Nova geração da canoagem velocidade ganha espaço e mostra força do Brasil nos Jogos Sul-Americanos

Dois ouros de Filipe Vieira, 24, e prata de Lucas Santos, 18, ao lado de Jacky Godmann, em Santa Fé evidenciam a renovação da modalidade

Por Comitê Olímpico do Brasil

25 de set, 2026 às 17:44 | 6 minutos de leitura

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A canoagem velocidade brasileira vive um momento de renovação. Ao lado de atletas que já construíram uma trajetória internacional, uma nova geração começa a assumir protagonismo e a transformar resultados nas categorias de base em medalhas também nas principais competições do calendário. Nos Jogos Sul-Americanos Santa Fé 2026, na Argentina, esse movimento ganhou mais um capítulo com as três medalhas de Filipe Vieira, incluindo duas de ouro, além da prata de Lucas Santos, de apenas 18 anos. 

Aos 24 anos, Filipe Vieira representa justamente essa transição. Natural de Ubaitaba, na Bahia, uma das cidades que se tornaram referência na formação de atletas da modalidade, o canoísta chegou ao topo do pódio em Santa Fé e conquistou a primeira medalha de ouro do Brasil na canoagem velocidade na competição na manhã desta sexta-feira, 25, na Lagoa Setúbal, vencendo o C1 500m.

Depois da prova, Filipe contou que adotou uma estratégia agressiva desde a largada. Ao perceber que o argentino Aramís Sanchez, que estava entre seus principais adversários, não conseguia acompanhar seu ritmo, decidiu abrir vantagem e controlar a prova.

“Saí, percebi que ele não foi, fui para frente e me mandei. Chegou no final, ele veio apertando. Aí, eu vi ele vindo e falei: não vou deixar passar também agora não. Fui, fui e cheguei.”. Ele ainda entraria na água duas vezes, saindo sempre com a medalha. 

 

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Foto: Rafael Bello/COB



Em um autêntico encontro de gerações, foi ouro no C2 500m misto, ao lado de Valdenice Nascimento, 36 anos, medalhista em mundial adulto e atleta olímpica em Paris 2024. A disputa pelo ouro foi decidida por apenas dois décimos contra uma dupla chilena que também contava com uma atleta veterana, Maria José Mailliard, e um representante da nova geração, Matías Jiménez. 

E já na tarde, finalizou sua participação com uma prata no C1 1.000m, invertendo posições no pódio com Aramís Sanchez, que levou o ouro para a Argentina.

As conquistas em Santa Fé trazem um significado especial na trajetória de Filipe. Ele começou na canoagem em 2013, ainda criança, inspirado pelo irmão e pela mãe, que também praticava a modalidade. Alguns anos depois, chegou à Seleção Brasileira e passou a treinar em Lagoa Santa (MG), convivendo com nomes como Isaquias Queiroz e Erlon de Souza.

 

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Foto: Rafael Bello/COB



Desde então, acumulou participações em Campeonatos Mundiais, Copas do Mundo e competições de base. Em 2024, por exemplo, já aparecia entre os principais atletas brasileiros do C1, disputando título de provas diretamente com Isaquias Queiroz e Gabriel Assunção Nascimento. A coincidência é que justamente o primeiro treinador, Figueroa Souza, o acompanha na competição em Santa Fé.

“Eu comecei em 2013. Meu irmão também praticava canoagem e minha mãe também já praticou. De lá para cá me destaquei, fui para a Seleção em 2019, em Lagoa Santa, treinando junto com o Isaquias, o Jacky e o Erlon. Fui me destacando e participando de Campeonato Mundial, Copa do Mundo e outras competições”, contou Filipe.

Lucas Santos: de campeão mundial júnior a medalhista em Santa Fé
Se Filipe representa uma geração que já começa a ocupar espaço entre os adultos, Lucas Santos é um dos nomes que simbolizam a próxima etapa da renovação.

Aos 18 anos, o baiano teve uma temporada internacional de destaque em 2026. No Campeonato Mundial Júnior e Sub-23, disputado no Canadá, Lucas conquistou três medalhas de ouro. Foi campeão do C1 500m pelo segundo ano consecutivo, venceu o C1 200m e também integrou a equipe brasileira campeã do C4 500m, ao lado de Rafick Santos, João Pedro Silva e Tailon Nascimento. O título no C1 500m manteve uma sequência iniciada em 2025, quando Lucas, então com 17 anos, conquistou seu primeiro ouro mundial na categoria júnior, também nos 500m.

 

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Foto: Rafael Bello/COB



Em Santa Fé, Lucas deu mais um passo nessa transição para o alto rendimento adulto. Ao lado de Jacky Godmann, de 27 anos, conquistou a medalha de prata no C2 500m. A dupla brasileira terminou a prova em 1min35s43, apenas cinco centésimos atrás dos argentinos Santiago Piedras e Aramís Sánchez.

