Logo
Jogos da Juventude

Focando em nova fase, judocas de destaque orientam nova geração da modalidade nos Jogos da Juventude

Nomes como Camila Yamakawa (MS), Felipe ‘Pedra’ Costa (SP), Nicolas Santos (SP) e Milena Mendes (RS), todos com passagens pela seleção brasileira, atuaram como treinadores em Ribeirão Preto

Por Comitê Olímpico do Brasil

10 de set, 2023 às 07:00 | 5 min de leitura

Compartilhe via:

Ser ex-atleta de sucesso não garante ser um técnico de destaque. Mas há muitas vantagens em ter conhecedores profundos da realidade do dia a dia competitivo à beira das quadras, gramados e tatames. A competição de judô dos Jogos da Juventude Ribeirão Preto 2023 chamou a atenção pelo número de judocas com passagens pelas seleções de base e principais, donos de títulos internacionais, orientando os jovens de até 17 anos, que iniciam a carreira competitiva de alto nível.

Camila Yamakawa, do Mato Grosso do Sul; Felipe "Pedra" Costa e Nicolas Santos, de São Paulo; e Milena Mendes, do Rio Grande do Sul, são alguns exemplos. A transição de carreira deles é recente e, por isso, ainda estão se acostumando aos desafios da nova posição, dentro do coach box.

“Achava que era fácil, mas quando a gente está na pele é que vemos o quanto é sofrido também. Quando estamos do lado de fora, podemos ver melhor o que o atleta pode fazer. A gente deseja que eles tenham essa sensação e peguem a visão que estamos passando”, contou Yamakawa, que recentemente foi mãe dos gêmeos, Akira e Hayla, e é tricampeã dos Jogos da Juventude.

“Essa parte de transição que estamos fazendo é desafiadora. Eu brinco com os outros técnicos que eu prefiro lutar, o sangue ainda está pulsando. É cansativo, não é fácil. Às vezes, os pais falam, você só fica sentado, dando orientação. Como treinador, é um outro tipo de postura que precisamos ter. Lutando você passa um nervoso só, só o seu. Na cadeira de técnico, são as emoções de todos os atletas”, disse Nicolas Santos, titular do Brasil no campeonato mundial júnior em 2013.

“A minha maior dificuldade é conseguir equilibrar a emoção e a razão. Eu tento ser muito racional, ter uma conversa mais centrada com todos. Procuro sempre trabalhar esse lado. Tem meninos que convivem o dia todo comigo, são muito próximos. Para orientar melhor eles, eu estudo muito. Saber ser racional, mas usar o coração na hora que tem que ser usado”, falou Milena Mendes, também tricampeã dos Jogos.



Já as vantagens também são reconhecidas pela nova geração de treinadores. Além da maioria deles ter passado especificamente por essa competição, organizada pelo Comitê Olímpico do Brasil sob diferentes nomes desde o ano 2000, o fato de terem deixado as competições recentemente ou ainda estarem lutando esporadicamente os ajuda nas análises e orientações durante o combate.

“Quando cheguei aqui e vi a estrutura, veio uma memória muito grande da época que eu lutei a competição. Estar aqui agora como técnico é uma responsabilidade muito grande. Eu tenho um olhar diferente, penso que estou ali. Então, assim como era como atleta, como técnico eu quero sempre que busquem o ippon (golpe perfeito) o tempo todo”, confessou Nicolas, 29 anos, treinador do Projeto Olhar Futuro, de São José dos Campos (SP).

“Ter sido uma atleta de alto rendimento me permite ler o que eles tão sentindo. Essa conexão que eu tenho com os atletas é porque eu já passei por aquilo ali. Sei pelo olhar, pela pegada, por uma mão no joelho, sei quando podem dar mais, quando chegou no limite. Eu consigo direcionar os atletas de uma maneira que, talvez, eu não tenha sido”, contou Milena, 31 anos, que hoje é treinadora da Sogipa, de Porto Alegre.

“Os ciclos vão se encerrando. É muito legal ver tantos jovens técnicos porque acho que a gente tem mais disponibilidade de viajar, estamos com um pouco mais de gás de fazer cursos, temos uma intimidade maior com a internet para poder nos aprimorarmos. Mas é claro que eu observo muito o que os técnicos mais experientes fazem para tentar melhorar”, disse Camila, 28 anos, técnica do Clube Sakurá de Judô, de Dourados (MS).



O futuro ainda está sendo escrito, mas a nova geração de técnicos aparenta estar muito consciente das responsabilidades e alegrias, das dores e das delícias de não estar mais vestindo o judogi e de ser chamado de sensei (mestre).

“Adoro ser técnica. Eu gostava muito de competir, sempre gostei. Mas não senti muito a transição porque a adrenalina para mim é a mesma. Sinto que segui uma linha de mãe com meus atletas: firme, justa, mas cuidadosa também. Acho que me encontrei! Se eu soubesse o quanto ia gostar, tinha virado técnica antes”, disse Milena, que realizou a última competição registrada pela Confederação Brasileira de Judô em 2018, e é preparadora física, com especialização em psicologia do esporte.

“Sempre almejo metas grandes. Meu desejo hoje é um dia ser uma boa técnica, colocar atletas na seleção. Não só colocar, mas também fazer com que ela seja a melhor da categoria. Tive a oportunidade de viver isso e, por isso, quero que esses jovens possam sentir o gosto de tudo que senti”, disse Camila, vice-campeã mundial júnior no peso-pesado em 2015 e vice-campeã brasileira em 2022.

“Estou muito feliz de estar aqui. É uma responsabilidade e um desafio muito grande, mas fomos forjados nisso. Lutando, trabalhando, sem nada fácil. Estou aqui firme e forte, dando o meu melhor para ajudar que outros atletas consigam ir até mais longe do que eu fui”, completou Nicolas, que este ano foi campeão do Aberto Pan-americano da Bahia.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS