Com destaque para “Geração Piauí”, seleção brasileira domina o Brazil International Series de Badminton
Em Campinas (SP), Jaqueline Lima, Sâmia Lima e os irmãos Fabrício e Francielton Farias conquistam quatro ouros e pontos importantes para o ranking olímpico

O badminton se espalhou pelo Brasil. Mas uma talentosa geração de atletas do Piauí, que se destacou conquistando muitas medalhas nos Jogos Escolares da Juventude, chegou à seleção
brasileira adulta e está firme na busca por uma vaga nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020. Jaqueline Lima, Sâmia Lima e os irmãos Fabrício e Francielton Farias
conquistaram quatro (duplas mistas, masculinas e femininas e simples feminina) dos cinco ouros possíveis no Brazil International Series,
competição que terminou neste domingo, no Clube Fonte São Paulo, em Campinas, e
reuniu atletas de Brasil, Chile, Guatemala, Islândia, Itália e México.
A final das duplas mistas, a primeira do último dia de competição, mostrou a
força da chamada “geração Piauí”. Todos os quatro atletas em quadra eram de
Teresina, capital do Estado. Fabrício Farias e Jaqueline Lima se deram melhor
sobre Francielton Farias e Sâmia Lima por 2 a 0, com um duplo 21-18. Motivo de
satisfação para o treinador da seleção brasileira, o português Marco Vasconcelos,
que acompanha os atletas desde pequenos.
“Quando cheguei ao Brasil há seis anos, eles eram crianças que sonhavam chegar à
seleção. Hoje integram uma geração que pode fazer mais dois ciclos olímpicos, até Los
Angeles 2028. O trabalho é muito bem feito no Piauí. E quando
falo do Piauí, não posso me esquecer de uma geração que existe no Rio de Janeiro, do
projeto social Miratus, de onde saiu o Ygor Coelho. São dois projetos que
formaram grandes atletas, que têm muito a dar ao badminton brasileiro. Eles vêm de projetos sociais, passaram por grandes dificuldades. Ou seja, o esporte
pode dar algo em troca. Eles buscam os seus sonhos e, mais do que isso, enxergam
um futuro. Então, todos esses projetos são bem-vindos e espero que nunca acabem”,
disse o treinador.
No individual feminino, Fabiana Silva, cabeça-de-chave número 1, acabou caindo
na semifinal para a mexicana Haramara Gaitán e ficou com o bronze. Com isso, o
caminho ficou aberto para Jaqueline Lima, que já havia superado Tamires Santos, Jeisiane
Alves e a guatemalteca Nikte Alejandra Sotomayor para chegar à decisão. Contra
a mexicana, Jaqueline atropelou no primeiro set (21 a 8) e encontrou mais dificuldades no segundo. Depois de estar vencendo por 19 a 14, permitiu o
empate da adversária em 22 pontos. Desconcentrada, chegou a levar a virada (23 a 22),
mas voltou ao jogo e fechou o set em 26 a 24.
“Foi um pouco tenso. Cansei um pouco no final, porque venho jogando a semana
toda e foi quase uma hora de partida. Isso pesou um pouco, mas respirei, consegui ficar mais tranquila com a ajuda do meu técnico e acabei conseguindo o título”, disse
Jaqueline. “Meu foco era nas duplas, que o treinador vem treinando comigo, o Fabrício e a
Sâmia. Mas a chave estava boa, consegui ir à final e aproveitar a chance. A maior
dificuldade foi o tempo de recuperação, muito pequeno entre um jogo e
outro. Mas os pontos que podia conquistar para o ranking olímpico me motivaram
e fico muito feliz por ter ganhado”, completou a jovem, bronze nos Jogos
Olímpicos da Juventude Buenos Aires 2018 nas equipes mistas.
No último jogo da competição, Jaqueline faturou seu terceiro ouro na
competição, dessa vez ao lado de Sâmia Lima, nas duplas femininas. Elas
venceram as compatriotas Mariana Freitas e Bianca Lima por 2 a 0, parciais de
21 a 7 e 21 a 10. Já nas duplas masculinas, mais um ouro para a “geração
Piauí”. Os irmãos Fabrício e Francielton derrotaram Waleson Evangelista
dos Santos e Matheus Voigt (21 a 12 e 21 a 11).
“Esse campeonato foi muito importante para somarmos pontos no ranking
mundial. Fui muito ajudado pelo meu irmão e pela Jaqueline. Acho que o principal para as conquistas foram as metas que coloquei para mim, estava
muito focado”, comentou Fabrício, que deixa Campinas com dois ouros.
Todos os campeões do Brazil International Series 2019 estiveram nos Jogos
Pan-americanos Lima 2019, em que a modalidade fez a melhor campanha de sua
história, com cinco medalhas (um ouro e quatro bronzes). Uma mostra da
evolução brasileira no cenário internacional.
“Os atletas ficaram muito motivados depois do Pan. Fizeram
bons pontos em Lima e, de lá para cá, já disputamos três competições. Inclusive, na semana passada, conseguimos três medalhas de ouro e uma
de prata na Guatemala. Então, acho que a equipe está bem e que o Pan serviu de alavanca
para perseguirmos o nosso sonho, que é a classificação olímpica. E não só nas
simples, mas também nas duplas. Sabemos que é difícil, mas o nível que
estamos apresentando hoje já está bem próximo do mais alto nível mundial”, finalizou Marco Vasconcelos.
Nas próximas semanas, a seleção brasileira disputa uma etapa do campeonato nacional, em Curitiba, e emenda com o Aberto da Dominica, entre 22 e 27 de outubro, que também conta pontos para o ranking mundial e olímpico.