A imagem da dupla também representa o encontro de diferentes gerações da canoagem brasileira: de um lado, Lucas, um dos principais nomes surgidos recentemente das categorias de base; do outro, Jacky, de 27 anos, atleta que já disputou duas edições dos Jogos Olímpicos e conquistou em 2026 sua primeira medalha em Campeonato Mundial adulto, a prata no C2 500m ao lado de Gabriel Assunção Nascimento.

Uma geração que já chega com títulos mundiais
Lucas não está sozinho. O desempenho brasileiro nas categorias de base mostra que a renovação é formada por um grupo de atletas. No Mundial Júnior e Sub-23 de 2026, além dos três ouros de Lucas, o Brasil conquistou títulos com Tailon Nascimento, 17 anos, no C1 1000m, e Lorrane Souza, 17, no C1 500m feminino. O país encerrou a competição com seis medalhas — cinco de ouro e uma de bronze.

João Pedro Silva, 17, também chamou atenção. Natural de José de Freitas, no Piauí, o atleta foi campeão mundial no C4 500m ao lado de Lucas, Rafick e Tailon. Formado na Escola Iporanga de Canoagem, ele atualmente integra a Seleção Brasileira permanente e treina em Lagoa Santa, centro que se tornou uma das principais bases de desenvolvimento da modalidade no país. 

E a geração que vem ainda mais abaixo em termos de idade já começa a aparecer no cenário internacional. No Olympic Hopes 2026, competição destinada às categorias de base, o Brasil terminou com 17 medalhas em Bratislava, na Eslováquia: sete ouros, quatro pratas e seis bronzes.

Entre os destaques estiveram Rafick Santos, 16 anos; Thales Rufino, 15; e Lorrane Souza, 17, campeões em provas individuais. Nicolas Luz, 17, também conquistou ouro no C1 1000m entre atletas de 15 anos. A competição ainda marcou um resultado histórico para o país: Victor Hugo Lopes da Silva Santos conquistou o primeiro pódio brasileiro da história do Olympic Hopes no caiaque, com o bronze no K1 500m para atletas de 16 anos.

Para Filipe Vieira, a força dessa nova geração já é perceptível dentro e fora do Brasil. “Tem bastante, tem uma nova geração bastante forte. Teve o Olympic Hopes, vários atletas se destacaram. Muitos atletas da canoa como Thales, Tailon, João, Rafick e até do caiaque, como o Victor, vêm evoluindo bastante”.

Lagoa Santa e a continuidade de um trabalho
A renovação da canoagem velocidade brasileira passa também pelo trabalho desenvolvido no Centro de Treinamento de Lagoa Santa, em Minas Gerais, num projeto liderado pelo treinador Lauro de Souza Júnior, o “Pinda”. O local se consolidou como um dos principais polos de preparação da modalidade e reúne atletas de diferentes gerações. 

Além dos já citados, nomes como Gabriel Assunção Nascimento, de 20 anos, que conquistou o bronze no C1 500m ao lado de Isaquias Queiroz, que ficou com o ouro, na Copa do Mundo de Brandenburg em 2026, e Mateus Nunes Bastos, de 20 anos, campeão mundial júnior e que também disputou os Jogos Olímpicos Paris 2024, estão ao lado de Filipe numa geração intermediária.

Os resultados em Santa Fé são uma espécie de corrente que ligam diferentes gerações. Isaquias Queiroz segue como referência e, ao mesmo tempo, vê atletas que treinam ao seu lado assumirem cada vez mais protagonismo. Em Santa Fé, Filipe Vieira ajudou a transformar essa renovação em mais uma medalha de ouro. Lucas Santos, por sua vez, deu mais um passo na passagem das categorias de base para o cenário adulto.

E, ao lado deles, uma nova fila já se forma.
 

Canoagem velocidade brasileira termina Santa Fé com 10 medalhas

Além do ouro com Filipe Vieira, Valdenice Nascimento também subiu ao lugar mais alto do pódio nesta sexta-feira, dia 25, na prova do C1 200m feminino. A modalidade sai dos Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026 com três ouros, seis pratas e um bronze para o Brasil, em um total de 10 medalhas.

Ainda nesta sexta-feira, Ana Paula Vergutz conquistou a medalha de prata no K1 feminino 500m. Completando a participação brasileira, Vagner Souta e Ana Paula Vergutz, foram bronze na dupla mista do K2 500m. Outro representante da nova geração, Felipe Folador ficou muito próximo do pódio em suas provas. O atleta de 20 anos terminou em quarto no K1 500m, K1 1.000m e K2 500m, ao lado de Vagner Souta. 

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