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Bicampeã em Santa Fé, Omira Maria celebra evolução e mira sonho olímpico

Canoísta brasileira venceu o contrarrelógio do caiaque cross na quarta-feira e conquistou, nesta quinta, o ouro no K1 nos Jogos Sul-Americanos 2026

Por Comitê Olímpico do Brasil

24 de set, 2026 às 15:15 | 3 minutos de leitura

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Foto: Rafael Bello/COB

Em dois dias de competição nos Jogos Sul-americanos 2026, Omira Maria venceu as duas provas em que competiu na canoagem slalom. Na quarta-feira, 23, foi ouro no contrarrelógio do caiaque cross (KX Cross). Nesta quinta, 24, voltou à água e conquistou o ouro no K1, ampliando a coleção de medalhas douradas do Brasil na competição.

“Eu achei uma competição muito divertida de competir, porque é diferente, não é a nossa modalidade mesmo. Fiquei feliz porque foi uma competição mais igualitária”, disse. 

O primeiro título veio com uma descida de 42s71 no contrarrelógio do caiaque cross, prova disputada no Lago Sur, em condições diferentes das encontradas habitualmente pelos atletas da modalidade. A chilena Florencia Aguirre ficou com a prata, enquanto a argentina Iris Castiglione levou o bronze. No K1, a brasileira já havia mostrado o primeiro sinal de que chegaria forte à disputa. Na tomada de tempo realizada na quarta-feira, Omira fez uma descida limpa em 28s90, o melhor tempo entre as mulheres, sem cometer penalidades.

Um ano de passos à frente
Os dois ouros aparecem como mais um capítulo de uma temporada que Omira avalia de maneira positiva. Aos poucos, a brasileira vem transformando bons desempenhos em resultados cada vez mais expressivos no circuito internacional. Um dos principais momentos do ano aconteceu na etapa da Copa do Mundo de Augsburg, na Alemanha. No caiaque cross, Omira avançou pelas oitavas e quartas de final e terminou a competição na oitava colocação, entrando pela primeira vez entre nas oito melhores de uma etapa.

“Eu fui evoluindo. Peguei oitavo na Copa do Mundo no KX Cross. Acho que evoluí bastante. Ainda não é suficiente, mas ano que vem espero buscar a medalha. São passinhos pequenos, mas a gente vai conseguir”, avaliou. 

A evolução também apareceu no Mundial, no Pan-americano e nas demais etapas do circuito internacional ao longo de 2026. No Pan-americano disputado no Canadá, Omira também esteve entre as brasileiras que subiram ao pódio, com prata no K1 e bronze no C1. Mais do que contabilizar resultados, a atleta enxerga a temporada como parte de um processo. “Eu gostei bastante do meu ano. Senti que evoluí”, resumiu.

Da brincadeira à Seleção Brasileira
A relação de Omira com a canoagem começou muito antes dos grandes palcos internacionais. Aos seis anos, ela entrou na modalidade acompanhando a irmã mais velha, Ana Sátila, no Instituto Meninos do Lago. No início, porém, não havia grandes planos. “Eu gostava e queria tudo que a minha irmã fazia”, contou, lembrando que a canoagem começou como uma atividade levada quase como brincadeira pela família.

Aos 12 anos, veio a primeira convocação para a Seleção Brasileira. Foi quando o esporte começou a ganhar outro peso. “Aí o negócio começou a ficar um pouquinho mais sério. Mesmo assim, nessa idade você não sabe de muita coisa”, pondera.

Ter Ana Sátila como irmã e companheira de modalidade é uma parte importante da trajetória de Omira. A mais velha, que já disputou quatro edições dos Jogos Olímpicos, é também uma das pessoas que mais acompanham de perto a evolução da atleta. Omira reconhece o privilégio de ter alguém tão próximo para dividir treinamentos, competições e dúvidas.

“Eu sou uma pessoa muito privilegiada por ter minha irmã sempre me acompanhando. Ela vai lá, analisa as coisas comigo, conversa para eu evoluir”, disse a atleta que ressaltou a cobrança da mais velha também. “Mas ela é dura comigo. Pega no meu pé. É ‘você não pode errar, tem que dar seu melhor’. Mas é muito bom ela estar ali me motivando”, garante.

Entre a canoagem e a gastronomia
Fora da água, Omira também encontrou um espaço para explorar outra paixão. Formada em Administração, ela está concluindo sua segunda graduação, em Gastronomia. A escolha revela um lado menos conhecido da atleta, que se define como uma pessoa mais tímida fora do ambiente competitivo e que gosta especialmente de cozinhar. “Eu gosto de cozinhar, principalmente doce. É um lado meu que muita gente sabe”, conta.

O Sonho Olímpico
O Brasil já garantiu vaga para os Jogos Pan-americanos de Lima 2027, e a disputa pelo ranking olímpico começa a ocupar espaço cada vez maior no planejamento da atleta. Na canoagem slalom, Omira e Ana também estão envolvidas na busca pelas vagas olímpicas brasileiras nas diferentes categorias.

“Estamos tentando conquistar o ranking olímpico. Começou já essa batalha e a gente está correndo atrás. Espero que ano que vem sejam resultados melhores para seguir”, afirmou. O objetivo é claro: chegar aos Jogos Olímpicos. Mas, para Omira, o sonho vai além de simplesmente estar em Los Angeles. “O maior sonho é ir para as Olimpíadas, mas não quero 'só' ir. Eu quero conquistar uma medalha”, projetou.

Omira volta para as águas de Santa Fé nesta sexta-feira, 25, para disputar a final do Kayak Cross.

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