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Milão-Cortina

Time Brasil terá 14 atletas e bate recorde de delegação nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026

Conheça os brasileiros que farão história na Itália, incluindo Nicole Silveira, Lucas Pinheiro Braathen e Pat Burgener

Por Comitê Olímpico do Brasil

19 de jan, 2026 às 14:00 | 5 minutos de leitura

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Markus Ulmer/FIS

Os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 começam em três semanas, mas o Brasil já fez história: está será a edição com mais atletas do Time Brasil. Ao todo 14 nomes (mais um reserva) competirão na Itália entre os dias 6 e 22 de fevereiro.

Neste atual ciclo, o Brasil aumentou o número de participantes em 40% - foram 10 atletas em Pequim 2022. “Uma delegação recorde representa um marco importante para os esportes de inverno no Brasil. Ela é reflexo direto de mais estrutura, melhor organização e planejamento de longo prazo. Os esportes de inverno são uma parte fundamental do Movimento Olímpico, e o Brasil já se consolida como a terceira força das Américas e a principal da América do Sul nesse cenário”, afirma Emílio Strapasson, Chefe de Missão do Time Brasil. A presença em Milão-Cortina supera o recorde de Sochi 2014, quando foram 13 atletas na disputa dos Jogos de Inverno. “Este crescimento fortalece as modalidades de neve e gelo no país, amplia a visibilidade dos atletas e inspira novas gerações”, defende Strapasson.

Para o consultor de esportes do Comitê Olímpico do Brasil, Jorge Bichara, parceria foi a palavra-chave para alcançar esta marca. "O trabalho feito em 2025 com as confederações de gelo e neve na preparação para a última etapa classificatória para os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina, que se encerrou ontem, se mostrou proveitoso com a confirmação de que o Brasil conquistou o maior número de vagas de sua história no evento”, acredita Bichara. 

Para que o Brasil possa competir em alto nível, o trabalho do Comitê Olímpico do Brasil tem sido meticuloso. Com as instalações esportivas espalhadas por um raio de mais de 400km, todos os detalhes são importantes. “Seguimos adiante na nossa entrega.  Nossa tarefa é prover a todos estes atletas que estarão lá a melhor estrutura possível para que eles possam apresentar seu melhor desempenho. Será desafiador, os locais de competição são bastante espalhados”, acrescenta Bichara.

O Time Brasil estará nas disputas em Bormio, Livigno, Tesero e Cortina d’Ampezzo, locais que ficam em montanhas diferentes e distantes entre si. “É uma logística sensível, mas já temos tudo mapeado. Estamos confiantes que o nosso país poderá ter bons resultados na competição", analisa o Consultor Bichara.

Um dos destaques é o esqui alpino, modalidade que o Brasil sempre envia representantes desde que passou a disputar os Jogos Olímpicos de Inverno em Albertville 92. Em Milão-Cortina serão quatro atletas: Lucas Pinheiro Braathen, Christian Oliveira, Giovanni Ongaro e Alice Padilha. A expectativa é de bom desempenho, especialmente com Lucas Pinheiro, que no último domingo, 18 de janeiro, conquistou a medalha de prata na etapa de Wengen da Copa do Mundo de Esqui Alpino.

Confira abaixo quem são os atletas do Time Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026.

Nicole Silveira - Skeleton
Gaúcha de Rio Grande, Nicole foi morar no Canadá aos 7 anos de idade. Passou por diversas modalidades, como ginástica, balé, futebol, vôlei e fisiculturismo, até chegar aos esportes de gelo. Quando trabalhava em uma loja de suplementos em Calgary, soube por um amigo que a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo estava realizando testes para o bobsled. Foi selecionada e chegou a tentar a classificação olímpica para PyeongChang 2018, mas logo migrou para o skeleton. Enfermeira por formação, hoje é uma das principais atletas do circuito, quarta colocada no Mundial de Skeleton, em 2025, e com três medalhas de bronze em etapas da Copa do Mundo.

Edson Bindilatti - Bobsled
Baiano de Camamu, Edson Bindilatti entrou no esporte através do atletismo, com bons resultados no decatlo. Foi nove vezes campeão brasileiro, além de ter conquistado o título sul-americano e ibero-americano. Mas foi no bobsled que ele entrou para a história. Pioneiro na modalidade, é recordista de participações olímpicas. Com Milão-Cortina, serão seis no total: Salt Lake City 2002, Turim 2006, Vancouver 2010, Sochi 2014, PyeongChang 2018 e Pequim 2022. Além disso, é tricampeão da Copa América.
* O bobsled terá quatro atletas e um reserva, mas por enquanto há apenas a confirmação de Edson Bindilatti como piloto do trenó 4-man.

Lucas Pinheiro Braathen- Esqui Alpino
Filho de mãe brasileira e pai norueguês, o esquiador Lucas Pinheiro nasceu em Oslo (Noruega) e defendeu o país nórdico até a temporada 2022/2023. Em 2024, ele solicitou a transferência de nacionalidade esportiva para o país materno e desde então acumula recordes para o Brasil: subiu nove vezes ao pódio da Copa do Mundo de Ski Alpino, duas vezes na terceira colocação, cinco na segunda colocação e foi campeão em Levi (Finlândia).

