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Saiba quem é Zion Bethonico, primeiro medalhista do Brasil em Jogos Olímpicos de Inverno

Fã do próprio irmão, de jogos eletrônicos, de artes marciais e de malhar; descubra mais sobre o atleta que fez história neste sábado, 20

Por Comitê Olímpico do Brasil

20 de jan, 2024 às 07:30 | 7 min de leitura

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O sorriso ainda tímido contrasta com a agressividade na hora das competições. Zion Jacques Bethonico, apesar da segunda colocação no ranqueamento dos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude deste ano, não era visto com um dos favoritos na prova do snowboard cross em Gangwon 2024. Parte pela sua maior dificuldade, a largada das baterias... “Eu tive grande dificuldade em todos os starts (largada). Fizeram uma prova com muitas corridas do que normalmente. Foram sete descidas e em todas saí em último e terminei em primeiro, menos nas duas últimas (a semifinal em que passou em segundo e a final, em que ficou em terceiro)”.

Zion buscando recuperação na semifinal - Foto: Marina Ziehe/COB

Parte por ser um atleta do Brasil, país que nunca havia conquistado uma medalha olímpica nas modalidades de inverno, mas ele acreditava no próprio potencial. E fez história ao conquistar a medalha de bronze em Gangwon 2024, a primeira do Brasil em Jogos Olímpicos de Inverno. Em entrevista ao Comitê Olímpico do Brasil, ao ser perguntado sobre a expectativa para Gangwon 2024 respondeu: “Vou vencer. Para mim a vitória já é tangível, preciso apenas dar meu melhor agora”. O ouro não veio, e, talvez por isso, o jovem nascido em Florianópolis, Santa Catarina, tenha ficado, até certo ponto, um pouco frustrado com a medalha de bronze. “Estou feliz, mas poderia estar mais! (O ouro) Foi quase”, comentou logo depois da final.


Zion e Noah Bethonico com gestoras esportivas do COB no Centro de Treinamento em julho/2023 - Foto: Arquivo pessoal

Uma mudança significativa para quem afirmou em julho de 2023, quando passou pelo Centro de Treinamento do Comitê Olímpico do Brasil (COB), que ainda não sabia se iria para os Jogos Olímpicos da Juventude. "Eu não tenho expectativa de grandes resultados esse ano, meu primeiro como júnior. Vou participar do Mundial com expectativa de qualificar. Eu vejo que estou evoluindo a cada semana de treinamento”, disse à época.

E ele estava certo quanto aos resultados. No Mundial Júnior de 2023, o norte-americano Boden Gerry, quarto colocado em Gangwon, ficou à frente do brasileiro na classificação geral. Inclusive, Zion foi 25º na competição e, se não fosse ajuda do irmão Noah, talvez não tivesse classificado para a competição na Coreia.

“Contar com a ajuda do meu irmão para conseguir a vaga foi ótimo! Quando terminei a corrida e percebi que possivelmente não conseguiria me qualificar com o meu posicionamento, fiquei devastado. Graças ao Noah foi possível realizar esse sonho”, comentou Zion.

“Eu fiquei mais feliz do que tudo, na verdade. Não tinha certeza se eu iria ter qualificado ele quando cheguei embaixo (final da corrida), pois não avancei para a próxima etapa. E isso foi a primeira coisa que pensei: ‘será que fui bem o suficiente para o Zaz (apelido do irmão) conseguir ir para os Jogos Olímpicos?’ Quando fiquei sabendo que ele estava dentro com esse resultado do Mundial Júnior, fiquei muito feliz”, lembrou Noah.


Noah Bethonico em Lausanne 2020 - Foto: Sharome Burton/IOC Young Reporter

O “Zaz” esteve ao lado de Noah há quatro anos, nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude Lausanne 2020, quando o irmão mais velho conseguiu, até então, a melhor colocação do Brasil em esportes de neve na competição, o 11º lugar também no snowboard cross. Ali o destino já estava traçado.

“Minha principal inspiração é o meu irmão Noah. Ele sempre esteve à minha frente já que ele é mais velho e venho treinando muito forte para conseguir superar ele em cada competição, cada treinamento e, agora, nos Jogos Olímpicos da Juventude”, escreveu Zion em novembro do ano passado no questionário de perfil enviado pelo COB.

Apesar da ligação extremamente forte com o irmão mais velho, o começo no esporte foi graças a outro parente, o pai Rangel. “Eu conheci o snowboard através do meu pai. Ele sempre foi apaixonado por todos os esportes e, quando eu era criança, sempre levava eu e meu irmão para praticar modalidades na neve nas nossas férias. Minha família toda praticava o snowboard e eu quis seguir os passos deles. Com 8 anos entrei para o meu primeiro time de snowboard e, de lá para cá, não parei mais”, contou.


Rangel (pai), Zion e Noah Bethonico - Foto: Marina Ziehe/COB

E, realmente, o atleta mais velho da delegação brasileira em Gangwon, que completa 18 anos no próximo dia 28 de janeiro, é um desportista na acepção maior da palavra. Entre os hobbies favoritos dele está a prática de outras modalidades. “Quando eu não estou treinando e competindo eu estou na academia. Malhar pra mim é um hobbie. Eu treino sempre com os meus amigos mesmo fora da temporada”.

E essa paixão também esteve presente nas entrevistas depois da medalha. “Estou um pouco preocupado porque estão arrumando muita entrevista para mim e eu tinha planejado ir para a academia hoje ainda com meus amigos”, disse entre risos.

Zion dá entrevista para o Olympic Channel depois da medalha - Foto: Marina Ziehe/COB

As outras paixões competitivas do jovem de 1,81m e 80kg são os esportes de combate e os jogos eletrônicos. “Eu também sou apaixonado por artes marciais e sempre que estou em Florianópolis pratico muay thai e jiu jitsu. Além disso, gosto muito de jogar videogame no meu tempo livre. Jogos competitivos como League of Legends, Call of Duty e God of War”.

E a veia competitiva do talentoso atleta segue a todo vapor, mesmo depois de uma medalha histórica. “Finalmente, uma medalha da qual eu posso me orgulhar. Uma carreira longa, mesmo sendo muito novo, já são quase 10 anos. O plano é continuar com foco, seguir competindo forte e agora pegar um ouro nos Jogos Olímpicos adultos”, completou Zion.

Zion Bethonico no pódio olímpico - International Olympic Committee/Gaspar Nobrega

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