Virna e Mireya Luis relembram na COB Expo rivalidade entre Brasil e Cuba que marcou o vôlei mundial
Ícones de geração histórica do voleibol estarão juntas para revisitar confrontos, bastidores e a influência de uma relação que ajudou a elevar o nível da modalidade

KAZUHIRO NOGI / AFP via Getty Images
Grandes rivalidades fazem parte da história do esporte. Elas colocam frente a frente atletas e equipes que querem vencer, mas também criam um ambiente em que cada lado é constantemente levado a buscar uma versão melhor de si mesmo. No voleibol feminino, poucas disputas representam tanto essa ideia quanto os históricos confrontos entre Brasil e Cuba.
É essa história que Virna e Mireya Luis vão revisitar no dia 1º de outubro, às 18h, na COB Expo 2026, durante a plenária “Brasil x Cuba: a rivalidade que marcou o voleibol feminino”. Dentro das quadras, as duas foram protagonistas de uma disputa que atravessou a década de 1990 e chegou ao início dos anos 2000. Fora delas, agora terão a oportunidade de olhar para aquele período com a perspectiva de quem viveu cada capítulo.
“É um orgulho poder estar ao lado da Mireya. Se hoje o vôlei feminino é essa potência, é graças à Cuba!”, afirma Virna, medalhista olímpica de bronze em Atlanta 1996 e Sydney 2000. A ex-ponteira brasileira reconhece que a força da equipe cubana serviu como referência para uma transformação importante no voleibol nacional.
“A gente perdeu algumas vezes para elas e foi através dos intercâmbios e das muitas idas à Cuba que revolucionamos nossa parte física. Elas foram referências para o nosso vôlei”, completa.
Mireya, tricampeã olímpica com Cuba, também guarda Atlanta 1996 como um dos momentos mais emblemáticos daquela rivalidade. Naquela edição dos Jogos, brasileiras e cubanas se enfrentaram na disputa por uma final — e o confronto deixou marcas para além do resultado.
“Quando penso na rivalidade entre Cuba e Brasil, sempre me vêm à mente momentos bonitos. Compartilhamos muitas ocasiões juntas. As duas equipes, jogadoras, técnicos, dirigentes. Mas uma em particular sempre me ocorre: Atlanta 96, quando nos enfrentamos no caminho por uma medalha, por um lugar para nosso time, nosso país. Foi um momento transcendental”, relembra Mireya.
Para a cubana, aquele período também representou uma mudança na maneira como o Brasil passou a se preparar para enfrentar as principais potências do mundo. “Eu me lembro que Virna, por exemplo, dizia que a preparação física não era tão forte como passou a ser feita depois de ver como nós, cubanas, nos preparávamos. E isso, de certa forma, foi uma pauta no desenvolvimento do voleibol brasileiro”, conta.
A rivalidade, portanto, não se limitou à disputa por títulos. O domínio cubano durante parte dos anos 1990 estabeleceu um parâmetro para uma geração brasileira que buscava chegar ao topo. E o Brasil respondeu com evolução, investimento, intercâmbio e uma nova preparação para o alto rendimento.
O resultado dessa transformação apareceria também nos Jogos Olímpicos. Depois do bronze em Atlanta 1996, o Brasil voltou ao pódio com o bronze em Sydney 2000. A geração seguinte levou a Seleção feminina a um novo patamar, com os ouros em Pequim 2008 e Londres 2012. Ainda houve a prata em Tóquio 2020 e o bronze em Paris 2024, consolidando uma trajetória olímpica de sucesso construída ao longo de décadas.
É esse caminho — dos confrontos que paravam o mundo do voleibol aos aprendizados que ficaram para as duas escolas — que Virna e Mireya vão revisitar na COB Expo 2026. Duas protagonistas de uma rivalidade que, mais do que produzir grandes partidas, ajudou a transformar atletas, equipes e o próprio esporte.
COB Expo 2026
De 30 de setembro a 4 de outubro
Pro Magno Centro de Eventos, São Paulo
Endereço: Avenida Professora Ida Kolb, 513 – Jardim das Laranjeiras – São Paulo/SP












