Logo
Homeganeado
Alexandre Welter e Lars Björkström

Alexandre Welter e Lars Björkström

modalidade

Vela

data e local de nascimento

edições dos jogos olímpicos

Moscou 1980

BIOGRAFIA

Na história do esporte olímpico brasileiro, existem conquistas que fazem mais do que somar ao quadro de medalhas — elas mudam a trajetória de uma modalidade inteira. A medalha de ouro conquistada por Alexandre Welter e Lars Björkström nos Jogos Olímpicos Moscou 1980 é uma dessas conquistas. Mais do que uma vitória épica no Mar Báltico, ela foi um ponto de inflexão: o momento em que a vela brasileira deixou de ser promessa para se afirmar, perante o mundo, como realidade.

Antes desse momento, porém, havia dois caminhos distintos. Dois percursos construídos em geografias, culturas e experiências completamente diferentes — separados por oceanos, idiomas e visões de mundo — mas que encontrariam no vento um ponto de encontro inevitável.

 

Alexandre Welter: a paixão que começa na infância

 

Alexandre Welter nasceu em São Paulo, em 1953, filho de imigrantes europeus. Seu pai era alemão, sua mãe, austríaca. Cresceu frequentando colégio alemão, em um ambiente marcado pela disciplina, pela valorização do estudo e por uma formação estruturada. Mais tarde, cursou Engenharia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e seguiu carreira profissional em multinacionais alemãs — primeiro na Alemanha, depois de volta ao Brasil.

Mas havia outra dimensão que se desenvolvia em paralelo a essa trajetória. Uma dimensão que não cabia em salas de aula ou escritórios.

"A minha paixão, meu lazer, sempre foi a vela", conta Alex. "Eu iniciei bastante cedo no esporte e dediquei muito tempo a esse esporte — e dedico até hoje, por realmente gostar."

Foi na represa de Guarapiranga, em São Paulo, que esse encontro aconteceu. Em uma época em que a vela brasileira ainda não contava com as categorias de base que existem hoje — não havia ainda o Optimist, o barco com que a maioria das crianças começa agora —, Alex começou a velejar na classe Pinguim, sempre em dupla, aos 12 anos de idade.

Essa característica — o esporte compartilhado, a navegação feita a dois — moldaria profundamente sua forma de competir. Ali, construiu sua base. Competiu, observou, aprendeu com atletas mais experientes. Conviveu com nomes como Reinaldo Conrad, o primeiro medalhista olímpico brasileiro na vela, e com York Bruder, tricampeão mundial na classe Finn, que frequentavam a represa. Desses homens, Alex absorveu conhecimento, estilo e a compreensão de que a excelência na vela se constrói com paciência e profundidade.

"Na minha época, na minha geração, a vela sempre foi um esporte para amadores", lembra Alex. "Não havia profissionais, não havia uma carreira de atleta profissional."

Os atletas da sua geração conciliavam treinos com trabalho, custeavam viagens com recursos próprios e improvisavam equipamentos. A evolução dependia menos de estrutura institucional e mais de iniciativa, disciplina e convivência com outros velejadores. Ainda assim, Alex avançou — participou de campeonatos nacionais e internacionais e chegou a ser campeão mundial júnior na classe Pinguim, em competição realizada nos Estados Unidos. Um marco que sinalizava que sua trajetória poderia ir além das águas da represa.

Depois do Pinguim, partiu para classes olímpicas, chegando ao Finn — barco de um só velejador, bastante desafiador — e participou dos Jogos Olímpicos Munique 1972 e Montreal 1976 como reserva da equipe brasileira. A experiência olímpica, ainda que em segundo plano, foi fundamental para moldá-lo.

 

Lars Björkström: o sueco que encontrou o Brasil pelo caminho

 

Do outro lado do mundo, Lars Björkström construía uma trajetória completamente distinta.

Nascido na Suécia, cresceu em um ambiente naturalmente conectado ao universo náutico. Seu pai tinha ligações com o mundo da vela — havia um sobrinho dentista que vivia velejando pelo Mediterrâneo, levando pacientes como tripulação. Lars aprendeu a velejar cedo, incentivado pela família, em cursos que usavam embarcações históricas. Uma escola de vela diferente de qualquer outra: um pequeno navio reformado, com dois mastros, que havia sido usado para levar práticos ao Canal da Mancha.

