Do Rio 2016 à COB Expo: Yusra Mardini volta ao Brasil após dez anos e emociona público ao contar trajetória como atleta refugiada

Nadadora síria reencontra o país, agora como embaixadora da ONU, e compartilha histórias ao lado de Hanna Afshar, refugiada iraniana que ainda sonha com os Jogos Olímpicos

Por Comitê Olímpico do Brasil

30 de set, 2026 às 20:37 | 3 minutos de leitura

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Léo Barrilari/COB

A relação de Yusra Mardini com o Brasil ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira, 30, na abertura da COB Expo 2026. Passados dez anos de sua participação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a nadadora síria retornou ao país com status de estrela, atuando como embaixadora da Organização das Nações Unidas (ONU) e defendendo a causa das pessoas refugiadas.

Protagonista do primeiro painel do evento, Yusra revisitou episódios marcantes de sua história, desde a vida em Damasco, sua cidade-natal, até os Jogos Olímpicos, mostrando que o esporte é instrumento fundamental de diálogo, inclusão e construção de novas perspectivas.

“Uma das coisas que eu mais amo na minha vida é nunca desistir, porque se eu desistisse nunca teria disputado os Jogos Olímpicos. E nunca teria participado do Rio 2016, de Tóquio 2020, e nunca estaria aqui com vocês, compartilhando a minha mensagem ao redor do mundo. Demorou um pouco, mas estou muito feliz por voltar ao Brasil após dez anos”, disse Yusra Mardini, durante a Cerimônia de Abertura da COB Expo. 

Em 2015, a guerra obrigou Yusra a deixar seu país e fazer uma travessia pelo Mar Egeu, em uma embarcação superlotada, que viria a apresentar problemas mecânicos. Foi então que a jovem síria, ao lado de sua irmã e de outros dois passageiros, pulou na água e nadou durante horas até chegar à terra firme. 

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Foto: Léo Barrilari/COB


No ano seguinte, ela integraria a primeira Equipe Olímpica de Refugiados da história, em solo brasileiro. Sua trajetória ainda viraria obra literária e chegaria aos cinemas, por meio do filme “As Nadadoras”.

Mas Yusra não esteve sozinha na plenária da COB Expo. Ela foi acompanhada por Isabela Mazão, oficial de proteção da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), e por outra nadadora, a iraniana Hannaneh Afshar, 25 anos, que vive como refugiada no Brasil e ainda sonha em disputar os Jogos Olímpicos. Em Florianópolis (SC), Hannaneh passou a ser chamada carinhosamente de Hanna e integra a equipe Swim Floripa, liderada por Albertinho Silva, um dos treinadores mais vitoriosos do país. A atleta recebe apoio da ACNUR e deixou o Irã devido às restrições do país à participação feminina no esporte.

“É um sacrifício muito grande, na minha idade, abrir mão da minha família, dos meus amigos, do meu país, e começar de novo. Então, o que as pessoas precisam entender primeiro é que somos muito julgados, e depois que a nossa jornada foi muito difícil”, explica Hanna.

As presenças de Yusra e Hanna na abertura da COB Expo reforçam a relevância do evento, que chega à quarta edição consolidado como ponto de encontro entre milhares de representantes do ecossistema esportivo.

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