Encontro virtual sobre os efeitos da pandemia no esporte reuniu atleta, técnico e membro do COB
“A beleza dos Jogos de Tóquio vai ser o reencontro”, afirmou Bernardinho, ex-técnico das seleções brasileiras de vôlei

A preocupação com a parte psicológica dos atletas, o retorno do esporte pós-pandemia e o financiamento esportivo foram questões levantadas durante a conversa promovida no dia 13 de maio pelo Instituto Brasiliense de Direito Público, o IDP, em seu canal no Youtube. O bate-papo virtual teve a presença de Bernardinho, ex-técnico das seleções brasileiras de vôlei, Sami Arap, Presidente do Conselho de Ética do COB e do Conselho Consultivo da CBRu (Confederação Brasileira de Rugby), Duda Amorim, atleta da seleção de handebol, com mediação de Ney Bello, membro do Conselho de Ética do COB e professor do IDP, e Carina Ávila, repórter do esporte da Rede Globo.
Para Bernardinho, neste momento, o atleta deve focar no que é possível treinar, minimizando a perda de rendimento. O treinador afirmou que é importante começar a pensar no modo como o esporte poderia voltar após a pandemia e destacou a questão do financiamento.
“Como vai ser o retorno do esporte? Vamos virtualizar o esporte? Há um jeito intermediário? Com pouca torcida? Temos que pensar nisso. A questão dos patrocínios é muito importante. Em relação à iniciativa privada, o esporte está indo para o final da fila do patrocínio, o foco nesse momento, claro, é a saúde, mas temos que nos preocupar”, ponderou o técnico do Sesc-Rio. Apesar da apreensão, ele se mostrou esperançoso com os Jogos Olímpicos que acontecerão em 2021: “A beleza dos Jogos de Tóquio vai ser o reencontro”.
A pandemia do coronavírus mudou os planos da melhor jogadora de handebol do mundo em 2014. Duda, que vive e joga na Hungria, contou que pretendia encerrar sua participação na seleção brasileira em Tóquio e que focaria no projeto família. Com o adiamento, ela integrará a seleção em 2021. A atleta falou que está treinando em casa e se disse triste com o cancelamento das ligas de handebol.
“É difícil ficar longe dos treinos, mas estamos tentando dar nosso melhor. Estou treinando em casa desde março. Comprei pesos e material para manter o preparo físico e estou tentado me manter motivada. Por sorte, aqui não foram proibidas as saídas, e posso treinar ao ar livre. A Liga Húngara de Handebol foi cancelada e terminamos sem campeão. Meu time (Gyóri) estava em primeiro lugar”.
A imprevisibilidade é um dos fatores que preocupam Sami Arap, Presidente do Conselho de Ética do COB. Ele afirmou que a dúvida e a impossibilidade de planejamento atrapalham as entidades e os atletas, que podem acabar sobrecarregando a parte psicológica. Ele lembrou ainda que o rugby estava num momento importante, quando veio a pandemia da COVID-19. A seleção masculina estava indo para seu primeiro torneio internacional, em Assunção (Paraguai). Já a feminina, estava disputando campeonatos e se preparando na Nova Zelândia, quando retornou ao país e se deparou com o isolamento social e cancelamento de torneios. Ele contou que os atletas estão sendo acompanhados por psicólogos e seguem com protocolos de manutenção de treinamento físico.
“As próprias entidades gestoras do esporte também não podem fazer seus planejamentos, porque não sabemos o que vai acontecer com os recursos públicos. Não sei o impacto que teremos na iniciativa privada. E uma das primeiras coisas a serem cortadas é o patrocínio”.
Ele ainda expressou a vontade de todos nesse momento: “Se eu achasse uma lâmpada mágica e tivesse apenas um desejo, gostaria de achar a cura para essa doença, saber quando o mundo estará vacinado, podendo planejar e entrar em um novo normal”.