Mas o que realmente definiria o rumo da vida de Lars foi o espírito de aventura.

Após concluir seus estudos, um amigo lhe fez uma proposta: antes de começar a trabalhar de verdade, fazer uma grande viagem. Comprar uma motocicleta em Nova York e descer pela América do Sul. Lars topou.

"Deu quase um ano circulando mais para o Sul", relembra Lars. "E nem todas as estradas eram boas como as de Brasília hoje. Mas foi uma aventura bem legal."

Durante essa travessia, Lars vivenciou situações que iam muito além do turismo. Em cidades pelo interior, ele e o amigo chegavam na moto e as pessoas os recebiam em casa — queriam ouvir as histórias, saber de onde vinham, para onde iam. Era um Brasil hospitaleiro e curioso, que se encantava com aqueles dois estrangeiros de motocicleta atravessando o continente.

"Iam ouvir nossas histórias", lembra Lars com carinho. "Esse lado humano, praticamente não tivemos nenhum problema complicado. Só positivo mesmo."

Ao chegar ao Brasil, Lars encontrou um país que lhe abria portas. Tinha contatos no Clube Escandinavo de São Paulo. Encontrou trabalho com facilidade — engenheiros com experiência e fluência em inglês eram bastante requisitados. Trabalhou em construção elétrica no Paraná, depois em seguros na Avenida Paulista, em um escritório que reunia representantes de empresas europeias — suecas, japonesas, alemãs, francesas.

Mas a vela nunca saiu do seu horizonte. E foi ela que o faria cruzar o caminho de Alex Welter.

 

O encontro: a fome com a vontade de comer

 

O encontro entre Alex Welter e Lars Björkström aconteceu em meados da década de 1970 — por volta de 1975 — e é uma dessas histórias que parecem ter sido escritas para funcionar.

Lars havia conseguido, com a ajuda de conexões diplomáticas e de um familiar que fazia viagens de navio para a China, trazer ao Brasil um catamarã da classe Tornado. Importar barcos era proibido na época, sujeito a alfândegas proibitivas. Mas Lars tinha um caminho alternativo. O barco chegou, foi colocado no gramado de um clube vizinho à represa de Guarapiranga.

Alex viu o barco antes de conhecer o homem.

Ele já havia tentado importar um Tornado por conta própria — a classe tinha acabado de se tornar olímpica, e Alex queria velejar nela. Mas os obstáculos burocráticos eram intransponíveis. Quando viu aquela embarcação estranha e fascinante parada no gramado do clube vizinho, foi direto investigar. Descobriu que o dono era um sueco chamado Lars.

"Eu quando vi esse barco, eu fiquei fascinado. Fui atrás de quem era esse barco", conta Alex. "E foi assim que eu fiz contato com o Lars."

Lars, por sua vez, tinha o barco e a experiência de velejar catamarãs — algo ainda pouco comum no Brasil —, mas precisava de alguém que conhecesse o cenário local: onde eram os campeonatos, como levar o barco para o Rio de Janeiro, como se mover no mundo náutico brasileiro.

"Juntou a fome com a vontade de comer", resume Alex. "Ele tinha pouco conhecimento local, e eu estava sedento, sedento para conhecer o Tornado. O Lars já tinha uma experiência nesse barco, além de ter o barco, ele tinha a experiência de velejar um catamarã, que para mim era totalmente novidade."

"Foi um encontro muito feliz", recorda Alex. "Eu sou muito grato por ter conhecido o Lars, por ter tido a oportunidade de, durante anos, conviver em estreita harmonia, não só fora do barco, mas principalmente a bordo."

 

A construção de uma dupla — dentro e fora do barco

 

A parceria entre Alex e Lars não se construiu da noite para o dia. Ela foi sendo forjada em competições, viagens, dificuldades compartilhadas e na convivência intensa que a vela de dupla exige.

Na classe Tornado, há uma lógica que não se aprende em teoria: dois atletas precisam se tornar um só dentro do barco. A comunicação tem que ser quase instintiva. O tripulante — geralmente suspenso no trapézio, pendurado para fora do casco — tem uma visão privilegiada do cenário ao redor: os outros barcos, as condições do vento, as boias do percurso. E o timoneiro comanda o barco, lê o vento, decide os ângulos.

