Jogos da Juventude

Campeã do presente e do futuro

Camila Flach se despede com dois ouros de Aracaju e já se prepara para os próximos passos

Por Comitê Olímpico do Brasil

5 de set, 2022 às 10:45 | 1 min de leitura

Compartilhe via:

A catarinense Camila Flach sai dos Jogos da Juventude Aracaju 2022 com dois ouros no pescoço – ela venceu as provas de arremesso de peso e de disco, as mesmas vitórias que conseguiu nos Jogos Sul-americanos da Juventude Rosario 2022, na Argentina. O que mostra que ela está no caminho certo, ainda que tenha optado por uma correção de curso. “Venho do Brasileiro sub-18 e lá eu fiquei com o bronze no arremesso de peso. Estava treinando uma técnica diferente, a giro. Para cá, resolvemos usar a técnica do deslocamento, o que me deixou um pouco insegura. Até porque a prova era difícil, umas meninas aqui arremessam para 14 metros. Mas deu certo”, conta Camila, que fez a marca 14.19 metros.

Mais que isso, o caminho de Camila rumo ao futuro vai além da carreira no atletismo. Natural de Itapiranga, interior de Santa Catarina, ela conta que cresceu numa cidade muito pequena e que o contato com o atletismo, mesmo que não exista uma estrutura adequada na cidade, foi através de um programa municipal de fomento à prática esportiva nas escolas. “Eu ainda moro distante do centro da minha cidade. Na verdade, sou do interior do interior, quase na fronteira. Por pouco não foi o caso de competir pela Argentina!”, brinca.

Graças a este projeto, o caminho se abriu. “Eu e minha prima começamos a nos destacar. Ela se chama Tainara Mees e é de pista, corre os 100m e os 200m. Só que chegou um momento em que ficamos amarradas. Nossas competições eram sempre em nível escolar e por isso nossas marcas não contavam para nenhum ranking, porque é necessário estar vinculado a um clube, e na minha cidade isso não existe”, revela.

Ou não existia. Porque foi assim que nasceu a AATI (Associação de Atletismo de Itapiranga). “Minha mãe é a presidente e meu tio, pai da Tainara, é o vice, para você ter uma ideia”, conta. Este é, no fim das contas, o maior orgulho de Camila. “O clube começou a trazer muita gente nova para o atletismo. Isso é muito bom, porque uma hora eu e a Tainara não vamos estar mais lá. E não quero que esta história acabe em nós”, confessa.

Assim, os planos de vida ficaram mais claros para Camila. “Ainda estou na escola e acho que o estudo caminha com o esporte. Eu vejo nosso clube com escolinha para crianças de 7, 8 anos e fico muito feliz. Nosso sub-16 está vindo forte. Por isso penso fazer uma graduação para me envolver de alguma maneira nisso. Porque a vida de atleta passa, mas se eu puder ajudar na formação de quem vem depois ei vou ficar muito feliz”, encerra.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS