos um papel a desempenhar. O COB pode contar sempre com o apoio do COI como parceiro nessa causa, porque seja no esporte, seja na ação climática, é apenas juntando as mãos que podemos viver nosso lema olímpico: mais rápido, mais alto, mais forte, juntos.  

 


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Foto: Marina Ziehe/COB
Foto: Marina Ziehe/COB
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