"A dupla, no caso, tem que ser muito bem integrada", explica Alex. "E com o Lars isso funcionou muito bem."

O entrosamento entre eles tinha uma base cultural que ajudava. Alex, filho de alemão com austríaca, cresceu em um ambiente europeu dentro do Brasil. Lars, sueco que havia adotado o país como lar, assimilou profundamente a cultura brasileira. Havia entre eles uma língua em comum que ia além das palavras.

"Esse misto de culturas facilitou o nosso entrosamento, o nosso entendimento", conta Alex. "E o que era perfeito, não só a bordo, mas também fora das regatas — e isso, para uma dupla, é muito importante."

Mas o caminho até Moscou não foi fácil. Em 1976, a dupla disputou o Campeonato Mundial de Tornado, na Austrália — sua primeira experiência internacional juntos. Chegaram esperançosos de que o bom desempenho lhes garantisse uma vaga para os Jogos Olímpicos Montreal 1976, no Canadá. Não conseguiram o índice. Voltaram com a experiência, mas sem a classificação.

Foram redobrar o empenho. A partir de 1976, passaram a se dedicar fortemente ao Tornado — divididos entre o Brasil e a Europa, onde disputavam campeonatos e onde Lars mantinha um barco guardado na Suécia, na casa da irmã, com o cunhado emprestando um furgão para o transporte do equipamento até as competições.

"Chegamos até a dormir em barraca dentro do furgão. Vida realmente de atleta amador, sem muito recurso", conta Alex com um sorriso na voz. "Contando, claro, sempre com o apoio da Confederação Brasileira de Vela e Motor, na época, e do COB. Mas era um apoio mais de logística e material. Financeiramente, dependíamos realmente do nosso trabalho e de recursos próprios."

Essa realidade era muito diferente da que encontravam nos países do bloco soviético, onde os esportistas eram tratados como membros privilegiados do regime. "Logo notamos que os atletas lá tinham um padrão de vida diferenciado em relação ao restante da população", lembra Alex. "Eles podiam se dedicar praticamente de forma integral ao esporte."

Alex e Lars, por outro lado, conciliavam competições com vida profissional. Alex trabalhava em multinacionais alemãs. Lars tinha suas próprias atividades. O esporte era levado com seriedade máxima — mas com os recursos de quem não tem outra fonte de renda além do próprio trabalho.

 

A preparação para Moscou — um barco de muitas origens

 

Na reta final para os Jogos Olímpicos Moscou 1980, a dupla intensificou a preparação. Participaram de campeonatos europeus e pré-olímpicos no mar Báltico — o mesmo cenário das competições em Tallinn, na Estônia, então parte da União Soviética.

Conhecer o ambiente de antemão foi uma vantagem enorme. Água muito fria, mesmo no verão — por volta de 13 a 14 graus —, regatas longas e afastadas da costa, condições que exigiam roupas de borracha semelhantes às de mergulhadores. Adversários de países com forte tradição náutica, como Suécia, Dinamarca, Austrália e Nova Zelândia.

O principal rival era Vladimir Potapov, da União Soviética. Medalhista olímpico em outras classes, campeão mundial da classe Tornado no próprio ano olímpico, ele chegava como o favorito absoluto. "A imprensa mundial, principalmente a soviética, o considerava uma medalha de ouro certa, garantida", conta Alex.

Para competir nesse nível, Alex e Lars fizeram algo que revelava o grau de comprometimento com os detalhes: montaram um barco a partir dos melhores componentes disponíveis no mercado mundial — o casco era alemão, os lemes eram suíços, as velas eram inglesas. Não era um barco único de um único fabricante. Era uma composição cuidadosamente selecionada, desenvolvida ao longo de anos de competição.

"A gente foi testando muitos materiais, muitas velas e muitos equipamentos. Lemes, bolinas… e o nosso barco na verdade era uma composição de materiais de diversos fabricantes", explica Alex. "Essa composição que a gente foi desenvolvendo ao longo das competições se mostrou muito boa."

