Chloé Calmon é campeã em Mar del Plata com os pais na plateia: “não lembro da minha vida antes do surfe”
Tricampeã pan-americana e incentivada pelo pai, brasileira fez sua melhor bateria da competição na final e levou o ouro no longboard nos Jogos Sul-Americanos

Foto: Bruno Ruas/COB
Chloé Calmon é campeã do longboard nos Jogos Sul-Americanos Santa Fé 2026. Em Mar del Plata, subsede da modalidade, a atleta do Time Brasil fez sua melhor bateria da competição justamente na final, somou 15,84 pontos e superou a argentina Evelyn Gontier, que marcou 8,40, para ficar com a medalha de ouro.
A conquista teve um significado ainda mais especial pela presença dos pais, Miguel Calmon e Ana Calmon, na areia. O apoio dos dois acompanha Chloé desde o início de uma história com o surfe que começou ainda na infância, por influência do pai, surfista há mais de 40 anos.
“Na real, eu não lembro da minha vida antes do surfe, porque, desde que eu me entendo por gente, o surfe tem sido a minha vida. Eu tenho foto de fralda já em cima da prancha do meu pai. Ele foi o meu maior incentivador. Desde menina, ele me levava para a praia, para a beira d'água, e eu ficava fascinada pelas ondas”, relembrou.

Chloé ganhou a primeira prancha aos 10 anos. Dois anos depois, pegou emprestado o longboard do pai e descobriu a modalidade que marcaria sua trajetória no esporte.
“Digo que foi amor à primeira onda. Foi com 12 anos que realmente me apaixonei. Comecei a competir no mesmo ano”, contou.
As viagens para competir também começaram nessa época e, por ser muito nova, Chloé teve os pais ao seu lado em diversas delas. Com o avanço da carreira e os compromissos cada vez mais distantes de casa, a companhia passou a ser menos frequente. Por isso, ter Miguel e Ana novamente na torcida em Mar del Plata tornou o ouro ainda mais marcante.

“Sempre que eles têm uma oportunidade de me acompanhar num local mais próximo, como é o caso da Argentina, eles fazem questão de ir. Foi incrível olhar de dentro do mar e ver os dois pontinhos ali, caracterizados de Brasil na areia. São meus maiores torcedores e maiores apoiadores”, afirmou a campeã.
Melhor bateria na decisão
Na final, Chloé voltou a enfrentar a argentina Evelyn Gontier, sua adversária na estreia, e fez sua melhor bateria da competição. A brasileira somou 15,84 pontos, contra 8,40 da anfitriã, e garantiu a medalha de ouro.
“Hoje eu entrei com muita vontade de surfar e de me divertir. Quando estou me divertindo é quando faço minha melhor performance. Meu foco hoje foi me divertir, o resultado seria consequência disso”, disse a surfista.

Da areia, a mãe Ana se emocionou com a forma como a filha surfou: “Foi muito emocionante porque nós sentimos que ela surfou feliz. Quando você entra feliz, de bem com você e de bem com tudo, as coisas fluem. Deu para sentir que ela estava firme, bem, feliz”, disse.
Para Miguel, acompanhar o título também significou ver até onde chegou uma paixão compartilhada entre pai e filha desde os primeiros anos de Chloé. “Ela curtiu o que a gente gostava, que era pegar onda. E a família toda abraçou essa atividade com ela. Ela está evoluindo muito mais do que eu podia pensar no passado. Foi demais!”
Próximo desafio em El Salvador

Depois da conquista nos Jogos Sul-Americanos, Chloé terá uma breve passagem em casa antes do próximo compromisso internacional: o Campeonato Mundial de Longboard ISA 2026.
“Daqui, vou passar em casa, comer o meu bolo de aniversário e já ir para El Salvador. Vou estar também com o (Carlos) Bahia, com o Américo (Pinheiro Jr.), com a Confederação. Mas esse evento aqui vai dar uma motivação gigante para chegar lá representando o Brasil firme e forte, com sangue nos olhos mais uma vez”, completou a atleta.











