Com ‘dobradinha’ no lançamento de disco, Brasil começa atletismo em Santa Fé 2026 com cinco medalhas
Augusto Dutra e Andressa Morais conquistam vaga para Lima 2027, enquanto Wellinton Fernandes assegura a prata após incerteza sobre sua participação nos Jogos Sul-americanos; Ana Carolina Azevedo e Leticia Oro também sobem ao pódio

Dois atletas já experientes, Andressa Morais e Augusto Dutra encontraram mais uma vez o caminho para o lugar mais alto do pódio nos Jogos Sul-americanos. Os dois, que já haviam sido medalhistas de ouro em Medellín 2010, conquistaram as primeiras medalhas de ouro do atletismo brasileiro em Santa Fé 2026. Augusto subiu ao pódio pela quinta vez seguida, com seu quarto ouro no salto com vara, enquanto Andressa foi campeã pela terceira vez dos Jogos. Os campeões individuais no atletismo ainda obtêm vaga aos Jogos Pan-americanos Lima 2027.
Para Andressa Morais, foi uma conquista ainda mais especial, já que demonstra o bom momento do lançamento do disco brasileiro, marcando uma ‘dobradinha’ na prova. Afinal, mais cedo, Wellinton Fernandes obteve a primeira medalha do atletismo brasileiro, uma prata no lançamento de disco masculino. Já no fim do dia, Ana Carolina Azevedo ficou com a prata nos 100m rasos e Letícia Oro foi bronze no salto em distância.
Além disso, a campanha brasileira no atletismo foi marcada pelo recorde de Jogos Sul-americanos estabelecido por Alison dos Santos, o Piu, nos 400m rasos, ainda durante as eliminatórias. Ele e Matheus Lima voltam ao Centro de Alto Rendimiento Deportivo (CARD) Pedro Candioti, em Santa Fé, nesta quarta-feira pela final da prova. No decatlo, os dois brasileiros também estão liderando. Confira abaixo um resumo do atletismo brasileiro nesta terça-feira, dia 22 de setembro.
Andressa Morais se emociona novamente com hino no pódio

Andressa Morais ganhou o primeiro ouro do Brasil, ao vencer a disputa do lançamento de disco com 59,36. Muito consistente durante toda a noite, quatro de suas seis tentativas foram superiores aos 55,49 que deram a prata para a colombiana Yerlin Mesa.
“Eu treinei bastante, foquei e me dediquei pra fazer um bom resultado aqui, encaixar alguns detalhes técnicos que eu vinha errando durante o ano. Eu vim confiante pra fazer um bom resultado, melhorar no ranking mundial, com esse resultado aqui eu subo mais duas posições. Estou muito feliz e confiante para a próxima temporada”, disse ao final da prova.
A conquista de hoje mostra que ela está no caminho para disputar sua quinta edição de Jogos Olímpicos, em Los Angeles 2028. Filha de uma atleta de atletismo, ela começou no esporte com 11 anos de idade, ainda se dividindo entre o arremesso de peso, lançamento de disco e de martelo. “Não gostava muito, mas com 13, comecei a viajar e fui começando a gostar. Com 17, me mudei para São Paulo e fui para meus primeiros Jogos Olímpicos em 2012, com 21 anos. Mas chegou uma hora que eu tinha que escolher uma prova, e pensando a nível sul-americano, o disco era uma prova que eu teria como me destacar melhor, bater o recorde, como é até hoje.
Atual recordista sul-americana, com 65,34m alcançados e com muitas conquistas em sua carreira, subir ao lugar mais alto do pódio ainda emociona a atleta de João Pessoa. “É sempre muito emocionante a gente estar num pódio e ouvir o nosso hino, né? Sempre que eu estou lá, passa um filme da minha história, dos meus resultados, e eu estou muito feliz. A medalha é muito bonita também, o mascotinho que eu queria tanto, então eu estou muito feliz. Eu ia comprar, mas nem precisa, tá vendo?”, brincou.
‘Dobradinha’ no disco com prata no masculino

Se Andressa Morais conquistou o primeiro ouro do atletismo brasileiro, a primeira medalha do dia veio ainda pela manhã. Wellinton Fernandes foi o responsável, com a medalha de prata na disputa masculina. Com três tentativas acima dos 60 metros, ele ficou com a prata com 61,18, atrás apenas do chileno Claudio Romero, bicampeão da prova com 65,33, marca que lhe rendeu recorde dos Jogos Sul-americanos.
“Eu tô muito feliz. Na verdade, é uma surpresa muito grande, porque uma semana atrás eu tive uma lesão no joelho, na qual eu não sabia nem se eu poderia competir, então é muito gratificante. A marca não foi a esperada, mas só pelo fato de conseguir uma medalha aqui já vale todo o esforço”, disse.
Em retorno, Augusto Dutra retorna ao lugar mais alto do pódio nos Jogos Sul-americanos