Uma das velas — a que havia apresentado os melhores resultados em um campeonato europeu — foi guardada especialmente para os Jogos Olímpicos. Nos meses anteriores, competiram com outras velas, preservando a vencedora para o momento certo. Era o pensamento de quem sabia que, quando o dia chegasse, não poderia haver margem para arrependimento.

 

Tallinn, 1980 — a conquista que o Brasil não esperava

 

Os Jogos Olímpicos de Moscou foram marcados por um contexto geopolítico turbulento. O boicote dos Estados Unidos e de outros países ocidentais — em protesto à invasão soviética do Afeganistão — esvaziou parte do campo de competidores. Mas o Brasil foi a Moscou. E a equipe de vela, baseada em Tallinn, na Estônia, entrou na competição sem ser apontada como favorita.

Alex e Lars chegaram com uma expectativa modesta, mas realista: "Entramos esperando, se tudo der certo, quem sabe a gente crava um bronze, uma boa colocação."

A delegação teve a oportunidade de participar da cerimônia de abertura dos jogos em Moscou. A impressão foi marcante. "Vimos a maravilha que foi aquela abertura. A disciplina soviética em apresentar uma festa realmente magnífica. Eu lembro bem aquele momento do Misha, aquele ursinho, símbolo dos Jogos", recorda Alex. "Foi encantador. Foi maravilhoso."

De volta a Tallinn, as regatas começaram. A competição era formada por sete provas, com possibilidade de descartar o pior resultado.

Nos quatro primeiros dias de regata, a dupla brasileira foi bem. Estavam entre os primeiros colocados. E o russo Potapov — o favorito absoluto, aquele que todos esperavam que fosse dominar a prova — não estava rendendo como de costume. A pressão da expectativa parecia estar pesando.

"Eu ainda achava que ele tinha forte chance de recuperar", lembra Alex. "Mas ele foi sentindo a pressão. Só ganhou a última regata, mas aí era tarde."

Após o dia de descanso que separou as primeiras quatro regatas das três seguintes, a quinta e a sexta corridas chegaram com vento de intensidade média para forte — as condições ideais para a dupla brasileira. Ganharam as duas. A liderança estava consolidada.

"Tanto é que na chegada da sexta regata, que nós ganhamos, a gente ficou na dúvida: eventualmente, até por antecipação, antes da última regata, a gente já teria ganho", conta Alex.

E foi exatamente o que aconteceu. Antes mesmo da sétima e última prova, quando um sinal sonoro ecoou no mar e lanchas vieram em direção à embarcação brasileira, a confirmação chegou: Alex e Lars haviam conquistado o ouro olímpico. A primeira medalha de ouro do Brasil na vela.

"Foi quando a gente se questionou: 'Puxa, será que nós ganhamos já?' E foi fato. Então foi uma alegria muito grande", conta Alex. "É uma surpresa, claro. De não só ter ganho, mas até por antecipação."

O técnico da delegação de vela, Clóvis Pupo, foi um dos primeiros a chegar até eles depois da confirmação. E disse uma frase que Alex guardou para sempre: "Olha, vocês não fazem ideia da conquista que vocês acabaram de obter."

"Isso me fez refletir bastante", recorda Alex. "O Clóvis sempre foi uma pessoa muito sincera e assertiva. E quem sabe ele tem razão? Foi algo inédito, foi algo fantástico. E de fato foi. Começou a cair a ficha nesse momento."

 

O impacto histórico: a quarta medalha de ouro do Brasil

 

Para entender o peso daquela conquista, é preciso recuar no tempo.

Antes da medalha de Alex e Lars, o Brasil tinha apenas três medalhas de ouro olímpicas em toda a sua história. Uma no tiro do Guilherme Paraense, e duas com o lendário Adhemar Ferreira da Silva no salto triplo — sendo a última em 1956, nos Jogos de Melbourne. Haviam se passado 24 anos desde que o Brasil conquistara um ouro olímpico.

"Desde a última medalha do Adhemar, em 56, nos Jogos Olímpicos de Melbourne, se passaram 24 anos até o Brasil conquistar mais uma medalha, a quarta de ouro", conta Alex. "E isso, eu acho, deu um destaque grande para um esporte que, pelo menos na época, era pouco difundido, pouco conhecido aqui no Brasil."

