Medalhistas no Panamá 2026, trio de jovens atletas repete feito em Santa Fé 2026 ao lado de referências
Meses após subirem ao pódio nos Jogos Sul-americanos da Juventude, Joice Otero Rocha, Manuela Astori e Yasmin Nascimento repetem o feito na Argentina e comentam similaridades e diferenças entre duas missões do Time Brasil
Foto: Jonne Roriz/COB
Quando Yasmin Nascimento precisa de uma dica sobre badminton, ela não precisa ir muito longe. Aos 17 anos, a carioca divide apartamento com Juliana Viana, atleta olímpica em Paris 2024, durante os períodos em que treina com a seleção brasileira em Piracicaba. Entre conversas sobre jogos, rotina e competição, a jovem vai descobrindo de perto um caminho que ainda sonha percorrer. Nos Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026, essa trajetória ganhou um marco importante. Yasmin e Juliana subiram juntas ao lugar mais alto do pódio na disputa por equipes mistas do badminton.
Ainda em abril deste ano, Yasmin conquistou uma medalha de ouro nos Jogos Sul-americanos da Juventude Panamá 2026, e ela não é a única jovem atleta do Time Brasil a viver uma experiência parecida essa em 2026. Manuela Astori e Joice Otero Rocha, na natação, também repetiram o feito de participarem das missões do Time Brasil e conquistar medalhas nos dois grandes eventos sul-americanos do ano. Além dos pódios, as três aproveitam a oportunidade para conviver com atletas mais experientes e começar a enxergar de perto o caminho que sonham percorrer.
Aos 18 anos, Manu Astori e Joice Rocha estão vivendo suas primeiras experiências em competições internacionais adultas. Além de repetir o caminho para o pódio, feito tantas vezes no Panamá, as duas nadadoras aproveitam para absorver a experiência de atletas olímpicos e campeões mundiais. Seja no bloco de partida, dentro da água, ou nos momentos fora das piscinas, a experiência em Santa Fé é transformadora para essas jovens atletas que vão descobrindo o caminho até o alto nível do esporte.
Manuela Astori, 18 anos, resumiu muito bem. “É uma competição muito parecida, mas também muito diferente”. A nadadora aponta que a estrutura e o formato da competição são parecidos, além da sensação de participar de uma Missão pelo Time Brasil. Mas a convivência com atletas de idades diferentes é o principal diferencial. “Numa competição júnior, são atletas de idades parecidas, às vezes sem experiência. Para um campeonato adulto, os atletas têm mais experiência, mais carga e você vê a diferença, né?”, comparou a nadadora que participa de sua primeira competição internacional absoluta.
Exemplo da versatilidade de uma atleta ainda em formação, ela nadou provas diferentes nos dois eventos. Nos Jogos Sul-americanos da Juventude Panamá 2026, ela foi bronze nos 200m medley, 400m livre e 800m livre. Nos Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026, foi bronze nos 200m e 400m medley, além de ouro no revezamento 4x200m livre e quarta colocada nos 1.500m livre. “Gostei muito de participar aqui e estou feliz demais com os meus resultados. Não vim para cá com os melhores tempos, mas tentei pegar uma medalhinha e saí com três medalhas”, comemorou.
Também em sua primeira seleção adulta aos 18 anos, Joice Otero Rocha pôde comemorar o primeiro pódio. “Saí com o meu segundo melhor tempo da vida nos 100m borboleta (59.69) e ainda peguei uma medalha. Isso me deixa feliz demais e espero estar em mais seleções e pegar mais medalhas”, disse ao fim da competição.
Prata nos 100m borboleta em Santa Fé 2026, Joice saiu do Panamá com seis medalhas: ouro no 4x100m medley misto, prata no 100m livre, 50m borboleta, 4x100m livre feminino, 4x100m medley feminino e um bronze no 100m borboleta. Ainda assim, ela não saiu satisfeita. “Eu não estava polida para lá, então não fiz os tempos que esperava fazer, mas ganhei umas medalhas e saí muito feliz”.