No salto com vara masculino, Augusto Dutra enfrentou o frio intenso, vencendo com 5,40m. Foi sua quinta medalha nos Jogos Sul-americanos, conquistando o quarto título, depois de Medellín 2010, Santiago 2014 e Cochabamba 2018. Em Assunção 2022, o atleta ficou com o bronze.
Ele contou que iria começar nos 5,55m mas a temperatura o fez começar por uma altura mais conservadora. “É a prova mais técnica do atletismo. Mas saio contente, estar conquistando tudo isso de novo, reconquistando, na verdade né. Ano passado eu não consegui saltar muito bem, tive umas lesões. Mas estou bem contente com esse retorno. 2026 é um ano que estou progredindo cada vez mais, vindo numa crescente muito boa. Um momento bom porque daqui a dois anos tem os Jogos Olímpicos. E depois, talvez, é aposentadoria né?”, disse o paulista de 36 anos, garantindo ainda ter a energia para chegar em Los Angeles 2028.
Ana Carolina Azevedo e Letícia Oro sobem ao pódio

Na última prova do dia, Ana Carolina Azevedo ficou com a prata, com 11.58, garantindo seu lugar no pódio em uma chegada emocionante, à frente da equatoriana Aimara Nazareno, bronze com 11.60, e da chilena María Montt, quarta colocada com 11.61. A venezuelana Orangys Jimenez foi ouro, com 11.39. Gabriela Mourão ficou em sexto, com 11.72.
“A medalha de prata foi uma medalha que foi um quaaase, né? Acho que dava para ser mais intenso no final, a corrida podia ser um pouquinho melhor, mas eu estou satisfeita em sair sem nenhuma lesão, estar encerrando os 100 metros numa temporada boa, estou competindo desde fevereiro. Amanhã tenho 200 e vamos para cima”, disse Ana.

Leticia Oro Melo garantiu o bronze no salto em distância feminino. Ela alcançou 6,10m em sua quinta tentativa. A panamenha Nathalee Aranda foi ouro, com 6.48, e a chilena Javiera Musalem ficou com a prata, com 6.32.
Piu quebra recorde dos Jogos Sul-americanos em ‘corrida solta’

Alison dos Santos deu um show em Santa Fé. Correndo tranquilo nos 400m rasos, ele marcou 44.99, novo recorde dos Jogos Sul-americanos e foi quase um segundo mais rápido do que o argentino Elian Larregina, que marcou 45.71. Matheus Lima também avançou à final, com 46s29
“Foi uma corrida boa, solta, rápida. Agora é só aproveitar essa energia, vir com mais vontade amanhã e buscar esse recorde”, declarou Piu ao fim da prova. O brasileiro, atual recordista mundial dos 400m com barreiras fez questão de ressaltar a boa fase do companheiro de prova, Matheus Lima.
“Uma coisa que estamos comentando muito no 400m com barreira é ‘aproveitem’. Obviamente aproveitem meu resultado, mas o Matheus também está fazendo algo maravilhoso. O cara está entre os 20 da história, correndo 47 (segundos) mais de cinco vezes. Eu e Matheus estamos consistentes, rápidos e fortes. Dois brasileiros não só correndo bem, mas colocando o pé no pescoço de todo mundo, mostrando que a gente veio para ficar e fazer história. Isso não é pra qualquer um, entendeu? A consistência dele também é maravilhosa, tanto para o Brasil quanto para a América do Sul”, acrescentou Piu.
Brasileiros lideram no decatlo e garantem mais finais
No decatlo, a dupla brasileira terminou muito bem o primeiro dia de competição. Felipe dos Santos lidera com 4.038 pontos, seguido por Fernando Balotelli, com 3.840.
Nos 800m rasos masculino, Eduardo Ribeiro e Guilherme Orenhas se classificaram para a final, com 1:51.65 e 1:51.52, respectivamente.
Nos 400m rasos feminino, Letícia Nonato e Jaíny Suelen também avançaram, com 53.92 e 54.32.
Nos 100m rasos masculino, Erik Cardoso se classificou para a final com 10.60, mas queimou a largada na decisão. O revezamento 4x100m terminou em sexto lugar, completando a prova em 42.82. A Venezuela foi ouro, com 41.87, a Argentina ficou com a prata, com 42.22 e a Colômbia foi bronze com 42.37.












