Conheça brasileiros que trabalham no Comitê Organizador Paris 2024
A dois anos do início dos Jogos, Miguel Accioly e Thiago Bauer relembram desafios da trajetória olímpica nos bastidores

Enquanto os atletas sonham com a classificação para os Jogos Olímpicos Paris 2024, alguns brasileiros trabalham incansavelmente para a realização do evento na próxima sede olímpica. A dois anos da cerimônia de abertura, Miguel Accioly e Thiago Bauer são dois dos integrantes do quadro de funcionários do Comitê Organizador francês e compartilham uma trajetória de persistência e rica em preciosas memórias esportivas.
O brasileiro é cria do Morro do Caniçal, comunidade carente de Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Era fascinado por natação, ginástica artística e surfe, e assistia encantado, na televisão, às pessoas que trabalhavam nos bastidores dos grandes eventos esportivos. Aos 21 anos, em 2005, agarrou a oportunidade que iniciaria a guinada em sua vida: foi aprovado em um programa do governo japonês e passou um ano no país, aprendendo o idioma.
Com a experiência do intercâmbio e a bagagem que já tinha como professor de inglês, Miguel bancou a faculdade de Sistemas de Informação. Depois de alguns anos no mercado, queria buscar novos rumos e viu no Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016 a oportunidade de unir o trabalho com a paixão de infância por esportes.
“Fazer os Jogos mudou minha cabeça. Foi disparado o emprego mais prazeroso que já tive na vida. Estava trabalhando com algo que era difícil, mas que tem uma atmosfera muito legal. Faz bem quando a gente sabe que faz algo que faz diferença para outras pessoas, para o mundo.”
No Rio, Miguel foi gerente de TI no Riocentro, sede que recebeu quatro modalidades. Ele ficou responsável diretamente pelo tênis de mesa, e ali começou a fazer contatos rumo a Tóquio. Passou tempos difíceis, quase um ano desempregado e batendo em várias portas, até descobrir quem seria o diretor de tecnologia dos Jogos de 2020. Escreveu um e-mail gigante e colheu os frutos da persistência.
Na mudança para o Japão, teve a visão estratégica de buscar um esporte estreante no programa olímpico. Escolheu trabalhar com a estrutura do surfe, na praia de Tsurigasaki, na província de Chiba. Seria uma experiência inédita no ramo, e o elevaria a outro patamar profissionalmente.
“O mais legal da minha experiencia pessoal é que existem sonhos que podem parecer impossíveis, mas se a gente de fato corre atrás.... Não cai do céu para ninguém, mas se você souber correr atrás das oportunidades que aparecem, as coisas podem acontecer até para pessoas que vêm de uma comunidade, onde você encontra dificuldades para sair daquilo. Não é impossível. Trabalhar com esporte é a coisa mais incrível do mundo. Você ver seu ídolo ganhando uma medalha e pensar que você faz parte daquilo... Nada substitui esse sentimento.”
A trajetória de Thiago Bauer também se construiu na base da insistência. Hoje ele trabalha junto à Coca-Cola, patrocinadora do movimento olímpico, com a missão de garantir o fornecimento de bebidas durante os Jogos, pensando em logística, infraestrutura e orçamento. Para esta edição, o grande desafio é manter o padrão de distribuição com um sério compromisso de sustentabilidade, com redução do uso de plástico e das emissões de carbono.
“Nesse 1 ano e 8 meses que passei no Comitê comecei a me descobrir como profissional. Quem não entende da área (comidas e bebidas) acha que qualquer um faz. Durante o planejamento do evento a gente não tem muito recurso, tanto de pessoas quanto financeiro, mas durante o evento é muito importante. Para o atleta a bebida e a comida são os combustíveis. A gente passa do renegado para a área que todo mundo acha que vai resolver todos os problemas.”
“É um comitê super interessante. Tem um prédio super bonito, com um estafe muito jovem. Tem um projeto muito ambicioso em termos de sustentabilidade, de utilizar recursos de uma maneira mais inteligente.”
“Estamos reinventando a roda, a maneira de entender o evento. Depois da Covid-19, Paris vai ser realmente o centro das atenções para entender o que a gente aprendeu nesse período, como o impacto ambiental da pandemia para a natureza e o que a gente pode fazer melhor tendo apoio dos atletas, dos comitês”.












