Elegante, Time Brasil desfila na Abertura de Milão-Cortina com a maior delegação da história
Lucas Pinheiro Braathen, no evento principal em Milão, e Nicole Silveira, em Cortina, foram os porta-bandeiras na Itália

Gabriel Heusi/COB
A Cerimônia de Abertura de Milão-Cortina 2026 marcou um momento histórico para o esporte brasileiro: espalhados por Milão, Cortina, Livigno e Predazzo estiveram os atletas da maior delegação do Time Brasil na história dos Jogos Olímpicos de Inverno. Ao todo 14 nomes (mais um reserva na equipe de bobsled) competirão na Itália até o dia 22 de fevereiro – aumento de 40% desde Pequim 2022.
E numa das capitais mundiais da moda, o Brasil mostrou sua elegância. Lucas Pinheiro Braathen, do esqui alpino, em Milão, e Nicole Silveira, do skeleton, em Cortina, foram os porta-bandeiras esbanjando estilo. Com trajes cocriados pela marca de luxo e performance Moncler e pelo estilista brasileiro Oskar Metsavaht, eles celebraram o espírito do Brasil. Suas capas brancas criavam a sensação de movimento e exibiam, em seu interior, a bandeira brasileira.
“Não dá para expressar com palavras a sensação que eu estou sentindo agora, porque é uma responsabilidade, uma oportunidade tão grande. É maior do que esporte. É maior do que Jogos Olímpicos. É uma representação do espírito brasileiro. Que os brasileiros têm um superpoder: nós estamos em casa em todos os cantos. É isso que eu quero representar”, comentou Lucas Pinheiro.
“Foi muito emocionante ser uma das porta-bandeiras. É um orgulho enorme e uma honra poder levar a bandeira do Brasil nesse palco grandioso, especialmente nos esportes de inverno, em que o nosso país vem crescendo”, disse Nicole, que "causou" em Cortina ao entrar na passarela mandando um passinho acompanhada por Edson Bindilatti, Rafael Souza, Davidson de Souza, Luís Bacca e Gustavo Ferreira, da equipe de bobsled.
Nicole Silveira foi a porta-bandeira em Cortina. Foto de Ezra Shaw/Getty Images
Em Milão também desfilaram Bruna Moura, do esqui cross-country, e o Chefe de Missão do Time Brasil, Emílio Strapasson. Além deles, Pat Burgener e Augustinho Teixeira, do snowboard, representaram o Brasil na cerimônia de Livigno. A animação foi tanta que Pat não economizou nas acrobacias e ainda deu um salto mortal na passarela. Já Manex Silva e Eduarda Ribera (do esqui cross country) foram representantes em Predazzo. Todos os desfiles contaram com a participação de oficiais do Time Brasil.
Emílio Strapasson não escondeu a emoção. “É difícil colocar em palavras o tamanho do orgulho, da alegria e do sentimento de privilégio que sinto neste momento sendo chefe de uma missão tão especial, da maior delegação da história do Brasil. É o momento de transmitir a ideia de que o brasileiro não tem uma limitação geográfica ou climática. Esta é a riqueza que trazemos para os Jogos Olímpicos de Inverno. O jeito brasileiro com competência e muita competitividade”, comentou o Chefe de Missão.
Em Milão-Cortina 2026, o Brasil estará presente em cinco modalidades: esqui alpino, esqui cross-country, snowboard, bobsled e skeleton. “O Brasil não está chegando nesses Jogos com quantidade. Ele chega com qualidade. Eu estava andando pela Vila Olímpica aqui em Milão com as roupas brasileiras, as cores do Brasil. Todo mundo queria bater um papo. Queriam saber nossa história, sobre o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno. O Brasil chega com alma”, garantiu Lucas Pinheiro.
Rebeca Andrade é destaque em Milão
Com o mote “harmonia”, a Cerimônia de Abertura foi uma homenagem à Itália, à sua cultura e criatividade, à sua beleza e imaginação. Mas, acima de tudo, uma mensagem universal de paz e diálogo, um convite para todos imaginarem um futuro em que as diferenças não dividam, mas construam algo maior do que a soma das partes.
A cerimônia celebrou a arte italiana, com destaques para compositores como Giuseppe Verdi e pintores como Leonardo Da Vinci. As exaltações à Itália seguiram de diferentes formas. O multicampeão de motovelocidade Valentino Rossi fez uma ponta como condutor de bonde em vídeo pré-gravado. Modelos desfilaram com ternos Armani num tributo à cidade de Milão como pólo importante da moda mundial.
A festa ainda teve apresentações musicais marcantes. Mariah Carey, cinco vezes vencedora do Grammy, surpreendeu cantando em italiano o clássico Nel blu, dipinto di blu. Vencedora do Globo de Ouro, a italiana Laura Pausini interpretou o hino nacional italiano. Já o renomado tenor italiano Andrea Bocelli encantou a multidão após os discursos que abriram oficialmente os Jogos.
Com a maior parte do evento realizada no estádio San Siro, em Milão, outra brasileira também brilhou. Rebeca Andrade, a maior medalhista olímpica do Brasil, foi convidada pelo Comitê Olímpico Internacional para ser uma das oito personalidades a conduzir a Bandeira Olímpica.
Rebeca Andrade carregou a Bandeira Olímpica. Foto de Gabriel Heusi/COB
Milão-Cortina 2026 é a 25ª edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, que serão realizados até 22 de fevereiro, reunindo mais de 2.900 atletas de 92 Comitês Olímpicos Nacionais em 16 modalidades de neve e gelo. É a terceira vez que a Itália recebe a competição, depois de Cortina d’Ampezzo 1956 e Turim 2006. Esta será a 10ª edição seguida com participação brasileira.
Ao longo da história, até Pequim 2022, 40 atletas (27 homens e 13 mulheres) representaram o Brasil na competição, em nove modalidades diferentes. O melhor resultado do país até o momento é o 9º lugar de Isabel Clark, no snowboard cross, justamente em Turim 2006. No gelo, o melhor resultado é o 13º lugar de Nicole Silveira no skeleton em Pequim 2022. E o esqui alpino é a única modalidade em que o Brasil esteve representado em todos os Jogos Olímpicos de Inverno que participou.












