Cabeleireiro, comida variada, troca de pins e recadinhos: estreantes em Jogos contam como funciona a Vila Olímpica
Nicole Silveira, se despediu de Yanqing na última segunda, 14, enquanto Eduarda Ribera ainda está em Zhangjiakou

A
Vila Olímpica mexe com o imaginário de todos os atletas almejam estar nos
Jogos. Não foi diferente com as estreantes Nicole Silveira, que conseguiu o
histórico top-15 para o Brasil no skeleton, e Eduarda Ribera, de apenas 17
anos, que encerrou a participação nas competições em Pequim nesta quarta, 16.
Elas ficaram em Vilas diferentes, já que os atuais Jogos Olímpicos de Inverno
tiveram a peculiaridade de ter três zonas residenciais para os atletas: uma em
Pequim, que não contou com brasileiros; outra em Yanqing, que recebeu os
atletas do bobsled, esqui alpino e skeleton; e outra em Zhangjiakou, que foi a
casa dos brasileiros do esqui cross-country e do esqui estilo livre.
“O que mais me chamou atenção na Vila foi o fato de, mesmo em formato de bolha,
poder caminhar, conversar com outras pessoas, andar entre os prédios, pela própria
Vila mesmo, ir a outras venues. A arquitetura da Vila também é muito legal, a
vista muito bonita e a pista bem do lado. Realmente um lugar bonito”, disse
Nicole que, logo no primeiro dia circulando pelo local, foi ao cabelereiro dar
um tapa no visual.
“Não imaginava que teria cabeleireiro na Vila não. E também foi um risco entrar...
Cheguei pedindo pra cortar só um pouquinho e acabaram cortando demais! Mas
estava precisando, então não reclamei muito”, contou às gargalhadas.
As ofertas de serviços na Vila são muitos e vão desde os que não tem a ver
diretamente com a competição, como cabeleireiro, lojas de alimentação dos
patrocinadores do COI, até os essenciais como serviços médicos, dentista e de
fisioterapia. Há espaços dedicados a mostrar um pouco mais da milenar cultura
chinesa, como a que conta a história e mostra os beneficia da medicina local, entre
elas a acupuntura. Também existem lojinhas, como de serviço postal, e uma das
mais frequentadas é a oficial dos Jogos. A mascote Bing Dwen Dwen foi um
sucesso entre os participantes dos Jogos de Pequim. Apesar de tantas
possibilidades, a rotina das duas começava sempre da mesma forma.
“Teste de Covid, café da manhã, academia, almoço, treino de pista, Fisio, jantar,
analisar descidas, arrumar trenó, dormir. Entre essas coisas, também gostava de
passar tempo no escritório pra conversar com o pessoal, trocar pins com outros
países, conversar com outros atletas, assistir outras competições e visitar as
atrações da Vila”, contou Nicole.
“Eu acordo, faço o teste de Covid, tomo café, e vou direto pra pista e treino
ou volto pro apartamento e descanso mais um pouco. Almoço e treino de tarde,
volto do treino e vou direto pro banho porque aqui está fazendo um pouco mais
de frio. Depois vou pro escritório bater papo com o pessoal do COB e vamos
jantar. De vez em quando, trocar uns pins”, disse Duda.
No restaurante, a culinária chinesa, bem diferente dos padrões brasileiros, não
foi problema, porque o cardápio internacional incluía alguns itens de dar arrepio nos nutricionistas como pizza e hambúrguer, mas
também muitas opções mais saudáveis como vegetais, legumes e cereais.
“Gostei bastante do restaurante onde a gente pode comer coisas diferentes e trocar
pins. Gostei muito da acomodação e da Villa em si, tem lojinhas e coisas
interessantes pra passear e fazer e descobrir mais sobre a cultura chinesa”, revelou
Duda.
O Time Brasil tem a sua base em cada uma das Vilas. No escritório, tem alguns
jogos para ajudar na distração dos atletas quando não estão treinando nem competindo, TV para acompanhar as competições dos colegas de delegação ou outras disputas, além dos espaços para os serviços médico e de fisioterapia. Além disso, o
COB ofereceu acompanhamento de serviços de Vila, esportivos e de comunicação. As
duas estreantes fizeram questão de destacar a importância desse apoio dos colaboradores
do Comitê.
“O Doutor Leonardo Hirao e o Ronaldo Aguiar são bem legais e me ajudaram muito
quando eu estava tensionada e meia mal de dor cabeça. E a Gabi (Gabriela
Soares, de Operações e Logística) também me ajuda muito no dia-a-dia
conversando comigo”, contou a jovem de 17 anos.
“Fiquei muito feliz com o suporte que tive. Até meu treinador que já tinha ido
pra outros Jogos com outro país disse que o Brasil estava nota 10. Chegando na Vila,
os quartos estavam bem arrumados, os profissionais sempre dispostos a encontrar
o que era necessário, pessoas muito simpáticas, médico e fisioterapeuta top de
linha e acesso a eles a qualquer hora”, relatou Nicole.
“O Time Brasil foi ótimo em providenciar oportunidades de mídia e divulgação
das modalidades que são muito importantes para o crescimento dos esportes no Brasil,
principalmente os de inverno. Não só trabalham duro pra que tudo esteja certo,
mas também são grandes pessoas, sempre na torcida e felizes por fazerem o que tem
que fazer. Não dá pra escolher somente uma coisa que gostei. Tudo que
ofereceram realmente foi espetacular”, completou.
Antes de deixar Zhangjiakou para voltar ao Brasil, Duda deixou um recado para o
seu irmão, Christian Ribera que vai disputar os Jogos Paralímpicos de Inverno e
habitará a mesma Vila que ela. “É pra ele ver e ficar feliz e saber de toda a
torcida e apoio que ele tem!”












