Da pista de Maricá ao pódio em Dakar, Duda Ribeiro constrói seu caminho no cenário internacional
Brasileira transforma rápida ascensão no skate em medalha de prata nos Jogos Olímpicos da Juventude e, aos 16 anos, segue trajetória inspirada por Rayssa Leal e Gabi Mazetto

Foto: Fel Meireles/ COB.
De um projeto esportivo em Maricá ao pódio dos Jogos Olímpicos da Juventude. Em poucos anos, Duda Ribeiro transformou o skate, que começou como uma brincadeira na infância, em uma trajetória de resultados nacionais e internacionais. Nesta quinta-feira (05), a jovem de 16 anos acrescentou mais um capítulo importante a essa história: a medalha de prata no skate street de Dakar 2026.
Depois de liderar as classificatórias com 134.74 pontos, Duda chegou à decisão como uma das principais candidatas ao pódio. Na final, voltou a mostrar consistência e somou 138.28 pontos para terminar na segunda colocação. A chinesa Zhu Yuanling, com 149.82, conquistou o ouro, enquanto a canadense Evie Pritchard ficou com o bronze.
“Estou muito feliz e muito grata por ter acertado as minhas manobras e ter conseguido dar o meu melhor”, declarou Duda logo após a prova.
O resultado confirmou uma temporada de rápida ascensão. Em setembro, a atleta foi campeã do Circuito Brasileiro de Skate Street e, no mês seguinte, conquistou o ouro nos Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026. Também terminou em 20º lugar no Campeonato Mundial de Assunção, como a terceira melhor brasileira na competição. Em Dakar, transformou essa sequência em sua primeira medalha em uma edição dos Jogos Olímpicos da Juventude.

Do skate em Maricá à Seleção Brasileira
A relação de Duda com o skate começou por volta dos 10 anos, em Maricá (RJ). O primeiro contato veio ainda como uma brincadeira ao lado de um primo e ganhou espaço por meio de projetos esportivos da cidade. Foi no Maricá Esporte Presente que começou a desenvolver suas habilidades. A pandemia interrompeu temporariamente a evolução, mas, em 2021, ela retomou a modalidade e passou a treinar de maneira mais estruturada.
Posteriormente, Duda passou a integrar o Maricá Cidade Olímpica, iniciativa voltada à formação de atletas de alto rendimento. Aos poucos, a diversão começou a assumir contornos de carreira, e os resultados chegaram nas principais competições nacionais.
Em 2024, as conquistas no SLS Circuit Series, o Circuito Banco do Brasil de Skate Street Select Series, e no STU On Tour ajudaram a pavimentar sua entrada na Seleção Brasileira. No ano seguinte, após a primeira seletiva classificatória promovida pela confederação, Duda passou a integrar o Grupo de Suporte ao Desenvolvimento (GSD), programa voltado a oferecer estrutura e oportunidades a novos skatistas no circuito mundial.
Logo em sua estreia internacional pela Seleção, avançou às semifinais da Copa do Mundo de Roma 2025 e terminou na 14ª colocação.
Dakar aproxima Duda de um sonho maior
A medalha conquistada no Senegal ganha ainda mais significado quando colocada diante do próximo objetivo da skatista: chegar aos Jogos Olímpicos. Segundo Rogério Manosa Mancha, consultor técnico da Seleção Brasileira de Street, Duda já está inserida no circuito internacional e busca espaço na corrida por uma vaga em Los Angeles 2028.
O caminho chama atenção também pela velocidade com que foi construído. Duda começou a andar de skate depois de acompanhar a modalidade em Tóquio 2020. Poucos anos depois, já subiu ao pódio de uma competição olímpica juvenil.
“Ela está no ranking, buscando a vaga para Los Angeles e é muito curioso porque ela começou a andar de skate depois de (ver o esporte em) Tóquio. Então, assim, se analisar, se trata de uma atleta ganhando medalha de prata hoje, que nem sabia da existência do skate em Tóquio, isso é muito grande”, destacou Mancha.
Se a participação olímpica ainda é um sonho em construção, Duda já convive de perto com atletas que mostraram ser possível transformar juventude e talento em protagonismo no skate brasileiro. Entre suas referências estão Rayssa Leal e Gabi Mazetto, representantes de diferentes momentos dessa consolidação da modalidade no país.
“Eu gosto muito de competir com a Gabi, ela é uma inspiração para mim. E estou muito feliz de dividir o pódio com ela”, disse Duda ao conquistar o ouro nos Jogos Sul-americanos 2026 ao lado de Gabi, que ficou com bronze.
Em Dakar, essa inspiração ganhou uma dimensão especial. Medalhista de prata em Tóquio 2020 e bronze em Paris 2024, Rayssa Leal esteve no Complexo Tour de l’Oeuf para acompanhar e torcer por Duda durante a disputa. Aos 18 anos, Rayssa está no Senegal como embaixadora global dos Jogos Olímpicos da Juventude. O apoio foi além da arquibancada.
“Ela me ajudou demais, ela me mandou mensagem, falou comigo. Eu sou muito grata por ela ter me ajudado”, contou Duda depois da conquista da prata.
Adaptação e maturidade em Dakar
Antes da competição, Duda teve dois dias de treinamento na pista do Complexo Tour de l’Oeuf, acompanhada por Rogério Manosa Mancha. O forte calor de Dakar foi um dos pontos de adaptação, mas já no primeiro contato com a pista a brasileira conseguiu começar a desenhar a linha que apresentaria na competição.
Na final, a preparação apareceu na pista. Duda iniciou com 62.21 na primeira volta e aumentou a nota para 64.64 na segunda. Na fase de manobras, recebeu 73.64 logo na primeira tentativa. A soma levou a brasileira aos 138.28 pontos e ao segundo lugar.
Para Mancha, o desempenho também mostrou uma característica importante para os próximos passos da carreira. “Ela chegou liderando, fria, uma constância incrível, que é fruto do trabalho dela”, avaliou.
Agora, com resultados cada vez mais expressivos, experiência no circuito mundial e referências como Rayssa Leal e Gabi Mazetto, Duda avança para uma nova etapa da carreira. O próximo sonho já está definido: transformar o caminho iniciado em Maricá em uma chegada aos Jogos Olímpicos adultos.