Christian Oliveira - Esqui Alpino
Filho de mãe brasileira, Christian Oliveira nasceu no Rio de Janeiro, mas se mudou para a Noruega, país do pai, antes de completar um ano de idade. Antes de solicitar a transferência de nacionalidade esportiva para o Brasil, ele iniciou a carreira no Ski Alpino competindo pela equipe norueguesa e integrou o time de Ski Alpino da Universidade de Denver (Estados Unidos). Christian passou a defender o Brasil na temporada 2025/2026 e desde foi top-10 em seis campeonatos.

Giovanni Ongaro - Esqui Alpino
Assim como Lucas Pinheiro, o esquiador Giovanni Ongaro também é filho de mãe brasileira e passou a defender o Brasil na temporada 2024/2025 - antes competia pela Itália, seu país natal. Giovanni acumula múltiplos top-10 em provas júnior, com pódios e pontuações expressivas nas disciplinas Slalom e Giant Slalom. No Mundial de Ski Alpino Júnior 2025, em Tarvisio (Itália), ele foi 31º colocado na disputa da disciplina Slalom.

Alice Padilha - Esqui Alpino
Principal revelação brasileira no Ski Alpino feminino nos últimos anos, Alice Padilha garantiu no início de 2025 a vaga para o Brasil na disputa da disciplina Slalom nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026. Nascida no Rio de Janeiro, começou a esquiar aos seis anos de idade em uma pequena montanha de ski no estado de Nova Iorque. Aos 14 anos, mudou-se para Killington, em Vermont, onde estudou em uma academia especializada em ski alpino. Após se graduar no high school aos 18 anos, ela passou a morar na Áustria, onde atualmente treina para as competições.

Eduarda Ribera - Esqui Cross-Country
Com 15 anos, Duda representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude Lausanne 2020 e dois anos depois disputou os Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022, após Bruna Moura, que estava classificada, sofrer um acidente automobilístico e precisar ser hospitalizada. Atualmente com 21 anos, Duda é a principal atleta de Ski Cross-Country residente no Brasil, acumulando vitórias nas provas do Circuito Brasileiro de Rollerski, organizado pela Confederação Brasileira de Desportos na Neve, além de representar o Brasil em diversas competições internacionais.

Bruna Moura - Esqui Cross-Country
A brasileira Bruna Moura faz sua estreia em Jogos Olímpicos em Milão-Cortina 2026, após um triste acidente que a tirou da disputa em Pequim 2022.  A trajetória de Bruna no ski cross-country teve início por influência da amiga e referência do esporte, Jaqueline Mourão. Na época, elas praticavam ciclismo mountain bike, mas Bruna precisou parar de competir devido a problemas de saúde. Foi então apresentada à modalidade de inverno, que se tornou o seu esporte. No ciclo olímpico para Milão-Cortina 2026, Bruna teve participação contínua em provas de ski cross-country na Europa, com presença nos Mundiais da modalidade.

Manex Silva - Esqui Cross-Country
Nascido no Acre, Manex se mudou muito jovem com a família para a Europa, onde teve o primeiro contato com os esportes de neve. Aos 17 anos, Manex representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude Lausanne 2020, sendo um dos atletas brasileiros mais jovens no evento - na prova de sprint masculino, ele terminou entre os 40 primeiros da competição, em 39º lugar. Dois anos depois, ele competiu nos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022. Em fevereiro de 2025, Manex estabeleceu o índice olímpico no Mundial de Ski Cross-Country de Trondheim, na Noruega, e garantiu a primeira vaga brasileira para os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 no Ski Cross-Country Masculino.

Pat Burgener - Snowboard Halfpipe
O snowboarder Pat Burgener nasceu na Suíça e defendeu o país europeu até 2025, quando optou pela transferência de nacionalidade esportiva para defender o Brasil, país onde a mãe libanesa foi refugiada e morou por mais de 10 anos. Em sua primeira temporada defendendo o Brasil, Pat já conquistou resultados históricos para o país. Em Secret Garden (China), ele se tornou o primeiro brasileiro a avançar à final de uma etapa de Copa do Mundo de Snowboard Halfpipe, e em Calgary (Canadá), Pat levou o Brasil pela primeira vez ao pódio da Copa do Mundo de Snowboard Halfpipe. Defendendo a Suíça, Pat conquistou duas medalhas de bronze em mundiais, em 2017, na Espanha, e em 2019, nos Estados Unidos. Ele também disputou as duas últimas edições dos Jogos Olímpicos de Inverno, alcançando a quinta colocação em PyeongChang 2018 e finalizando a disputa no 11º lugar em Pequim 2022.

Augustinho Teixeira - Snowboard Halfpipe
Nascido em Ushuaia (Argentina), Augustinho Teixeira começou a praticar esportes de neve desde muito jovem. Sua família se mudou para Canadá, onde ele teve acesso a ambientes adequados de treinamento e competições de snowboard halfpipe desde cedo. No ciclo olímpico para Milão-Cortina 2026, Augustinho alcançou resultados expressivos no cenário internacional. No início de 2025, foi campeão da European Cup, em Kitzsteinhorn (Áustria) e obteve a 18ª posição no Mundial de Snowboard Halfpipe em Engadin (Suíça).

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