Profissional após a maternidade, Mariana Nep busca título do wakeboard inspirada pela filha
Maria tem apenas sete anos, compete seguindo os passos dos pais radicais e torcerá pela mãe em Santa Marta 2023

Do sofá de casa, em Bragança Paulista, no interior de São
Paulo, a pequena Maria, de 7 anos, torcerá pela mãe. Após liderar as
classificatórias do wakeboard nos Jogos Sul-americanos de Praia Santa Marta
2023, Mariana Nep buscará um título inédito na tardia e recente carreira como
profissional. Dentista formada, ela encarou o desafio de viver do esqui
aquático após a maternidade, já com mais de 30 anos.
Mariana jogava handebol e tinha o sonho de ser jogadora
profissional nas quadras quando conheceu o wakeboard. A modalidade tornou-se
uma paixão e um hobby em meio aos estudos de odontologia. Tinha uma rotina
puxada no consultório e via margem para mudança. Foi quando reencontrou Marcelo
Giardi, o Marreco, campeão pan-americano e maior nome do wake no Brasil.
Os dois se casaram, e Mariana se juntou ao amado na
escolinha esportiva que ele dirigia. Além de ajudar nas aulas, passou a treinar
para tornar-se atleta profissional. Curiosamente só após ser mãe que esta
transição se concretizou. Depois dos 30 anos, já com Maria nos braços, Mariana iniciou
uma trajetória de sucesso no esporte.
Hoje, tricampeã brasileira, medalhista nos Jogos
Pan-americanos e bicampeã mundial master, Mariana vê na filha a inspiração de
que precisa para buscar voos mais altos e radicais.
“Ser mãe com certeza foi a melhor decisão que tomei na minha
vida. Ela esquia com a gente desde os três anos de idade, fica com a gente 24h
por dia. É o amor da minha vida. Tudo o que eu faço na minha vida é por ela.
Antes de entrar na água é nela que eu estou pensando. Cheguei em Santa Marta e,
ao abrir minha mala, tinha um ursinho e uma cartinha dizendo que ela está bem,
torcendo por mim. É muito legal ela ter essa consciência de que viajei para
trabalhar, para fazer o esporte. Uma hora quero que ela esteja aqui no meu
lugar”.
“A Maria teve problemas no intestino no primeiro ano de
vida, teve que usar bolsinha de colostomia. Superar isso me fez levar todo o
resto de uma forma muito mais leve. Lógico que sou competidora, que quero
sempre mostrar bons resultados. Treino todos os dias para isso. Mas quando você
passa um perrengue assim, entende que nesses casos é que tem que ficar bravo, triste
ou nervoso. Na competição hoje em dia tento levar de forma mais leve, alto
astral, e seja o que Deus quiser”.












