Sebastian Pereira lidera nova geração do Time Brasil em Dakar 2026
Chefe de Missão destaca papel formativo dos Jogos Olímpicos da Juventude e os cuidados para oferecer aos jovens atletas uma experiência segura, positiva e marcante no Senegal

Foto: Wander Roberto/COB
Sebastian Pereira conhece os Jogos Olímpicos por diferentes perspectivas. Já esteve do lado do atleta, como judoca em Atlanta 1996, construiu uma trajetória na gestão esportiva e acompanhou diferentes gerações do Time Brasil em eventos multiesportivos. Agora, em Dakar 2026, reúne essas experiências para liderar uma delegação formada por jovens que, em muitos casos, vivem pela primeira vez o ambiente olímpico.
E é justamente essa característica que torna a missão no Senegal tão especial para o chefe de missão. Acostumado a trabalhar com jovens atletas, Sebastian enxerga os Jogos Olímpicos da Juventude não apenas como uma competição, mas como uma etapa de formação capaz de influenciar a relação deles com o esporte e com o Movimento Olímpico ao longo de toda a carreira.
“Eu particularmente adoro trabalhar com os mais jovens porque eles têm fome de conhecimento, de vivência, de experiências. Tudo é novo. É uma oportunidade única de vivenciar uma competição multiesportiva, com toda essa troca e essa questão multicultural, que é muito rica. Quem dera eu, na minha época de atleta, tivesse tido essa oportunidade tão jovem”, afirma.
Mais do que proporcionar as melhores condições para que os atletas possam competir, Sebastian acredita que uma das missões do Time Brasil em Dakar é fazer com que os jovens construam uma relação positiva com esse ambiente. Para muitos deles, a passagem pelo Senegal pode ser o primeiro passo de uma trajetória que passe futuramente por Jogos Sul-americanos, Pan-americanos e, finalmente, pelos Jogos Olímpicos.
Por isso, a maneira de liderar também leva em consideração a idade da delegação. Se atletas adultos chegam às missões com experiências, hábitos e referências construídos ao longo da carreira, os jovens ainda estão formando a própria percepção sobre o alto rendimento e sobre o que significa representar o país em uma competição multiesportiva.
“O jovem está sendo moldado para esse futuro que estamos criando. Tudo o que oferecemos na missão, comunicação, Esporte Seguro, fisioterapia, parte médica e os demais serviços, é uma experiência que muitos deles ainda não tiveram em suas modalidades. Queremos que se sintam bem, que aproveitem e tenham vontade de vivenciar isso mais vezes”, explica.
O acompanhamento próximo dos atletas também passa pela estrutura montada pelo Time Brasil na Vila Olímpica. A base brasileira reúne profissionais de diferentes áreas para dar suporte à delegação durante toda a missão. Além das equipes de logística, transporte, hospedagem e gestão esportiva, o Time Brasil conta com uma estrutura de saúde composta por três médicos, três fisioterapeutas e um massoterapeuta. O trabalho integrado busca garantir atendimento e acompanhamento aos atletas ao longo da competição.

Além disso, para ele, o cuidado ganha uma dimensão adicional pelo fato de muitos atletas serem menores de idade. Nesse cenário, segurança, acompanhamento e proteção tornam-se elementos centrais da atuação da chefia de missão.
“São jovens, são menores de idade, e isso traz uma preocupação muito grande em termos de segurança. Temos que estar atentos e protegendo todos eles o tempo todo para que tenhamos uma missão tranquila e segura. Queremos proporcionar uma experiência única para que tenham vontade de voltar em outras missões e de fazer parte do Movimento Olímpico pelo resto de suas vidas, seja como atletas ou em outras funções.”
Deslocamento e calor estão entre os principais pontos de atenção
Para que essa experiência seja positiva, porém, existe uma grande operação acontecendo nos bastidores. Em Dakar, alguns aspectos exigem atenção especial da chefia de missão e das equipes do Time Brasil, entre eles os deslocamentos e as altas temperaturas.
As distâncias entre a Vila Olímpica e alguns locais de competição podem resultar em trajetos demorados, especialmente diante das condições do trânsito. Por isso, preparação e hidratação estão entre as orientações reforçadas com atletas e comissões técnicas.
“Temos reforçado junto aos atletas e às comissões técnicas a importância de uma hidratação adequada e de se preparar para esses trajetos entre os locais de competição, as estações de trem e a Vila Olímpica. Dependendo do local e do tráfego, um transporte pode durar uma hora e meia ou até duas horas. É uma preocupação permanente, principalmente quando consideramos os horários de competição”, explica Sebastian.
O calor é outro componente importante da operação. Apesar da avaliação positiva da infraestrutura disponibilizada aos atletas, as temperaturas elevadas exigem cuidado principalmente com o descanso e a recuperação.
“A infraestrutura da Vila é excelente. São instalações de uma universidade bem estruturada e várias das melhorias feitas para os Jogos vão deixar um legado muito legal. A questão é que, considerando o calor nesta época do ano, precisamos ter atenção especial com o descanso. Então vamos avaliando dia a dia aquilo que precisamos fazer para amenizar os efeitos das temperaturas”, afirma.
Experiência de atleta a serviço da nova geração
A missão em Dakar também carrega um significado pessoal para Sebastian. Ex-atleta de alto rendimento, ele conhece por experiência própria o impacto que uma competição desse porte pode ter na formação de um esportista. Hoje, do outro lado, transforma a bagagem construída dentro e fora das áreas de competição em ferramenta para conduzir uma nova geração do Time Brasil.
Antes de seguir carreira na gestão esportiva, Sebastian disputou os Jogos Olímpicos Atlanta 1996, conquistou o bronze no Mundial de Birmingham 1999 e nos Jogos Pan-americanos Winnipeg 1999, além de ter sido campeão mundial júnior e militar. Formado em Educação Física, posteriormente trabalhou como gerente de Competição e Instalações Esportivas nos Jogos Pan-americanos e Parapan-americanos Rio 2007 e iniciou sua trajetória no COB.
Esse caminho permite que ele reconheça no entusiasmo dos jovens brasileiros sentimentos que também fizeram parte de sua própria formação como atleta. A diferença é que, agora, sua responsabilidade está em compartilhar o conhecimento acumulado e contribuir para que eles construam as próprias histórias.
“Para mim, é um reconhecimento de tudo o que venho transmitindo e, espero, inspirando. Ter a oportunidade de estar presente, influenciando, liderando, dividindo experiências e aprendizados é muito rico. Poder ser um exemplo para atletas, pessoas e gestores é uma das coisas mais importantes.”