A vela brasileira existia antes de 1980. Tinha atletas renomados, tinha tradição em Guarapiranga e em outros centros náuticos do país. Mas era um esporte que poucos acompanhavam, poucos entendiam. A conquista de Moscou mudou isso.

Nos anos e décadas seguintes, a vela brasileira floresceu. Torben Grael — cinco medalhas olímpicas — e Robert Scheidt — também cinco medalhas olímpicas — tornaram o Brasil uma referência mundial. Não por acaso, os dois citam a conquista de Alex e Lars como parte da história que os inspirou e abriu caminho.

"Nos dá uma satisfação muito grande poder ter aberto o caminho para atletas de outras gerações praticarem e se destacarem na vela. De repente, também com mais condições, com mais recursos, com mais credibilidade", reflete Alex.

 

Uma parceria que durou além do barco

 

A história de Alex e Lars não é apenas a de uma conquista esportiva. É a história de uma parceria que se tornou algo maior do que o esporte.

Lars Björkström, o sueco aventureiro que chegou ao Brasil de motocicleta, acabou ficando. Construiu vida aqui. Encontrou uma companheira, teve filhos, formou família. O Brasil, que havia sido um destino em uma viagem de aventura, tornou-se seu lar definitivo.

"Não precisava contar para os suecos que eu virei brasileiro", diz Lars, com o bom humor de quem viveu muito. Sua naturalização não foi apenas um processo burocrático — foi uma afirmação de pertencimento.

Dentro do barco, Alex e Lars funcionavam como um só. Fora dele, eram amigos. A convivência de anos de competição, de viagens pela Europa em furgão, de noites dormindo em barraca, de regatas no frio do Mar Báltico e no calor das competições brasileiras — tudo isso construiu um vínculo que vai além do esporte.

"Eu sou muito grato por ter conhecido o Lars e por termos convivido tantos anos, em harmonia, dentro e fora do barco", resume Alex.

Lars, agora com mais de 80 anos, ainda mora no Brasil. Ainda é parte desta história. E quando se senta para conversar sobre os tempos de competição, as memórias que mais emergem não são os resultados ou os troféus — são as pessoas, os encontros, as histórias que ficaram pelo caminho.

 

Pioneiros — e o reconhecimento que o tempo confirmou

 

Quando o Comitê Olímpico do Brasil decidiu incluir Alex Welter e Lars Björkström no Hall da Fama, em uma edição inédita da premiação que pela primeira vez homenageia duplas, foi o reconhecimento tardio — mas preciso — de uma conquista que ajudou a moldar o esporte brasileiro.

"Eu fiquei muito emocionado com esse convite. Fiquei lisonjeado. Eu acho que é um reconhecimento, talvez até tardio, mas em boa época", diz Alex. "Ano passado fizemos 45 anos desde a nossa conquista em Tallinn. Então é um orgulho e uma alegria muito grande poder estar integrando esse rol de famosos atletas do COB."

Alexandre Welter e Lars Björkström não foram apenas campeões olímpicos. Foram os primeiros. Foram os que chegaram sem que o caminho estivesse pronto, sem que houvesse estrutura suficiente, sem que ninguém esperasse que eles ganhassem. E ganharam.

Mostraram que o Brasil podia competir e vencer em uma modalidade dominada por países com séculos de tradição náutica. Abriram uma porta que muitos outros atravessariam depois.

E provaram que, no esporte — assim como no mar —, grandes conquistas não nascem do acaso. Elas são construídas. Na parceria. Na confiança. Na persistência. No tempo.

E na capacidade rara de dois atletas, vindos de mundos completamente diferentes, se tornarem um só — guiados pelo mesmo vento, na direção de um mesmo horizonte.

Alexandre Welter e Lars Björkström

1

Medalhas em Jogos Olímpicos

Homeganeado

Categoria: Dupla

Alexandre Welter​

30/6/1953, São Paulo-SP

Lars Sigurd Björkström​

19/11/1943, Gotemburgo, Suécia​ 

 

Homeganeado

GALERIA DE FOTOS

RESULTADO EM DESTAQUE

ediçãoresultadoprova
Jogos Olímpicos Moscou 1980
1º LugarOuro
Tornado

ACERVO

)