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Com telefone da ‘referência’ Yane Marques no bolso, pentatleta Iêda Guimarães pensa em Tóquio: “Gosto muito de já estar classificada”

Carioca de 19 anos garantiu a vaga nos Jogos Olímpicos após ficar em quarto lugar no Pan de Lima, quando recebeu dicas do maior nome da modalidade


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Com telefone da ‘referência’ Yane Marques no bolso, pentatleta Iêda Guimarães pensa em Tóquio: “Gosto muito de já estar classificada”
Jonne Roriz/COB

Poucos esportes no Brasil têm uma mulher como principal referência. Muito se deve ao ingresso tardio de diversas modalidades nos Jogos Olímpicos. O pentatlo moderno faz parte do programa olímpico desde 1912, mas as mulheres só começaram a competir em Sydney 2000. Justamente o ano de nascimento de Maria Iêda Guimarães, carioca de 19 anos, que tem como modelo Yane Marques, bronze em Londres 2012 e grande nome do país na modalidade que reúne corrida, esgrima, natação, hipismo e tiro.

“Acho muito legal ter uma mulher como referência no pentatlo moderno. A Yane fez o que nenhum brasileiro tinha alcançado até então e foi minha inspiração na modalidade. Sempre vi sua dedicação, ouvi histórias dos técnicos que viajavam com ela de como treinava absurdamente, focada nas provas e gente boa. Isso tudo inspira”, diz Iêda. “Não temos contato próximo, mas ela estava nos Jogos Olímpicos da Juventude e nos Jogos Pan-americanos, me deu dicas e passou o número de telefone dela para o que eu precisasse”.

O Brasil ainda pode levar outros pentatletas ao Japão, principalmente pelo ranking olímpico, mas, por enquanto, Iêda é a única brasileira classificada para os Jogos. Ela obteve a vaga em agosto de 2019, ao terminar a prova feminina dos Jogos Pan-americanos de Lima em quarto lugar, sendo a melhor sul-americana. Focada na prova, a carioca que começou a praticar a modalidade no PentaJovem, projeto de iniciação da modalidade criado pela Confederação Brasileira de Pentatlo Moderno (CBPM) em 2009, nem imaginava o presente que ganharia ao cruzar a linha de chegada, mesmo fora do pódio.

“Sabia que tinha que chegar entre as duas melhores da América do Sul, mas não me liguei muito nisso. Só entrei e fui competir. O mais emocionante foi quando me aproximei da linha de chegada e o narrador falou: ‘Maria Iêda conseguiu a vaga pra Tóquio! Todo mundo batendo palma. Só lembro de olhar para o meu técnico e dizer: ‘não acredito, não acredito! Aí comecei a chorar e caí no chão”, relembra.

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Iêda começou na modalidade a convite do pai, ao lado da irmã gêmea Maria Carolina e do irmão mais velho, Edson. Mas a irmã migrou para a esgrima e o irmão abandonou o esporte. A pentatleta conta que não foi difícil se manter na modalidade.

“Comecei aos nove anos, mas nunca fui uma pessoa de enjoar muito fácil das coisas não. Nunca tinha feito nenhum esporte antes e, quando descobri o pentatlo, fiquei doida. Não ficava saturada de uma coisa, sabia que tinha outras modalidades e ia alternando. Sempre gostei muito”.

Apesar de Iêda ser a única a continuar no pentatlo, a família permanece unida pelo esporte. “Vejo o sorriso no rosto deles quando faço, percebo que eles são o que eu sou. Quando estou triste, eles também estão. Sempre ficamos felizes uns com os outros. Então, acho que eles são minha inspiração mesmo.”

Eleita a melhor atleta da modalidade no Prêmio Brasil Olímpico em 2018 e 2019, Iêda já teve que enfrentar alguns revezes antes de Tóquio. Duas semanas depois de garantir a vaga para Tóquio, ela quebrou um dedo do pé e ficou quase três meses sem competir. Antes do adiamento dos Jogos, teve que adaptar os treinos por conta da pandemia de coronavírus. Nada que tire a emoção da jovem que vai disputar a primeira edição adulta dos Jogos Olímpicos.

“Não consigo nem explicar, é uma mistura de felicidade com frio na barriga. Tenho que dar o meu melhor e, ao mesmo tempo, estar relaxada. Só sei que gosto muito da sensação”.