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Ambiente seguro é o caminho para a alta performance esportiva

III Fórum Esporte Seguro reúne especialistas, atletas e dirigentes no Rio e reforça que ambientes protegidos são condição para o desenvolvimento esportivo e a conquista de resultados

Por Comitê Olímpico do Brasil

6 de ago, 2026 às 17:30 | 4 minutos de leitura

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O esporte seguro é o único caminho para a performance. Essa ideia deixou de ser apenas uma diretriz institucional para ganhar contornos práticos ao longo do III Fórum Esporte Seguro, promovido pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), nesta quarta-feira (6), no Hotel Hilton Copacabana, no Rio de Janeiro. Durante um dia inteiro de debates, especialistas de diferentes áreas mostraram que o desempenho esportivo começa muito antes do treinamento, da competição ou da medalha. Começa no ambiente em que atletas, treinadores e profissionais convivem diariamente.

A programação reuniu representantes de confederações, atletas, treinadores, gestores, profissionais da saúde, pesquisadores e especialistas nacionais e internacionais para discutir um tema que atravessa toda a jornada esportiva: como construir ambientes capazes de proteger pessoas e, justamente por isso, potencializar resultados.

Para o Presidente do COB, Marcos La Porta, não existe coerência entre os valores tradicionalmente atribuídos ao esporte e um ambiente que permita qualquer forma de violência. "Quando a gente fala do esporte e cita os valores que o esporte nos ensina, tem que entender que para que esses valores sejam colocados na prática é necessário um ambiente seguro. Não adianta falarmos que o esporte educa, que é segurança, disciplina, se na verdade não existe um ambiente em que a pessoa que pratica o esporte possa se sentir segura", explicou.

A abertura ficou a cargo da ex-nadadora Joanna Maranhão, uma das vozes mais respeitadas do país quando o assunto é proteção no esporte. Ao compartilhar sua história e refletir sobre as marcas deixadas pela violência, Joanna deu o tom do encontro: enfrentar um tema difícil é condição para transformar a cultura esportiva. Ao longo do dia, as mesas ampliaram essa discussão sob diferentes perspectivas, abordando liderança, relações de poder, prevenção de abusos, saúde mental, acolhimento, responsabilização institucional e boas práticas na gestão esportiva.

A proposta do encontro foi justamente ampliar essa conversa para todos os atores envolvidos na formação de um atleta. Em vez de tratar o esporte seguro apenas como um protocolo de prevenção, o Fórum buscou mostrar como cada profissional influencia a qualidade do ambiente esportivo e, consequentemente, o rendimento de quem compete.

"O objetivo era trazer várias realidades do ambiente do atleta, do treinador e dos profissionais da área médica para entender a necessidade da instrumentalização e do impacto dessas mensagens e reflexões para os sucessos esportivos", explicou Sebastian Pereira, Gerente Executivo de Educação e Fomento do COB. Ao fazer um balanço do evento, Sebastian destacou que a responsabilidade pela transformação é compartilhada. "As instituições esportivas têm a obrigação de fazer com que todos os ambientes dentro das suas áreas sejam cada vez mais seguros para que possamos ter mais praticantes, mais profissionais trabalhando e ambientes seguros para que a gente consiga construir, ao final, medalhas. A jornada do atleta, a jornada da medalha, precisa ser protegida. Todos nós precisamos fazer parte disso, individualmente e institucionalmente", defendeu.

Se construir uma cultura é um processo longo, essa talvez seja a principal missão da Área de Esporte Seguro do COB. Responsável pela organização do Fórum, a Gerente Mariany Nonaka reconhece que falar sobre violência nunca é simples, mas considera justamente por isso indispensável manter o tema em discussão. "É um tema sensível. A gente precisa compreender que existem pessoas que podem ter dificuldade para ouvir essas discussões e acolher isso também faz parte do processo", ponderou.

Para ela, a mudança acontece gradualmente. "O esporte seguro é um trabalho de formiguinha. É pouco a pouco, porque também tem uma questão de cultura. A gente precisa desse passo a passo para que as pessoas entendam a importância e como podem fazer parte dessa transformação."

Uma das provas disso é o treinador da Confederação Brasileira de Boxe, Mateus Alves, que fez parte do painel Mentalidade do Alto Rendimento e o Desafio dos Treinadores na Transição das Gerações. Dono de oito medalhas olímpicas — quatro como assistente técnico e quatro como treinador principal —, ele acredita que poderia recorrer ao próprio currículo para justificar que não precisaria rever métodos. Mas escolheu fazer exatamente o contrário.

"Eu poderia simplesmente dizer: tenho oito medalhas olímpicas, não vou mudar nada. Me esconder atrás do resultado. Mas cabe a autoanálise. Não é porque eu ganhei quatro medalhas olímpicas como treinador principal que eu sou um treinador perfeito. Eu posso ter passado do ponto com um atleta. Preciso ter humildade para perceber que posso melhorar."

Ao mesmo tempo, Mateus fez questão de defender que esporte seguro não significa abrir mão da exigência inerente ao alto rendimento. "Não podemos confundir e achar que para ser seguro o esporte não pode ser rígido com os atletas de alto rendimento. Precisamos entender que existem contextos diferentes. O esporte seguro não pode ser um escudo para impedir qualquer tipo de cobrança. Esse é o grande diálogo que a gente precisa ter."

A relação direta entre ambiente esportivo e desempenho também foi reforçada pela presidente da Comissão de Atletas do COB (CACOB), Fernanda Nunes, participante do painel de Joanna Maranhão. Segundo ela, a ciência já demonstra que bem-estar e resultado caminham juntos.  "As pesquisas apontam que um bom ambiente esportivo favorece a performance."

Na prática, explica Fernanda, isso significa compreender que abusos, assédio moral ou relações tóxicas não representam apenas um problema ético. E certamente não são apenas focados nos competidores. "Se o ambiente em que o atleta está é tóxico, se ele presencia diversos tipos de assédio moral, de abuso psicológico, com certeza isso vai interferir na carreira dele."

Ao reunir quem formula políticas, quem administra o esporte, quem treina e quem compete, o III Fórum Esporte Seguro mostrou que o debate já ultrapassou a fase da conscientização. O desafio agora é transformar conhecimento em rotina, procedimentos em cultura e compromisso em prática cotidiana. Porque, quando o objetivo é formar campeões, proteger a jornada do atleta deixa de ser apenas uma obrigação institucional. Passa a ser parte da própria estratégia para alcançar a excelência esportiva.

Segundo o presidente Marco La Porta, o compromisso do COB com o tema é permanente. "Para o Comitê Olímpico do Brasil, o Esporte Seguro é um assunto inegociável. Não abrimos mão de ter um ambiente seguro para o atleta. Um fórum como este permite que a gente faça essa discussão no mais alto nível", encerrou.

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