Nesta segunda semana de eventos, uma atleta mais jovem ainda se juntou a este seleto grupo. Yasmin Nascimento, de apenas 17 anos, ainda tem um diferencial: conquistou medalha de ouro em ambas as disputas. No Panamá, ela foi campeã em duplas femininas, com Vivian Iha. Em Santa Fé, ela integrou a equipe mista campeã e ainda disputa as duplas femininas, ao lado de Jaqueline Lima.
“Está sendo um desafio, mas também uma experiência boa. Eu sei que tenho muito o que aprender ainda, mas acho que estou conseguindo me encaixar e desenvolver também. Acredito que mais para frente, essa presença pode ser uma vantagem para mim”.
Assim como suas colegas da natação, Yasmin está tendo a oportunidade de conviver com atletas mais experientes e entender como é o ritmo em uma competição multiesportiva. Ela já tem uma relação próxima com Juliana Viana. Carioca, Yasmin treina algumas vezes em Piracicaba (SP) com a seleção brasileira e divide apartamento com Juliana.
“Ainda não estou fixa na seleção, por conta da escola, mas todas as vezes que eu vou para lá, fico no apartamento com ela. Converso com ela sobre jogo, peço algumas dicas para ela e para outros também”, contou Yasmin.
Juliana, atleta olímpica em Paris 2024, tem apenas 21 anos, mas é consciente de seu papel como mentora para Yasmin e outros atletas mais jovens. “Converso muito com ela, sobre badminton, vida pessoal e questões gerais. Explicando melhor a logística do campeonato, não só em quadra, mas como funciona a rotina fora, etc. Com o fim da prova por equipes, agora cada atleta tem seu cronograma, de acordo com sua rotina e ela estava um pouco nervosa, mas falei que era tranquilo. Ela tem muito o que evoluir, está aprendendo muito conosco todos os dias, lá em Piracicaba e aqui”, completou Juliana.
Medalhistas em Panamá 2026 e Santa Fé 2026, as três atletas sabem que este ano ainda é o começo de uma carreira que promete muito e já têm sonhos e expectativas para o futuro.
“Acho que a primeira experiência em campeonato internacional absoluto é uma experiência única. Você vê atletas muito experientes, olímpicos, de outras seleções também. Então você se sente especial e sente que você está chegando no nível deles. Ver eles nadando, atrás do bloco, como eles fazem... toda essa experiência deixa a gente querendo fazer igual para chegar ao nível deles”, disse Manu Astori.
Tanto Manu quanto Joice puderam dividir equipe com nomes que fizeram história para a natação brasileira, como Etiene Medeiros, João Gomes Jr. e Leonardo de Deus. E essa troca dentro e fora d’água certamente terá um impacto na carreira delas. “O pessoal é muito caloroso, todo mundo muito unido, mais até do que nas categorias de base. Me senti muito acolhida aqui, estou muito feliz e adorando essa experiência”, completou Joice.
O badminton brasileiro tem feito história a cada edição de Jogos Olímpicos. Após sua primeira participação olímpica na Rio 2016, Ygor Coelho obteve a primeira vitória do esporte em Tóquio 2020. Em Paris 2024, Juliana Viana foi a primeira atleta feminina do Brasil a vencer uma partida. Yasmin começou no esporte no Miratus, mesmo projeto social que revelou Ygor Coelho, e agora tem a chance de dividir casa e torneios com Juliana. Formada neste ambiente, Yasmin espera trilhar um caminho parecido.
“Eu pretendo um dia chegar aos Jogos Olímpicos e sei que preciso trabalhar muito ainda para isso. Não é fácil chegar lá e tenho que me dedicar desde agora”, contou Yasmin, acrescentando que a presença de Juliana na equipe a estimula a seguir em frente. “Onde ela chegou me mostra que é possível e que tenho que trabalhar muito também. Ela é uma referência pra mim e para muitas outras pessoas no Brasil”, disse.











