‘Ex-protagonista’, Fernando Portugal comanda seleção masculina de rugby nos Jogos Pan-americanos de Lima
Capitão da seleção durante anos compartilha experiência com jovens jogadores. Equipes masculina e feminina já estão no Peru e estreiam na competição no próximo dia 26

As seleções brasileiras masculina e feminina de rugby sevens já estão em Lima para a disputa dos Jogos Pan-americanos. E uma figura conhecida se destaca dentro da seleção masculina, que busca a afirmação no continente. Fernando Portugal, que durante anos foi o capitão da equipe masculina, hoje atua fora das quatro linhas. Após participar das edições de 2011 e 2015, o “ex-protagonista” Portugal agora tem a oportunidade de passar toda sua experiência de quase 20 anos como atleta para um grupo jovem que tem um grande desafio em Lima.
“Quando parei de ser atleta, entendi bem que deixei de ser o protagonista da minha atividade profissional. Antes eu era o atleta, fazia, aparecia, ia no campo, dava entrevista... Hoje, o meu trabalho apenas se reflete no deles. Eles são os protagonistas. Digo que sei quanto um staff pode potencializar ou minimizar o trabalho deles. O grupo que fiz parte como jogador, eu ajudei a construir. Agora, a responsabilidade é deles, que tem que construir a própria maneira de se relacionar, de agir e de jogar”, analisou.
“Ser um treinador que já foi atleta da Seleção faz com que a gente consiga entender o universo do jogador e respeitar o momento deles. Não quero criar por eles, quero ser um meio para ajudar a orientar”.
Depois de desembarcarem em Lima neste domingo (21), as duas equipes realizaram o reconhecimento da área de competição nesta segunda. A estreia tanto do masculino quanto do feminino será no próximo dia 26, data da abertura da Jogos Pan-americanos. O grupo masculino terá um grande teste pela frente.
“O grupo é muito forte e estamos muito bem preparados. Sabemos que é um grupo muito competitivo, o Sevens é uma modalidade dura. Sabemos que podemos ganhar do melhor, assim como perder do pior. É um jogo que é os mínimos detalhes definem, estamos tentando nos manter concentrados nesse sentido”.
“Usamos os torneios de Sevens para formar novos jogadores dando experiência internacional. O sistema de alto rendimento no rugby brasileiro trabalha muito no dia-a-dia voltado para o desenvolvimento do jogador. Mas para esse evento está sendo diferente. Queremos desfrutar todo o universo Pan-americano, o intercâmbio com outras modalidades, outros treinadores, fazer parte do Time Brasil, que tem pessoas que estão lutando e representando a mesma imagem que a gente. Está sendo bem especial”, acrescentou.
Além de viver o Time Brasil também e toda a estrutura fornecida pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) para os atletas e treinadores, Portugal destacou a receptividade do povo da capital peruana e o trabalho realizado pela organização do evento.
“A estrutura Pan-americana está linda. A Vila tem tudo que a gente precisa, a alimentação é muito boa, a gente convive com pessoas boas, a hospitalidade é sensacional. A gente sente que estão todos muito felizes em nos receber”, contou.
A braçadeira de capitão da equipe masculino hoje está nas mãos de Felipe Sancery, que traçou os objetivos da equipe para a competição. “Estamos treinando bastante e o time está com uma energia bem positiva. Estamos aqui em Lima com foco total no pódio. Viemos aqui para competir e sair da segunda maior competição esportiva do mundo com uma medalha. É nosso grande objetivo”.
Já classificadas para os Jogos Olímpicos Tóquio 2020, a seleção feminina chegou à Lima para uma disputa acirrada com Estados Unidos e Canadá pelas primeiras posições do pódio. Na única participação da modalidade em Jogos Pan-americanos, as Yaras terminaram com o bronze. Ouro para as canadenses e prata para as norte-americanas. E uma vantagem nessa intensa disputa pode ser justamente o campo de jogo.
“Jogamos o qualificatório olímpico aqui nesse mesmo local, então, já conhecemos o campo. A estrutura é muito boa. A Vila também está bem organizada, tudo muito legal. A organização do próprio evento e a equipe do Time Brasil estão dando um suporte muito bom e bem explicado para nós. Está sendo uma ótima experiência”, disse Raquel Kochhann, capitã da equipe feminina.
“Fazemos um trabalho muito duro em São Paulo, treinamos muito para colher os resultados. Então, só queremos colocar o que a gente vem treinando em prática. Queremos dar o melhor dentro de campo e mostrar para o Brasil que o rugby tem representatividade na América do Sul. Independentemente de ganhar ou perder, ficaremos felizes se a gente conseguir colocar o nosso melhor rugby dentro de campo”, completou.












