Dez brasileiros competem no primeiro dia do Mundial de Atletismo de Doha
Expectativa é para a realização da maratona feminina e as condições extremas de temperatura e de umidade, que podem transformar a corrida disputada a um minuto para a meia-noite

A 17ª edição do Campeonato Mundial de Atletismo começa nesta
sexta-feira (27/9), com as primeiras provas no Estádio Internacional Khalifa, e
a final da maratona feminina na zona turística de Corniche, a beira mar no
Golfo Pérsico. A competição não terá provas pela manhã por causa do calor e a
programação está concentrada no final da tarde e à noite em Doha, no Catar.
O evento, segundo a Associação Internacional das Federações
de Atletismo (IAAF), reunirá até dia 6 de outubro 2.043 atletas (1.031 homens e
1.012 mulheres), representando 210 países.
O Brasil será representado por 44 atletas na principal
competição do calendário de 2019 do atletismo, que será uma grande referência
para os Jogos de Tóquio 2020. Dos convocados pela CBAt, 10 já competem nesta
sexta-feira.
Os primeiros a entrarem na pista do Estádio, que contém um moderno sistema de
refrigeração, são os velocistas Paulo André Camilo, Vitor Hugo dos Santos e
Rodrigo Nascimento, que disputam as eliminatórias dos 100 m, a partir das 12:05
no horário de Brasília (Doha está 6 horas à frente).
“Nós da velocidade estamos bem preparados. Fizemos um camping importante de
treinamento na Tailândia e vamos tentar fazer o melhor”, disse Paulo André, que
venceu o Troféu Brasil Caixa, com 9.90, mas com ajuda do vento, no dia 29 de
agosto, em Bragança Paulista (SP). “Eu me sinto a 110% e muito confiante.”
Às 13:25, também de Brasília, será a vez de Almir Cunha dos Santos, no Grupo A,
e de Alexsandro Melo, no Grupo B, disputarem a qualificação do salto triplo. Os
dois estão recuperados de lesão.
E, a partir das 14:35, Arthur Terezan, Alison Brendom dos Santos e Marcio Teles
participam das eliminatórias dos 400 m com barreiras. Dos três, Alison, campeão
pan-americano e mundial universitário, também participou do Camping
Internacional de Bangcoc. “O Alison está muito bem e vai ter sua prova de fogo
no Mundial, com apenas 19 anos”, lembrou o técnico Felipe de Siqueira. O
paulista ocupa o sexto lugar no Ranking Mundial da IAAF, com 48.45.
As últimas duas brasileiras a competir são Andreia Hessel e Valdilene dos
Santos Silva, na maratona, que reunirá 69 atletas de 40 países, que tem largada
prevista para 23:59 locais (17:59 de Brasília). A prova será disputada num
circuito de 7 km.
Ameaça de cancelamento - Por causa
da difícil situação climática de Doha, a maratona foi marcada para um minuto
antes da meia-noite. Mesmo assim, a vida não será fácil para os atletas de
fundo. De acordo com o técnico Clodoaldo Lopes do Carmo há até mesmo a
possibilidade de cancelamento da maratona e das provas dos 50 km de marcha
atlética.
“As informações que temos são muito controversas e falam até em cancelamento
das maratonas e da marcha 50 km em nome da integridade física dos
participantes. Nossos atletas têm treinado depois das 23 horas e não tem sido
nada fácil. Quarta-feira até que deu, na terça foi horroroso. Temperatura em
torno de 33 graus, com sensação de 40 e 80% de umidade relativa do ar”, lembrou
Clodoaldo.
A tendência, segundo o treinador, é que haja uma quebradeira enorme. “Muito
provavelmente os resultados ficarão muito aquém dos últimos Mundiais porque
desta vez serão provas de sobrevivência. Os atletas perdem muito líquido e,
mesmo com boas estratégias de hidratação, a gente não consegue repor na mesma
proporção o que é perdido na transpiração. O que importa porém é que a situação
é igual para todos”, completou o técnico.
O SporTV 2 anunciou a transmissão das provas do Campeonato Mundial de Doha,
nesta sexta-feira (27/9), a partir das 10:30 (horário de Brasília). O SporTV 2
também tem o Mundial em sua programação, no sábado (28/9), a partir das 10:05,
e no domingo (29/9), a partir das 10 horas (horários de Brasília).
Premiação - A
IAAF anunciou premiações milionárias para o evento. Os atletas que baterem recordes
mundiais no Catar, por exemplo, receberão US$ 100 mil. Já os campeões das
provas individuais embolsarão US$ 60 mil cada um. Os medalhistas de prata
levarão US$ 30 mil e os de bronze US$ 20 mil. Nos revezamentos, as equipes
vencedoras faturarão US$ 80 mil. Em todas as provas, haverá premiação em
dinheiro até o oitavo colocado.
História - As 13 medalhas do Brasil em
Mundiais
Ouro
Fabiana Murer - salto com vara - 4,85 m - Daegu-2011
Prata
José Luiz Barbosa - 800 m - 1:44.24 - Tóquio-1991
Claudinei Quirino - 200 m - 19.89 (-0.8) - Sevilha-1999
Sanderlei Parrela - 400 m - 44.29 - Sevilha-1999
4x100 m (Vicente Lenilson, Edson Luciano Ribeiro, André Domingos e Cláudio
Roberto Souza) - 38.26 - Paris-2003
Jadel Gregório - salto triplo - 17,59 m - Osaka-2007
Fabiana Murer - salto com vara - 4,85 m - Pequim-2015
Bronze
Joaquim Cruz - 800 m - 1:44.27 - Helsinque-1983
José Luiz Barbosa - 800 m - 1:43.76 - Roma-1987
Luiz Antônio dos Santos - maratona - 2:12.49 - Gotemburgo-1995
Claudinei Quirino - 200 m 20.26 (2.3) - Atenas-1997
4x100 m (Raphael de Oliveira, Claudinei Quirino, Edson Luciano Ribeiro e André
Domingos) - 38.05 - Sevilha-1999
Caio Bonfim - 20 km marcha atlética - 1:19:04 - Londres-2017
Fonte: CBAt












